Fundos ligados ao Banco Master compraram a participação de irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um resort na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná. José Carlos e José Eugênio foram sócios do empreendimento entre dezembro 2020 e fevereiro de 2025. Com informações do g1.

Continua depois da publicidade

Os irmãos de Toffoli adquiriram as cotas no resort chamado de Tayayá por meio da Maridt Participações, uma empresa deles dois, que foi registrada na Receita Federal com um capital social de R$ 150. Na Junta Comercial do Paraná, consta apenas que houve a compra das cotas do resort. Não consta o valor que os ministros pagaram.

Em 2021, os irmãos de Toffoli venderam, por intermédio da Maridt, parte das cotas que tinham no resort, por mais de R$ 3 milhões. A venda foi feita para o Arleen, um fundo controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.

No ano passado, a Reag foi alvo de busca e apreensão em uma mega operação contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro de uma organização criminosa.

O fundo Arleen e a família Toffoli permaneceram como sócios do resort de setembro de 2021 até o 2025. A família Toffoli vendeu a participação na sociedade em fevereiro. O fundo Arleen deixou a sociedade em julho.

Continua depois da publicidade

Fotos mostram resort que já foi de irmão de Toffoli

STF pagou 128 diárias para seguranças em viagens em região de resort 

Segundo o jornal O Globo, o STF pagou 128 dias de diárias a seguranças em viagens durante feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort Tayahá, entre 2022 e 2025. O custo total das diárias foi de R$ 460 mil. Ministros do Supremo costumam viajar acompanhados de segurança.

Cunhada de Toffoli mora no endereço que seria da empresa

O endereço da empresa Maridt, dos irmãos do ministro, é o mesmo da casa de José Eugênio Toffoli. Segundo apurações feitas pelo O Estado de S.Paulo, ele ainda mora lá com a esposa. Cássia Pires Toffoli disse ao jornal que nunca soube que a casa foi sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

— Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa. Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na junta comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da maridt) aqui. Aqui é onde eu moro — ela afirmou no vídeo.

Continua depois da publicidade

Decisões de Toffoli geraram polêmicas

Em dezembro de 2025, Dias Toffoli puxou para a sua relatória todas as investigações sobre o caso do Banco Master. Desde então, medidas tomadas por Toffoli no caso, consideradas incomuns, geraram críticas no mundo político e jurídico.

O ministro decretou sigilo absoluto na investigação, marcou uma acareação entre o dono do Master e um diretor do Banco Central, que conduziu o processo de liquidação do banco, reclamou da atuação da Polícia Federal e escolheu peritos da corporação para analisar material apreendido.

O que dizem os envolvidos

Em nota enviada ao Jornal Nacional, José Eugênio Dias Toffoli, administrador da Maridt, informou que a empresa não integra atualmente o grupo Tayaya. Ele disse ainda que a participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de parte da participação ao fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021.

E que a segunda foi a alienação do saldo à empresa PHD Holding, em vinte e um de fevereiro de 2025. Afirmou também que todos os atos e informações financeiras da Maridt estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil, conforme exigido pela legislação.

Continua depois da publicidade

Os outros citados não retornaram a reportagem do Jornal Nacional.