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Tem hixtória

Os Manés: mazanza que brigou com a bicicleta

Coluna assinada pelos nativos Rodrigo Stüpp e Jorge Jr. será publicada todas as terças e sextas-feiras no jornal e no site da Hora de Santa Catarina

28/04/2015 - 03h05

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Por Redação NSC
Põe o bagão do olho na roda, quirido!
Põe o bagão do olho na roda, quirido!
(Foto: )

Estimados, vocêgi tão bonzinho, tão? Olha, uma das coisa másh massa da coluna é o mundaréu de gente que fásh contato, manda ideia, dá uma escangalhada de vez em quando, talicôza. O mané Marcos Aurélio Barcelos, 41 anos, que nasceu na Carmela, foi do súli da Ilha pro súli do Estado. Ele é que manda essa história de um mazanza. Tôbrigado, môpombo!

No portão

Tinha um pé de cana, lá no Reberão, que andava de bicicleta nos butecos, enchia as fuça de cachaça e, voltava pra casa, no ixcuro. Na época não tinha lush nos poshti. Um dia ele chegou em casa e, quando foi passar pelo portão, alguma coisa trancou o guidão e ele não conseguia passar. Começou uma briga: e o demônho fugia, ele pegava o bicho pela cola, e ele e escorregava. Até que jogou a peste no chão um monti di vêsh até a coisa acalmar. Aí deixou a bicicleta no canto da casa e foi dormir.

No outro dia a mulher dele acorda e pergunta por que a bicicleta tava toda quebrada...

O mazanza brigou foi com a bicicleta... ishcomungado!

::: Hora estreia coluna escrita em Manezês, o dialeto de Floripa

::: Confere TODAS as colunas dos Manés, ô Coxa Colada!

Quedê?

Na coluna de trezontônti, um quiridu sugeriu de a gente começar a publicar foto de umas cavala manezinhas. Dissêmo que ele podia começar mandando da irmã, da mãe, da mulher e o demônho sumiu. Dash duas, uma: ou é mocoronga e ele não tá confiado ou é uma tainha ovada e ele não quer os outro com o bagão do olhoem cima. Te decide, né, ó?

Modernidade

Rapázi, a gente liga pra tentá marcá consulta (e nem é pelo Inamps, é desse que a gente paga, não tem?) e a quirida dish assim: "o senhor não quer mandar o pedido e as fotos da requisição por WhatsApp?". Coméquié? Nêga, que modernidade é essa? Dish a atendente que é másh dijerinho. Foram horas até conseguir marcar. Imagine se sesse degavarinho?

Merece?

Leitor Ricardo sugere homenáigi pra outro nativo que já vestiu o pijama de madeira. É pro Miguel Tomás Péres, que morreu faz uma cara, em 1984. O quirido era graúdo, foi fundador da transportes Estrela, que andava ali pelo Continente antes do tal do consórcio Fênix. A favor dele, o fato de ser avaiano doente, quiném outro Miguel. Másh tem um porém: o quiridu foi um dos fundadores do Centro de Tradições Gaúnchas (CTG) os Praianos. Vinhas tão bem e descambasse!

Entenda o Manezês

Reberão: Ribeirão da Ilha

Carmela: Carmela Dutra, tradicional maternidade de Florianópolis

Mundaréu: muita/muito

Mocoronga: feia, estranha

Vocêgi: vocês

Cavala - tainha ovada: mulher linda, gostosa

Mosestimados: meus estimados, queridos

Môpombo: meu querido, prezado

Inamps: antigo INSS

Nêga: jeito carinhoso de chamar uma mulher

Dijerinho: rápido

Sesse: fosse

Vestir o pijama de madeira: morrer

Degavarinho: devagarinho

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