O pai de uma criança autista foi agredido por um guarda municipal de folga ao reclamar do som alto de uma igreja evangélica. O episódio ocorreu na semana passada em Balneário Camboriú e foi registrado por uma câmera de segurança, como mostram as imagens abaixo. A prefeitura disse que afastou o servidor até a apuração dos fatos e a vítima precisou levar pontos na boca por causa dos ferimentos.

Continua depois da publicidade

Tiago Alves contou à jornalista Caroline Borges, do g1 SC, que tem um filho de 9 anos dentro do espectro autista. Nos últimos quatro anos, o pai afirma ter registrado 17 boletins de ocorrência por causa do som alto da Igreja Assembleia de Deus Missão Avivlista, o que compromete o bem-estar do filho. Em 2025, o Ministério Público obrigou a adoção de medidas para reduzir o ruído, sob o risco de proibir os cultos.

No dia 18 de maio, o problema com o barulho voltou a se repetir e Tiago foi ao local pedir que baixassem o som. Durante a discussão com o guarda municipal de folga, que estava na igreja, acabou agredido com quatro socos e precisou levar seis pontos. Ele e o servidor público chegaram a ser levados à delegacia por uma guarnição da Guarda Municipal.

Imagens mostram a agressão do guarda ao pai

A prefeitura de Balneário Camboriú disse que afastou o funcionário das ruas e está trabalhando em atividades internas. “Caso sejam constatadas infrações disciplinares, mesmo fora do período de trabalho, as medidas cabíveis serão adotadas”, informou o município. A igreja, por sua vez, afirma que o som está dentro dos limites legais. A Polícia Civil se limitou a dizer que apura o caso.

Continua depois da publicidade

Problema recorrente

Tiago mora em uma casa próxima à igreja há 20 anos. Em 2024, as denúncias chegaram a resultar em um processo que atualmente tramita na 1ª Vara Criminal da Comarca. Em maio de 2025, o Ministério Público (MP) apresentou uma denúncia contra um templo religioso sobre poluição sonora. Segundo a prefeitura, em abril deste ano, a Secretaria do Meio Ambiente fez uma medição do som no local.

“O resultado da medição sem o culto foi de 57,7 dB. Isso aponta que, mesmo sem o culto, o ambiente já estava acima do limite de 55 dB permitido no período diurno. Durante o culto, os pontos medidos deram, em média, 60,0 dB. Apontando que a diferença entre o som do culto e o som já existente na rua foi pequena”, disse a prefeitura.

Procurado, o MP detalhou ainda que, na decisão, o Judiciário reconheceu a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva. Durante o processo, a igreja regularizou a situação acústica e, após nova perícia, “constatou-se que os níveis de ruído passaram a se encontrar abaixo dos limites legais e normativos aplicáveis”, disse o órgão.

Com isso, segundo o MP, houve autorização para a reabertura das atividades da igreja. Atualmente, o processo aguarda a citação dos envolvidos. Em relação ao processo, a igreja afirmou que todas as adequações e exigências determinadas pelo poder público já foram devidamente realizadas. Afirmou ainda que “toda e qualquer manifestação oficial sobre o caso será realizada exclusivamente em juízo”.

Continua depois da publicidade