O que parece apenas um tempo de espera é, na verdade, uma das etapas mais importantes da produção do Alho Roxo do Planalto Catarinense, recentemente reconhecido com Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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Por trás da aparência simples de armazenamento, está um processo decisivo para a qualidade do produto e que ajuda a explicar por que o alho produzido em cidades da Serra e do Meio-Oeste de Santa Catarina ganhou reconhecimento nacional.

Cura do alho roxo de SC é essencial para denominação de origem

Após a colheita, os bulbos seguem para uma etapa tradicional conhecida como cura. É nesse momento que o alho é armazenado em barracões ventilados, onde permanece por um período que pode chegar a até seis meses, em condições naturais, sem exposição direta ao sol e com circulação de ar controlada pelos próprios produtores.

Esse “descanso” é o que transforma o produto. Durante o processo, a umidade é reduzida gradualmente, a casca se consolida e os compostos responsáveis pelo aroma e sabor se intensificam. O resultado é um alho de coloração roxa mais forte, sabor marcante e aroma mais acentuado, características que se tornaram marca registrada da produção catarinense.

Denominação de origem confirma características únicas

O reconhecimento como Indicação Geográfica reforça justamente essa relação entre território e qualidade. A certificação confirma que o clima, o solo, a altitude e o conhecimento acumulado ao longo de gerações pelos agricultores são determinantes para as características únicas do produto.

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A área contemplada pela Denominação de Origem inclui municípios como Curitibanos, Frei Rogério, Brunópolis, Fraiburgo, Monte Carlo, Caçador e Lebon Régis. Juntas, as localidades reúnem cerca de 482 produtores familiares, responsáveis por aproximadamente 1.314 hectares de cultivo e uma produção anual estimada em 12 mil toneladas.

O pedido de reconhecimento foi protocolado em novembro de 2024 pela Cooperativa Regional Agropecuária do Meio-Oeste Catarinense (COPAR), com apoio de produtores e instituições do setor. O processo contou ainda com a participação da ACAPA, Epagri, UFSC, Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, Câmara Setorial do Alho e Sebrae/SC.

Com a conquista, Santa Catarina passa a somar 12 produtos e territórios reconhecidos pelo INPI, consolidando o estado como referência em indicações de origem no Brasil.