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Entrevista

"Pare, olhe e escute" diz Mario Sergio Cortella sobre retorno das aulas pós-pandemia em SC

Filósofo analisou período de possível retomada nas aulas em entrevista na NSC TV

08/09/2020 - 08h05 - Atualizada em: 08/09/2020 - 13h06

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Por Carolina Marasco
Filósofo Mario Sergio Cortella
Filósofo Mario Sergio Cortella
(Foto: )

O filósofo e educador Mario Sergio Cortella falou sobre os desafios do retorno da educação em Santa Catarina em entrevista na NSC TV, no Bom dia Santa Catarina. De acordo com Cortella, a pandemia do coronavírus mostrou as diferenças entre partes da sociedade em relação ao acesso à educação e que mudanças devem acontecer na retomada das atividades.

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Para Cortella, é necessário que o poder público faça a sua parte para diminuir as diferenças entre as pessoas que tem acesso à tecnologia, por exemplo, e as que não possuem. - Há algumas camadas da população, que não é mais escolarizada, que demorará para que a compensação aconteça. Essa miserabilidade de algumas famílias, elas têm uma agravante nas relações escolares. Hoje, ele não sabe fazer pois também não é escolarizado. Agora que nós vimos, precisamos resolver – disse o educador.

Na entrevista, Cortella também destacou que a rotina após a pandemia deve trazer mais valorização dos professores. Isso porque, a família está percebendo que os filhos precisam de um local com especialistas, que os pais não dão conta de tudo.

– A parte mais fácil agora é a aprendizagem de conteúdo. A questão é que embora eu possa aprender virtualmente, a escola também oferece alimento, ela é um território de convivência, é onde as crianças podem relatar as coisas do dia a dia – disse sobre a importância das aulas presenciais da escola.

Ao falar da retomada, disse também que é importante ter cautela no retorno das aulas para perceber os sinais de proliferação do vírus e também dos desafios de quem irá retornar ao trabalho e aos estudos.  – É necessário fazer como os trens antigamente: “Pare, olhe e escute” – disse o filósofo.

Tecnologia na sala de aula pós-pandemia

Para Cortela, há muitas crianças e adolescentes com prejuízos e aprendizados na pandemia. Professores relatam a superação com a tecnologia e os alunos se tornam quase mentores sobre os assuntos tecnológicos. Quanto mais tempo essa troca remota de conteúdos e experiências seja feita, melhor para frear o vírus.

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A pandemia mostrou as diferenças de condições entre grupos da sociedade, segundo Cortela. Uma parcela da população e dos educadores, não tem acesso. E isso, pós-pandemia, iremos incluir alguns hábitos e iremos perceber que determinados aspectos que não eram considerados tão importantes, como o contato e a presença física, serão mais valorizados.

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