A famosa estátua de Iemanjá, que fica no Costão dos Náufragos em Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina, vai ser restaurada. Quem passa pelo ponto turístico já encontra uma estrutura montada no espaço. Uma artista plástica da cidade será a responsável pelo trabalho.

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A Fundação de Turismo e Cultura do município divulgou, nesse domingo (19), que a restauração já teve início e afirmou que o local é um dos mais simbólicos da orla.

Confira fotos da estátua que passa por restauração

Como será o trabalho

A execução da restauração é realizada pela artista plástica Lucia Liamir, com foco na conservação da obra, protegendo o monumento contra a ação do tempo e mantendo sua beleza e significado.

“Mais do que uma escultura, Iemanjá representa a fé, a diversidade religiosa e a forte conexão da nossa cidade com o mar, sendo referência para manifestações culturais e tradições que fazem parte da nossa identidade”, destaca a fundação.

O órgão também reforçou que trabalha para expandir as ações de manutenção e restauração para outros monumentos da cidade.

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O naufrágio por trás do nome do ponto turístico 

Uma bela paisagem admirada por muitos turistas no litoral catarinense já foi cenário de uma quase tragédia no século 19. Em 1865, um grupo de combatentes da Guerra do Paraguai naufragou em uma das praias de Barra Velha. O local ficou conhecido como Costão dos Náufragos e é um dos pontos mais procurados pelos turistas.

O Costão fica entre a Praia do Tabuleiro e a Praia Central, que estão entre as melhores praias de Barra Velha.

Veja fotos do Costão

A Guerra do Paraguai foi um dos principais conflitos das Américas e uniu a Tríplice Aliança, formada pelo Brasil, Uruguai e Argentina, contra o Paraguai, que queria anexar terras brasileiras ao seu território.

Segundo Juliano Bernardes, professor e historiador, em junho de 1865, combatentes do grupo “Voluntários da Pátria” saíram da Paraíba, no Nordeste brasileiro, em direção à Guerra para apoiar as tropas brasileiras. Enquanto passavam por Barra Velha, a embarcação naufragou, provavelmente devido à uma tempestade que atingiu a região.

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O historiador também pontua que o mar agitado e as grandes pedras das praias possam ter colaborado para o naufrágio.

— Vemos até hoje que ali naquela região quando há ressaca, o mar fica muito, muito revoltado. Então essa provavelmente teria sido a causa do naufrágio. Na Praia Central também há aquelas pedras que a embarcação poderia ter se chocado. Mas não se sabe, até porque até hoje não foi encontrada essa embarcação — argumenta.

Segundo o professor, os sobreviventes nadaram até a costa, foram acolhidos pelos moradores e ficaram cerca de oito dias no município.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira