A BMW em que quatro jovens morreram em Balneário Camboriú no primeiro dia do ano foi modificada por uma oficina em Goiás. A Polícia Civil catarinense investiga o dono da mecânica, que fica na cidade de Aparecida de Goiânia. Em entrevista ao g1, a defesa do investigado afirmou que a peça automotiva foi desenvolvida por uma empresa terceirizada, assim como o serviço de instalação.

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Customização que levou à morte de jovens em BMW aconteceu 6 meses antes da tragédia

O advogado não soube informar ao portal o nome da empresa citada, mas disse que a oficina de seu cliente foi inaugurada há 11 anos e que os funcionários sempre passam as orientações de uso aos proprietários dos veículos após os serviços prestados.

A polícia ainda informou que a BMW passou por outras customizações não apenas em Goiás, mas também em Minas Gerais. Na segunda-feira (15), por videochamada, o proprietário da oficina deve prestar depoimento. Os investigadores também pretendem, posteriormente, ouvir os mecânicos que participaram do serviço.

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Jovens morreram por intoxicação

Um laudo da Polícia Científica elaborado a partir de coletas feitas na BMW revelou que os quatro jovens morreram por intoxicação. Eles estavam na rodoviária de Balneário Camboriú quando aconteceu o caso, que chocou o Brasil no primeiro dia do ano.

Conforme os peritos, a causa dos óbitos foi intoxicação por monóxido de carbono provocada pela alteração no sistema de escapamento. Essa substância não tem cheiro ou cor e pode causar asfixia. Desde as primeiras horas após a história vir à tona, os investigadores já suspeitavam de que o gás teria sido responsável pelo mal-estar que terminou na morte de Gustavo Elias, 24 anos, Tiago Ribeiro, 21, Karla Aparecida dos Santos, 19, e Nícolas Kowaleski, 16.

De acordo com a perita criminal bioquímica Bruna de Souza Boff, a saturação de monóxido de carbono em três das vítimas estava acima de 50% e de uma entre 49% e 50%, o que causou a morte lenta do grupo de amigos.

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Isso teria sido provocado por conta de ao menos quatro modificações feitas na BMW onde estavam os jovens — como a troca do catalisador e escapamento sem passar por abafadores. Isso fez com que o gás tóxico fosse mandado para dentro do veículo que, completamente fechado e com o ar-condicionado ligado, intoxicou Gustavo, Tiago, Karla e Nícolas.

A perícia identificou um total de 1.000 ppm de monóxido de carbono próximo ao ponto de ruptura do motor onde foi feita a modificação da BMW — índice que pode provocar a morte em até duas horas. Isso criou, segundo a Polícia Científica, uma “atmosfera tóxica dentro do veículo”. Essa situação foi potencializada, pelo fato de que o carro estava completamente parado, o que fez com que não houvesse nenhuma circulação de ar, completa o perito criminal Luiz Gabriel Alves de Deus.

A informação da causa da morte dos quatro jovens mineiros foi confirmada em uma coletiva de imprensa feita na sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública, em Florianópolis. O encontro reuniu o secretário-adjunto Freibergue Rubem do Nascimento, o delegado-geral de Polícia Civil em SC, Ulisses Gabriel, a perita-geral da Polícia Científica do Estado, Andressa Boer Fronza, além de representantes do Samu, da Divisão de Investigação Criminal de Balneário Camboriú, do Instituto Médico Legal e também de peritos que ajudaram na investigação.

Como foi a madrugada dos jovens em Balneário Camboriú

Os quatro jovens morreram na manhã de segunda-feira (1º). O Samu encontrou as vítimas em parada cardiorrespiratória dentro de uma BMW no estacionamento da rodoviária de Balneário Camboriú, onde tinham ido buscar Geovana, namorada de Gustavo. Com ajuda de populares, eles foram colocados na calçada para receber socorro. Após 40 minutos de tentativas de reanimá-los, eles faleceram.

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Geovana contou que os amigos chegaram à rodoviária por volta das 3h15min reclamando de enjoo e tontura. Como o trânsito congestionado para voltarem à Grande Florianópolis, onde moravam, os jovens decidiram ficar dentro do carro, com o ar-condicionado ligado, até melhorarem. Ela teria optado por esperar do lado de fora do veículo e às 7h foi ver como eles estavam. Nesse momento teria visto o namorado sangrando pela boca e os demais com olhos avermelhados.

Ela pediu ajuda para ligar para o Samu, que disse ter chegado ao local em oito minutos. Todos foram declarados mortos ainda na rodoviária. Segundo o relato de Geovana, o intervalo entre a última vez que falou com os amigos até o momento de perceber que eles não estavam respirando seria de aproximadamente 40 minutos, conforme a Polícia Civil. Imagens das câmeras de segurança da região foram solicitadas para perícia.

A polícia fez coleta de exames para esclarecer o que levou às paradas cardiorrespiratórias. Entretanto, uma análise prévia da BMW indicou que houve um vazamento entre o motor e o painel do carro, possivelmente causando intoxicação e asfixia por monóxido de carbono. Familiares teriam contado na delegacia que recentemente houve customização do escapamento do carro. Os corpos não tinham sinais de violência e a Polícia Militar disse não ter encontrado vestígios de álcool e drogas no carro.

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