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Os bastidores do conteúdo digital  

28/03/2019 - 06h25 - Atualizada em: 28/03/2019 - 08h08

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Leonardo
Por Leonardo de Abreu
(Foto: )

Há algum tempo, se alguém me falasse que ‘youtuber’ se tornaria uma profissão, eu jamais iria acreditar. Com 16 anos, entediado e apaixonado por games, decidi criar meu canal. Lembro até hoje que meus equipamentos eram: um computador muito turbulento – daqueles que ligavam com estabilizador, sabe? –, um iPod e uma mini lanterna; parece pouco, mas acredite, tudo que importa no começo é sua vontade de fazer acontecer.

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Após um ano upando minhas gameplays, percebi um nítido crescimento nos inscritos e visualizações, foi aí que decidi monetizar o canal. Monetizar nada mais é do que tornar lucrativo um serviço; no caso do Youtube, eu ganharia alguns centavinhos (poucos, devo admitir) pelos anúncios que apareciam nos meus vídeos. Mas como funciona a monetização do Youtube? Bom, para fazer parte deste beneficio, é necessário atender alguns requisitos de qualificação: o canal precisa ter mais de mil inscritos e, pelo menos, quatro mil horas de exibição nos últimos 12 meses. Vale ressaltar que aprendi tudo isso na própria plataforma, o que nos leva ao questionamento: já pensou se não existissem os vídeos para nos salvar? O que seria de nós sem aquelas videoaulas de geometria antes da prova de matemática?

Recapitulando, quando recebi o ‘salário do mês’ pelo canal, meus pais ficaram incrédulos – e eu mais ainda. Poder ganhar dinheiro jogando videogame é o sonho de qualquer adolescente (ou quase).

Mas nem tudo é tão fácil assim, por trás das câmeras tinha uma pessoa que passava horas no computador editando vídeos, fazendo capas, descrições e tudo mais para tornar o conteúdo atrativo, já que meu hobby se transformou no meu trabalho; haviam muitos meses com quedas de visualizações, surtos por bloqueios criativos e por aí vai.

O fato é: a tecnologia nos permite levar informações e entretenimento para qualquer canto do mundo; aqui em Florianópolis, por exemplo, o canal 'Depois das Onze', comandado por Thalita Meneghim, Gabie Fernandes e a equipe da Dia, protagonizou a maior live do Brasil. As meninas ficaram confinadas em uma casa, sem acesso à internet, que teve transmissão ao-vivo por 50 horas no seu canal do Youtube; em menos de três horas foram mais de meio milhão de pessoas conectadas. Além disso, o público poderia decidir o que iria rolar com elas lá dentro pelas enquetes feitas no Instagram da dupla.

Um estudo do Youtube divulgado durante o Brandcast de 2017 - evento da empresa em São Paulo - mostra que a quantidade média de horas semanais assistidas de vídeos online no Brasil é de 15, 4, representando um crescimento de mais de 90% nos últimos anos. A plataforma, segundo a pesquisa, é considerada como substituta da TV aberta por 63% da população. “Grande parte desse movimento está ligado aos conteúdos gratuitos e à essência do YouTube que está alicerçada nos pilares de relevância e curadoria de conteúdo, educação e à centralização do que é “pop”, “novo” e “cool”, disse Maria Helena Marinho Fernandes. Claro que, nos dias atuais, o número deve ter aumentado consideravelmente.

Hoje, com 20 anos de idade, trabalho em uma empresa de comunicação - empresa que me contratou justamente pelo meu canal, considerado um diferencial na hora da entrevista de emprego. O youtube, explorado da forma certa, pode abrir muitas portas; se não fosse ele, provavelmente eu não estaria aqui escrevendo este texto.

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