Em 2025, Florianópolis registrou 23.745 acidentes de trânsito, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina (Detran/SC). Com o número em mente, o NSC Total foi em busca do “padrão” destes acidentes e descobriu que há circunstâncias, como dia da semana, mês, hora do dia e dinâmica, que influenciam no número de ocorrências. (confira quais são abaixo)

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Os dados mostram que o mês de dezembro é o mês com mais acidentes na capital catarinense. No ano passado, foram 2.149 ocorrências, com duas mortes. O segundo mês com mais acidentes é março (2.186 acidentes e três mortes), seguido por janeiro (2.170 acidentes e cinco mortes).

Para Ricardo Alves da Silva, coronel da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e especialista em Gestão e Segurança no Trânsito, os meses de dezembro, janeiro e março reúnem condições que aumentam o risco no trânsito por motivos diferentes.

Em dezembro e janeiro, diz ele, o principal fator é o aumento do fluxo de veículos, impulsionado pela alta temporada turística.

— Florianópolis recebe muitos turistas que não conhecem bem a cidade, há mais circulação fora dos horários tradicionais e, com isso, cresce o número de pedestres, ciclistas e serviços por aplicativo. Além disso, festas e confraternizações elevam o consumo de álcool e reduzem a atenção ao volante — pontua ele.

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Já março, de acordo com Ricardo, marca o retorno à rotina. Com o fim das férias, o trabalho e a escola voltam ao mesmo tempo. O trânsito se intensifica rapidamente e, durante a época, muitos motoristas ainda estão se readaptando ao ritmo normal da cidade.

— Esse período costuma vir acompanhado de mais pressa, estresse e menor tolerância no trânsito — pontua ele.

O “caos” em Florianópolis na temporada de verão

Período da tarde concentra maior número de acidentes

Já o período do dia em que ocorre o maior número de acidentes em Florianópolis em 2025 pode surpreender. Isto porque a tarde é o momento que mais concentrou ocorrências, com 9.618 e 11 mortes. A manhã vem logo em seguida, com 7.548 casos e 13 mortos. Durante a noite e a madrugada ocorreram 5.550 acidentes, com 15 óbitos, e 1.036, com 17 óbitos, respectivamente.

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— Embora muita gente associe o risco maior à noite ou à madrugada, a tarde concentra o maior número de acidentes porque é quando o trânsito urbano atinge seu ponto mais complexo. Nesse horário, há grande circulação de veículos, serviços, entregas, transporte coletivo, motociclistas e pedestres ao mesmo tempo — explica Ricardo.

Além disso, segundo o especialista, muitos motoristas já estão cansados mentalmente neste período do dia, com menor capacidade de reação e atenção. Contudo, diz Ricardo, eles continuam dirigindo como se estivessem em pleno estado de alerta:

— A tarde também é marcada por mais manobras, como conversões, trocas de faixa ou paradas rápidas, o que aumenta a chance de conflitos no trânsito.

Sexta-feira e “ansiedade” para o fim de semana influenciam dados

Quanto aos dias da semana, o dia com o maior número de acidentes em 2025 foi a sexta-feira, com 3.891 ocorrências e quatro mortes. Em seguida, vem a quarta-feira, com 3.862 acidentes e oito mortes e, depois, a terça-feira, com 3.751 acidentes e sete mortes. As quintas-feiras tiveram 3.646 acidentes e quatro mortes.

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Os dias com o menor número de acidentes foram sábado e domingo, que, em 2025 registraram, respectivamente, 2.892 e 2.093 ocorrências. No entanto, os dois dias concentram o maior número de mortes: 13 no sábado e 14 no domingo.

— Geralmente, as sextas-feiras reúnem um trânsito mais intenso que os dos demais dias úteis, com um comportamento diferente dos motoristas. A expectativa do fim de semana muda o ritmo da cidade: há mais deslocamentos fora da rotina, mais pressa e, para parte da população, o início do consumo de álcool — diz.

De acordo com Ricardo, a sexta é um dia em que o volume de veículos continua alto, mas a atenção diminui. Porém, no sábado e domingo, apesar do menor registro de ocorrências, os acidentes que acontecem nesses dias tendem a ser mais graves.

— Isso ocorre porque as velocidades são mais altas, já que o trânsito está mais livre, há maior consumo de álcool, muitos deslocamentos ocorrem à noite ou de madrugada e, em alguns horários, a fiscalização é menor. Ou seja, há menos acidentes, mas quando eles acontecem, o impacto costuma ser mais violento, aumentando o risco de morte — explica o especialista.

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Colisão com outro veículo gera mais acidentes e mortes

Já o que mais gerou acidentes em Florianópolis no ano passado foi a colisão com outro veículo, que foi responsável por 5.697 acidentes, além de 18 mortes. Em seguida, vem a colisão com objeto, que causou 375 acidentes e 16 óbitos. Depois, vem o “atropelamento de pedestre”, com 339 ocorrências e 15 mortes.

— As colisões entre veículos são o tipo de acidentes mais frequentes porque fazem parte da dinâmica cotidiana do trânsito urbano. Elas ocorrem principalmente em cruzamentos, congestionamentos e manobras simples, muitas vezes causadas por distração, desatenção ou desrespeito às regras de preferência — pontua.

O menor causador de acidentes na Capital foi o incêndio, com duas ocorrências; o engavetamento, com sete; e o tombamento, com 21. Nenhuma dessas ocorrências gerou mortes no ano de 2025, segundo os dados disponibilizados pelo Detran/SC.