Árvores consideradas com problemas como plantios irregulares, muito perto de esquinas ou com mudas selecionadas de forma inadequada devem ser substituídas nos próximos meses em Florianópolis. É o que diz o primeiro Manual de Arborização Urbana da cidade, um guia para o planejamento, plantio, conservação e a manutenção das árvores urbanas na Capital catarinense.

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Ao NSC Total, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável confirmou que as árvores serão substituídas, mas que o levantamento sobre a quantidade ainda está em andamento. De acordo com a pasta, o manual não serve como uma ferramenta para o diagnóstico fitossanitário das árvores e nem para identificação de conflitos com a infraestrutura e imobiliário urbano.

Entretanto, o manual traz diversos exemplos de árvores plantadas de forma inadequada, como na Avenida Mauro Ramos, no Centro, por exemplo. No local, o manual considera que as árvores estão muito próximas de uma esquina, gerando dificuldades para os pedestres visualizarem os motoristas no momento da travessia de ruas, já que a árvore “tampa” a visão de quem está na calçada.

“A utilização de mudas com altura do fuste fora das recomendações técnicas ou a inadequada condução das mudas após o plantio pode resultar em árvores com bifurcação muito próxima à base que, para determinadas situações de localização, como arborização de calçadas de vias públicas, poderão dificultar a circulação de pedestres e conflitar com o mobiliário e outros equipamentos de infraestrutura”, diz o documento.

O mesmo vale para os motoristas, que acabam não conseguindo ver outros veículos que trafegam no sentido contrário na avenida. Já na Rua Nereu Ramos, também no Centro, o problema está na árvore “plantada no concreto”, sem área livre entre o tronco e as raízes que possibilite a impermeabilização. Dessa forma, o tamanho do canteiro onde a árvore foi plantada também importa, levando em consideração a “aeração do solo e disponibilidade de água e nutrientes para as plantas”.

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Quem passa pela calçada da Rua Presidente Coutinho, na área central da Capital catarinense, também percebe a quebra da calçada em áreas onde árvores estão plantada, um sinal de que o espaço é insuficiente para que a árvore cresça. O manual afirma que o plantio de árvores em locais “onde não há recuo predial pode acarretar danos como levantamento e rachaduras de muros e paredes provocadas pela pressão das raízes”.

Caberá ao Plano Municipal de Arborização Urbana, em elaboração pela Floram, identificar os principais problemas, inventariar as árvores existentes nas vias públicas e propor metas, programas e ações que irão qualificar o patrimônio arbóreo da cidade.

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Há ainda outros problemas detectados na arborização urbana de Florianópolis, como o contato do tronco ou galhos com fios de telefonia e postes de energia, por exemplo. Segundo o manual, conflitos com a rede elétrica são comuns, “levando a podas drásticas em muitos casos, o que é resultado da escolha inadequada das espécies utilizadas e também do manejo inadequado, sem a condução devida da copa das árvores, por exemplo”. Dessa forma, o documento aponta como necessários uma série de fatores para que arborização seja melhorada, como:

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  • as condições locais do ambiente;
  • a seleção adequada das espécies para cada situação;
  • a largura das calçadas e ruas;
  • a presença de equipamentos de infraestrutura e mobiliário urbano;
  • a pavimentação;
  • a existência de recuo predial.

Em dezembro de 2025, uma forte ventania acompanhada de chuva fez com que diversas árvores caíssem no Centro da Capital. A Avenida Mauro Ramos, por exemplo, foi bloqueada após a queda de uma árvore de grande porte. Já na Beira-Mar Norte, uma árvore caiu sobre um táxi e deixou um semáforo inoperante. Já no bairro Cacupé, outra queda de árvore foi registrada, enquanto na Avenida Álvaro Tolentino, no bairro Capoeiras, uma árvore também de grande porte bloqueou a via. Os bombeiros também foram acionados para uma queda de árvore, oferecendo risco a uma residência, no bairro Córrego Grande.

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Quais árvores são mais adequadas para Florianópolis?

De acordo com o manual, o clima de Florianópolis é determinante para que sejam especificadas as árvores mais adequadas para a cidade. isso porque o clima da cidade é subtropical mesotérmico úmido, com verões quentes e invernos amenos. Dessa forma, também apresenta chuvas bem distribuídas ao longo do ano, sem uma estação seca bem definida.

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Levando isso em consideração, espécies com folhas perenes, semi-caducifólias e caducas, que possibilitam a ventilação e proporcionam maior sombra nos períodos quentes e maior insolação nos períodos frios, são as mais adequadas para a cidade.

De acordo com a Prefeitura de Florianópolis, são estimadas entre 25 mil e 30 mil árvores nas vias urbanas. Com isso, espécies que já fazem parte da cobertura vegetal nativa da cidade estão sendo usadas para a arborização urbana, como a pitangueira, a aroeira-vermelha, a timbaúva, o araçá, a figueira, o camboatá-vermelho, o cedro e o ipê-da-praia.