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    Investigação

    Operação da Polícia Federal prende quatro hackers suspeitos de invadir celular de Moro 

    Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto 

    23/07/2019 - 16h54 - Atualizada em: 23/07/2019 - 22h26

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    Por Folhapress
    Ministro Sergio Moro
    (Foto: )

    *Por Rubens Valente, Fábio Fabrini e Reynaldo Turollo Jr.

    A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira (23) quatro hackers suspeitos de terem invadido os celulares do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e de procuradores da Operação Lava-Jato. A PF não divulgou detalhes da investigação.

    Foram cumpridas 11 ordens judiciais, das quais sete de busca e apreensão e quatro de prisão temporária nas cidades de São Paulo (SP), Araraquara (SP) e Ribeirão Preto (SP). Foram presos três homens e uma mulher, depois transferidos para Brasília, onde prestarão depoimento à PF.

    A operação se chama Spoofing, termo que, segundo a PF, designa "um tipo de falsificação tecnológica que procura enganar uma rede ou uma pessoa fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação é confiável".

    A reportagem apurou que a PF chegou aos suspeitos por meio da perícia criminal federal, que conseguiu rastrear os sinais do ataque aos telefones. Para investigadores, o grau de capacidade técnica dos hackers não era alto.

    A investigação, segundo a reportagem apurou, ainda não conseguiu estabelecer com exatidão se o grupo investigado em São Paulo tem ligação com o pacote de mensagens privadas dos procuradores da Lava-Jato obtido pelo site The Intercept Brasil.

    Uma possível relação entre os dois assuntos não foi confirmada oficialmente pela PF. Segundo o órgão, "as investigações seguem para que sejam apuradas todas as circunstâncias dos crimes praticados".

    O advogado Ariovaldo Moreira, que defende Gustavo Henrique Elias Santos, um dos presos em Araraquara, disse desconhecer o envolvimento de seu cliente com atividades de hackers. Segundo o defensor, Santos trabalha como DJ. O suspeito já foi condenado pelo Tribunal de Justiça de SP por porte ilegal de arma. A reportagem não confirmou os nomes dos outros três suspeitos.

    As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz federal de Brasília Vallisney de Souza Oliveira. O delegado da PF à frente do caso é Luís Flávio Zampronha, que em 2005 e 2006 presidiu o inquérito que apurou o escândalo do mensalão.

    A investigação em curso foi aberta em Brasília para apurar, inicialmente, o ataque a aparelhos de Moro, do juiz federal Abel Gomes, relator da Lava-Jato no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), do juiz federal no Rio Flávio Lucas e dos delegados da PF em São Paulo Rafael Fernandes e Flávio Reis.

    Segundo investigadores, a apuração mostrou que o celular de Deltan Dallagnol também foi alvo do grupo. O caso de autoridades da Lava-Jato em Curitiba está sendo tratado pela PF no Paraná.

    Mensagens reveladas pelo site Intercept desde 9 de junho apontam colaboração entre o então juiz e Deltan quando ambos atuavam em Curitiba. Em 23 de junho, o jornal Folha de S.Paulo começou a publicar reportagens que exploram o material obtido pelo site.

    Em audiência no Senado, Moro deu detalhes do ataque hacker de que foi vítima. Afirmou que, em 4 de junho, por volta das 18h, seu próprio número o telefonou três vezes. Segundo a Polícia Federal, os invasores não roubaram dados do aparelho do ministro – apenas Deltan teve informações captadas durante o ataque que sofreu.

    Moro afirmou ainda que deixou de usar o Telegram, aplicativo de onde as mensagens vazadas foram extraídas, em 2017. Após notícias de ataques hackers nas eleições dos Estados Unidos, ele começou a desconfiar da segurança do aplicativo de origem russa.

    O ministro diz que apagou o Telegram de seu aparelho e que não tem mais os arquivos das conversas. Em junho, a força-tarefa da Lava-Jato no Paraná divulgou nota afirmando que os procuradores da operação desativaram suas contas no aplicativo e excluíram os históricos de conversas após sofrerem ataques hackers neste ano.

    Segundo o Telegram, se o usuário não acessar o aplicativo por seis meses, a conta é destruída automaticamente. A empresa também afirma que, caso um usuário tenha deletado a conta, todos os dados, como mensagens, grupos e contatos associados, são apagados do sistema.

    *Com informações da GaúchaZH.

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