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    OMS declara pandemia mundial de coronavírus

    Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que declarar pandemia não significa que a situação está fora de controle nem que mundo deve abandonar as medidas de contenção e passar a pensar em mitigação

    11/03/2020 - 12h48 - Atualizada em: 12/03/2020 - 11h15

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    Por Carolina Marasco
    OMS, coronavírus
    Segundo o diretor-geral da OMS, nunca se viu uma pandemia provocada por um coronavírus, mas, ao mesmo tempo, nós nunca vimos uma pandemia que pode ser controlada
    (Foto: )

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu em reunião nesta quarta-feira (11) declarar pandemia de coronavírus no mundo. Ainda não há mais informações sobre as ações após a declaração e quais os impactos do anúncio. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que declarar pandemia não significa que a situação está fora de controle nem que mundo deve abandonar as medidas de contenção e passar a pensar em mitigação. Ele pediu ações mais agressivas.

    Leia também: Coronavírus: sintomas, tratamento e como prevenir

    — Nas últimas duas semanas, o número de casos de covid-19 fora da China cresceu 13 vezes e o número de países afetados triplicou. Há agora mais de 118 mil casos em 114 países e 4.291 pessoas perderam suas vidas — disse Ghebreyesus, que, em seguida, afirmou que espera-se que esses números cheguem a níveis ainda mais altos nas próximas semanas.

    Leia também: Saiba o que é uma pandemia

    Segundo o diretor-geral da OMS, nunca se viu uma pandemia provocada por um coronavírus, mas, ao mesmo tempo, nós nunca vimos uma pandemia que pode ser controlada. Segundo ele, é um momento que deve envolver a ação de todos os setores e indivíduos. Ghebreyesus fez um pequeno guia de como os países devem se comportar: preparar-se e estar prontos, detectar, proteger, tratar e reduzir a transmissão, inovar e aprender.

    Não há uma regra clara sobre fechar ou não estabelecimentos, escolas, aeroportos e fazer grandes quarentenas, segundo Michael Ryan, chefe do departamento de emergência da OMS em Genebra. Acaba sendo uma decisão com base na avaliação de risco de cada país. O especialista deu o exemplo de que na China escolas foram fechadas, enquanto em Singapura, não -dois países usados como exemplos positivos da contenção do vírus.

    — Em países com números menores de casos [como é o caso do Brasil], distanciamento social não tem o mesmo impacto imediato de rastrear contatos com pessoas doentes, isolamento desses contatos e de casos, e quarentena de contato. Isso significa que você está perseguindo o vírus — afirmou Ryan. — Quando você perde o fio do vírus, você precisa criar distanciamento social entre todo mundo, porque você não sabe quem está contaminado. É uma substituição pobre para ações de saúde pública agressivas no início, mas pode ser a única opção quando você não sabe mais onde o vírus está.

    ​Desde segunda, os representantes da OMS diz que diversos países, como a China e Singapura, têm conseguido controlar a propagação da covid-19, o que traz esperança para a situação futura. ​Mais de 90% dos casos de covid-19 estão apenas em quatro países, e dois deles, a China e a Coreia do Sul, já apresentam declínio significativo da epidemia local.

    Em 28 de fevereiro, a OMS mudou a avaliação da ameaça internacional do coronavírus Sars-CoV-2 de "alta" para "muito alta", a mais grave do novo sistema de alerta de quatro fases da entidade.

    — Esse é um alerta para todos os governos do planeta — disse Michael J. Ryan, diretor do programa de saúde emergencial da OMS. — Acordem. Prontifiquem-se. O vírus pode estar a caminho.

    A avaliação se refere aos riscos da dispersão sem controle do vírus e do impacto que isso possa causar. Ryan disse também que a mudança reflete a dificuldade de alguns países conterem a disseminação da doença. A entidade, porém, não explicou em seu site ou nas redes sociais quais são as quatro fases do sistema de alerta e o que essa última implica exatamente.

    Na época, um porta-voz disse que grupos em várias organizações estavam trabalhando para definir o status de pandemia para esse novo vírus, o que podia demorar. A entidade define epidemia como um surto regional de uma doença que se espalha de forma inesperada. Em 2010, a OMS definiu pandemia como o espalhamento mundial de uma nova doença que afeta um grande número de pessoas.

    — Em geral, um surto se torna epidêmico quando ele se dissemina por um país em particular, como a zika — diz Lawrence O. Gostin, professor de direito em saúde internacional da Universidade Georgetown. — Já uma pandemia é o espalhamento geográfico de uma doença em muitas áreas do mundo, muitos continentes.

    Em janeiro, a OMS declarou que o surto era uma emergência de saúde global. No mês seguinte, Ghebreyesus disse que a decisão de usar a palavra pandemia se baseava numa avaliação contínua sobre a disseminação geográfica do vírus, a gravidade dos seus efeitos e seus impactos na sociedade.

    — Esse vírus tem potencial pandêmico? Com certeza. Já estamos nesse nível? Pela nossa avaliação, ainda não — disse em fevereiro. — Até agora, autoridades de saúde não testemunharam o espalhamento sem controle do vírus ou evidência de doenças graves ou mortes em larga escala.

    Alguns países conseguiram até diminuir ou parar a transmissão. Para Gostin, há duas razões para o diretor da OMS demorar a chamar a situação atual de pandemia: porque a epidemia ainda pode ser contida, e para evitar pânico desnecessário.

    — Ele não quer criar uma reação exagerada, com mais fechamentos de cidades, mais vetos a viagens, mais danos aos direitos humanos e à atividade econômica.

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