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    Vídeo liberado pelo Supremo

    Ofensa a governadores e ameaça de prisão a prefeitos e ministros do STF: os detalhes da reunião ministerial

    Bolsonaro ofendeu governadores João Doria e Wilson Witzel, enquanto ministra Damares disse que pediria prisão de prefeitos e governadores após a pandemia

    22/05/2020 - 18h16 - Atualizada em: 24/05/2020 - 15h58

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    Por Folhapress
    Falas da reunião repercutiram após divulgação do vídeo
    Falas da reunião repercutiram após divulgação do vídeo
    (Foto: )

    Por Matheus Teixeira

    A reunião ministerial que teve o vídeo divulgado nesta sexta-feira (22) após retirada de sigilo por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) teve diversas falas polêmicas dos ministros e do próprio presidente Jair Bolsonaro. O vídeo faz parte da investigação de suposta interferência do presidente na Polícia Federal, conforme acusado pelo ex-ministro Sergio Moro.

    Em um dos trechos já divulgados da reunião, Bolsonaro chamou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de "bosta" e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de "estrume".

    - Que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade. O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo [Doria], esse estrume do Rio de Janeiro [Witzel], entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus [Arthur Virgílio] agora, abrindo covas coletivas. Um bosta. Que quem não conhece a história dele, procura conhecer, que eu conheci dentro da Câmara, com ele do meu lado! - diz o mandatário na gravação.

    As declarações ocorreram em meio a uma queda de braço público de Bolsonaro com prefeitos e governadores. As autoridades nos estados e municípios defendem medidas de isolamento social para enfrentar a crise da Covid-19, enquanto Bolsonaro prega a volta à normalidade e a reabertura do comércio.

    Em outro trecho, Bolsonaro diz que os ministros precisam abraçar suas bandeiras, como "família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado". "Quem não aceitar isso, está no governo errado. Esperem pra 2022, né? O seu Álvaro Dias. Espere o [Geraldo] Alckmin. Espere o [Fernando] Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles, pô! No meu governo tá errado!"

    "Vamos pedir a prisão de governadores e prefeitos", diz Damares

    A briga entre Bolsonaro e os governadores também foi abordada pela ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Ela fez duras críticas à ação de governadores e prefeitos favoráveis à manutenção do distanciamento social e, sem dar detalhes nem informar os demais como faria isso, disse que a sua pasta já estava pedindo a prisão de alguns governadores.

    Segundo a ministra, idosos estariam sendo algemados e jogados dentro de camburões, mulheres estariam sendo jogadas no chão e padres estariam sendo multados em R$ 90 mil por estarem dentro das igrejas com fiéis.

    - A maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos trinta anos está acontecendo neste momento, mas nós estamos tomando providências - diz Damares.

    - A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos. E nós tamo subindo o tom e discursos tão chegando. Nosso ministério vai começar a pegar pesado com governadores e prefeitos - acrescenta.

    A partir desse momento, a ministra passa a se referir ao governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

    - O governador Wellington, agora, ontem, determinou que a polícia poderá entrar nas casas. Vocês não imaginam o que ele vai fazer! Poderá entrar na casa."

    Nesse momento, Jair Bolsonaro pergunta:

    - Ele assina?

    - Assinou. A polícia poderá entrar na casa sem mandato. Então, assim, as maiores violações estão acontecendo nesses dias. Então, nós estamos fazendo um enfrentamento, mais de cinco procedimentos o nosso ministério já tomou iniciativa e nós tamos pedindo inclusive a prisão de alguns governadores - respondeu Damares, acrescentando, sem detalhes, que "governadores e prefeitos responderão processos."

    Damares também reclamou que recebeu um governo sem dados, sem saber o número exatos dos ciganos e dos ucranianos que vivem no Brasil.

    E criticou o STF por, segundo ela, ter trazido a questão do aborto de volta.

    - Neste momento de pandemia a gente tá vendo aí a palhaçada do STF trazer o aborto de novo para a pauta. Será que vão querer liberar que todos que tiveram coronavírus poderão abortar no Brasil? Vão liberar geral? - afirmou.

