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    TRATAMENTOS ESTÉTICOS

    O que vai acontecer com nosso rosto?

    A pandemia mudará nossa aparência

    31/07/2020 - 17h09

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    Por The New York Times
    rosto
    Uma onda de agendamento de consultas era previsível.
    (Foto: )

    *Por Crystal Martin

    No fim de junho, Holly Aubry, proprietária de uma empresa de relações públicas em Nova York, realizou o primeiro tratamento estético de sua vida: aplicou Botox, fez preenchimento e levantou a sobrancelha.

    Ela nunca gastou muito dinheiro ou tempo em tratamentos de beleza, tinha poucos cuidados faciais e comprava na Sephora raramente. Mas, quando a doutora Lara Devgan, uma cirurgiã plástica em Nova York, reabriu seu consultório em junho, Aubry marcou um horário e foi submetida ao tratamento no mesmo dia. Essa visita ao consultório foi uma de suas poucas saídas desde março.

    Aubry, de 40 anos, pôde identificar seu desconforto: "Ouvir as sirenes no meu apartamento. Ficar com muito medo de adoecer. Ter meus filhos em casa, comprometendo minha capacidade de administrar minha empresa. Ver o que a pandemia fez à economia. Tudo isso me deixou estressada e comecei a perceber que estava envelhecendo rapidamente."

    Durante o bloqueio, as listas de espera para consultas não essenciais e não invasivas de tratamentos para a pele – como procedimentos a laser, preenchimentos e aplicações de Botox – aumentaram. O doutor Ben Talei, cirurgião plástico em Los Angeles, relatou que ele e seus colegas estão recebendo agora pessoas ansiosas por cuidados, especialmente aqueles que exigem um tempo de recuperação. "Elas querem fazer tratamentos agora, enquanto não interferem no trabalho e na vida social", disse Talei.

    Uma onda de agendamento de consultas era previsível. Mas como será o mundo estético depois desse boom inicial? Mais pessoas vão querer corrigir outras coisas, depois de se familiarizar com suas características, em inúmeras reuniões virtuais? Ou, depois de uma longa pausa longe do consultório e de realizar os cuidados com a pele em casa, perceberemos que, afinal, não precisamos de intervenção médica? Depois, há a consideração mais importante de todas: como fazer isso com segurança?

    A pandemia mudará nossa aparência

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    Com a máscara cobrindo a maior parte do rosto, é provável que voltemos nossa atenção para os olhos, destacam os médicos. Devgan aguarda mais pedidos de preenchimento embaixo dos olhos, procedimentos para levantar as sobrancelhas com Botox e cirurgia das pálpebras. "Também acho que, ao cobrirmos o rosto, revelaremos mais o corpo. Isso vai dar ênfase à estética do tronco, das nádegas e das pernas", observou ela.

    À medida que os consultórios reabrem, os médicos de fato estão registrando um aumento nos pedidos de tratamentos corporais. Normalmente, o verão norte-americano seria um período de poucas cirurgias, porque as pessoas planejam férias na praia, onde vão usar trajes mais reveladores. "Como a pandemia está limitando as viagens, os pacientes estão procurando esses procedimentos agora", comentou Sachin Shridharani, cirurgião plástico de Nova York.

    De acordo com a Aesthetic Society, organização profissional e grupo de apoio para cirurgiões plásticos certificados pelo conselho que reúne dados sobre práticas de cirurgia plástica nos EUA, a lipoaspiração e a abdominoplastia representaram 31 por cento do total de procedimentos em junho, contra 26 por cento em junho de 2019. Já os procedimentos nos seios aumentaram 4,3 por cento em relação a junho passado.

    "No meu entendimento, se você levar em consideração o tempo em que estivemos confinados, houve um crescimento significativo de mastoplatias de aumento e de mastopexias em comparação com o ano passado", disse o médico Herluf Lund, cirurgião plástico em Saint Louis, no Missouri, e presidente da Aesthetic Society.

    Tratamentos corporais não cirúrgicos, principalmente os realizados com injeções, também têm sido muito procurados. "Estamos vendo muito interesse no que pode ser feito com uma seringa em vez de um bisturi", frisou Shridharani. Os procedimentos injetáveis podem ser eficazes para solucionar preocupações estéticas com o corpo.

    Por exemplo, Shridharani trata pacientes com Kybella, um ácido que é injetado para dissolver o queixo duplo e derreter gordura no abdome, nos braços e nas coxas. Ele também injeta pequenas quantidades de Sculptra diluído, um produto que estimula o corpo a produzir mais colágeno nos braços e nas coxas, para ajudar a suavizar a pele. (Shridharani recebe compensação financeira das empresas que fabricam o Kybella e o Sculptra.) O que pode estar minguando são os preenchimentos excessivos e o Botox que estamos acostumados a ver em celebridades e influenciadores. Steven Pearlman, cirurgião plástico de Nova York, disse que espera que os tratamentos para deixar a testa imóvel e lisa como a de um bebê e as bochechas e os lábios cheios demais – que já estão perdendo popularidade – diminuam ainda mais rapidamente.

    "As pessoas viram o rosto relaxar de forma mais natural durante o bloqueio. Por causa de tudo que está acontecendo na sociedade, elas vão perceber que não é importante ter aquela aparência extrema", comentou Pearlman.

    É seguro fazer procedimentos estéticos agora?

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    "Na medicina, tudo tem a ver com a relação risco-benefício. Algumas pessoas acham que precisam dos procedimentos para benefício psicológico ou mesmo profissional. O risco de contrair o novo coronavírus ao sair à rua nunca será zero, mas os consultórios devem adotar protocolos de segurança para reduzi-lo a um nível insignificante", declarou o dr. Adolf Karchmer, especialista em doenças infecciosas e professor de medicina na Harvard Medical School.

    Karchmer atuou em uma força-tarefa que desenvolveu o Projeto AesCert, com protocolos de segurança para a reabertura. Para os pacientes, existem algumas lições fundamentais.

    Primeiro, a segurança começa antes de você chegar ao médico. Os consultórios farão a triagem de pacientes com base na presença de sintomas, exposições potenciais e condições preexistentes. Alguns consultórios poderão recusar indivíduos com alto risco de contágio da Covid-19.

    "A primeira coisa que o paciente deve perguntar é: 'Quais são os protocolos de segurança adotados pelo consultório?' Quando você liga para lá, eles dizem sem hesitar o que estão fazendo? Está descrito no site deles?", aconselhou Lund.

    Ao chegar ao consultório, sua temperatura será medida. A documentação será resolvida on-line antes da consulta. Todos devem usar máscara. O médico terá equipamento de proteção individual, provavelmente uma máscara N95, protetor facial, bata médica e luvas.

    Os médicos concordam que muitas consultas e acompanhamentos serão feitos virtualmente, para manter um tráfego mínimo no consultório. "Devido ao risco de exposição ao novo coronavírus, os perigos são maiores do que nunca para a estética. Os recursos médicos ainda não são ideais, tornando este o pior momento para ter complicações em um procedimento", observou Devgan.

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