A trajetória da cantora Preta Gil, que morreu neste domingo (20), em meio ao tratamento do câncer, foi cheia de altos e baixos, com momentos de alegria e de internações. Porém, Preta nunca perdeu a esperança de dias melhores, o que ficou claro com o lançamento de sua autobiografia “Os primeiros 50”, em agosto de 2024, pela editora Globo Livros. As informações são do O Globo.

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A obra possui 280 páginas e comemora os 50 anos da cantora, atriz e apresentadora, contando sua trajetória de vida, percorrendo desde a infância ao lado do pai, Gilberto Gil, e de amigos ilustres, as descobertas da adolescência, até a vida adulta. Nesta última fase, Preta enfrentou momentos difíceis, como a descoberta e o tratamento do câncer.

Em entrevista ao O Globo, na época do lançamento do livro, Preta comemorou a chegada aos 50 anos “muito melhor do que esperava, como se tivesse uma vida nova mesmo”.

— Acho que pelo tratamento, pelo processo de cura, realmente é uma segunda etapa. Vivi muitos altos e baixos, não foi uma vida fake. Foi vivida com tudo de bom e de ruim — disse.

Preta recebeu o diagnóstico de um câncer no intestino em janeiro de 2023 e passou pelo tratamento quimioterápico. Em agosto daquele ano, ela passou por uma cirurgia e, em dezembro, comemorou o fim desta etapa.

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No entanto, em agosto de 2024, a cantora voltou a receber o diagnóstico da doença, e recomeçou o tratamento. Em exames de monitoramento, ela foi diagnosticada com dois tumores nos linfonodos, estruturas que atuam na remoção de impurezas e na defesa do organismo; um nódulo no ureter, tubos que transportam a urina dos rins para a bexiga; e metástase no peritônio, câncer espalhado pela membrana que protege os órgãos abdominais.

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Inspiração

Preta Gil disse, na ocasião, que a autobiografia de Rita Lee havia sido o maior incentivo para que fizesse a obra. O editor da Globo Livros e do livro de Rita, Guilheme Samora, a convidou para escrever, mas Preta não teve coragem de publicar o livro.

Entretanto, algumas partes foram aproveitadas para a peça “Mais Preta que nunca”, encenada por ela no fim de 2019. Em 2023, quando começou a quimioterapia, a cantora decidiu que recomeçaria o projeto do zero.

— Conseguimos chegar a uma autobiografia que termina com o final do meu tratamento, quando recebi alta médica para voltar para a minha vida. É uma seminormalidade, porque ainda estou redescobrindo esse corpo pós-retirada de um câncer, com um tratamento e uma cirurgia pesados. Muita coisa mudou no meu trato intestinal, entrei na menopausa, tenho que me reabilitar física e emocionalmente. São muitas sequelas — explicou Preta, em entrevista ao O Globo.

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O livro

Preta começa o livro já relatando a descoberta do câncer. Depois, fala da infância no Rio de Janeiro, da escola, das férias que passou em Salvador… A cantora também falou sobre as experiências amorosas, e o acidente de carro que matou o irmão Pedro nos anos 1990.

Preta falou, ainda, sobre a relação com a madrinha Gal Costa, principalmente durante a infância e adolescência. Depois de 2007, segundo Preta, as duas viraram amigas, quando gravaram a música “Vá se benzer”.

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