    Então, se dirige ao então ministro da Saúde, Nelson Teich, que acabou saindo do governo por discordar da diretriz de Bolsonaro.

    - O seu ministério, tá lotado de feminista que tem uma pauta única que é a liberação de aborto. Quero te lembrar ministro, que tá chegando agora, este governo é um governo pró-vida, um governo pró-família. Então, por favor. E aí quando a gente fala de valores, ministro, eu quero dizer que nós estávamos sim no caminho certo.

    'Por mim colocava esses vagabundos na cadeia, começando no STF', diz Weintraub

    Ainda na reunião ministerial do dia 22 de abril, o ministro da Educação, Abraham Weintraub afirmou que, se dependesse dele, colocaria "esses vagabundos todos na cadeia", começando no STF (Supremo Tribunal Federal).

    - Eu por mim colocava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF.

    Também naquela reunião, Weintraub defendeu "acabar com essa porcaria que é Brasília".

    - É muito pior do que eu imaginava. as pessoas aqui perdem a percepção, empatia, a relação com o povo - afirmou o ministro na ocasião.

    Weintraub também disse que odeia o termo "povos indígenas". "Só tem um povo nesse Brasil, é o povo brasileiro". Ele defendeu ainda "acabar com esse negócio de povos e privilégios".

    Presidente da Caixa falou em 'matar ou morrer' se filha fosse detida

    Em meio ao discurso exaltado do presidente Jair Bolsonaro contra governadores que adotam medidas para garantir o isolamento social durante a pandemia do coronavírus, o chefe da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, seguiu a mesma linha e disse que, se um policial prendesse sua filha por ir à praia, iria reagir e poderia "matar ou morrer".

    Ao criticar a ação da polícia do Rio de Janeiro, Guimarães não citou nominalmente o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, mas fez uma acusação séria ao gestor.

    - E aquele governador roubando. Então o governador rouba, aí ele sai prendendo todo mundo, e fica tudo isso por isso mesmo - complementou em outro trecho.

    O presidente do banco estatal fez o comentário ao abordar o caso do ex-nadador e atual deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ), que teve a mulher e a filha detidas por terem entrado no mar em Copacabana, na capital do RJ.

    - Que porra é essa? O cara vai pro camburão com a filha. Se fosse eu, ia pegar minhas quinze armas e... ia dar uma... eu ia se... eu ia morrer. Porque se a minha filha fosse pro camburão, eu ia matar ou morrer - disse.

    Guimarães revelou temor de ser preso por liberar os R$ 600 do auxílio emergencial e citou o TCU (Tribunal de Contas da União), além de fazer referência ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

    - Já estou sendo processado também, vamos nós dois juntos pra cadeia, por causa do auxílio emergencial. Sabe que que tem? Tem gente do TCU dizendo que a gente tá {dando} muito e tem gente dizendo que a gente tá {dando} pouco. Ferrou - disse.

    O presidente da estatal também afirmou que o Executivo precisa ter critérios para liberar créditos especiais a empresas durante a pandemia.

    - Então, assim, claramente tem que ajudar e eu concordo, tanto que nós emprestamos quarenta e três bilhões de reais pro segmento imobiliário. Um milhão e meio de pessoas deixaram ... ser demitidas. Agora, não é pra todo mundo não! Aquela empresa que já estava quebrada antes, por que que a gente vai dar molezinha? - argumentou.

    Além disso, Guimarães disse que considera exagerada a reação ao novo coronavírus.

    - Eu acho que a gente tá, só o último ponto, num, numa questão de histeria coletiva. Quer dizer, eu posso ter trinta mil funcionários na Caixa, pagando sete milhões hoje, dois milhões na sex ... é, segunda. Ontem a gente abriu oitocentas agências, vamos abrir no sábado, no domingo, duas horas antes - disse.

    Ele ressaltou que corre o risco de pegar a doença por ter seguido trabalhando e falou que, se contrair a doença, usará o remédio indicado pelo chefe, o presidente Jair Bolsonaro.

    - Eu já falei pra minha esposa: se tiver qualquer coisa vou lo ... tomar um litro de hidroxicloroquina, aquelas coisas todas.

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