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ESPECIAL DR. BLUMENAU 200 ANOS

"Parecem pequenos hipopótamos", escreveu Dr. Blumenau sobre capivaras

Durante a primeira viagem ao Sul do Brasil, Hermann também se surpreendeu com o odor das charqueadas

05/09/2019 - 06h00

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Augusto
Por Augusto Ittner
Capivara, o maior roedor do mundo.
(Foto: )

Hermann Blumenau mudou de cidade várias vezes durante a vida. Nesse vaivém, ao trabalhar na Fábrica de Produtos Químicos do Thrommsdorf, teve de viajar a Londres e Paris com o objetivo de patentear remédios. As viagens, porém, eram apenas restritas à realidade europeia, sem o conhecimento do contexto – por vezes precário – na América do Sul.

Quando chegou ao Brasil pela primeira vez, em 1846, o então recém-formado “doutor” Blumenau se surpreendeu ao avistar pela primeira vez uma capivara. Conforme carta enviada para os pais e publicada por Angela Wittmann, mestre em Urbanismo, História e Arquitetura das Cidades, Hermann descreveu também como era o Sul do Rio Grande do Sul.

“Viajei de vaporzinho do Rio Grande a Pelotas, situada a noroeste, no rio São Gonçalo, que liga a lagoa Mirim com a dos Patos. A passagem levou cinco horas e foi agradável. As ribanceiras do rio são baixas e pouco pitorescas, mas de longe, no noroeste, aparece uma linda cordilheira azul, a Serra dos Tapes. Nas margens do Rio São Gonçalo, vi, pela primeira vez, uma capivara entre os juncos, uma espécie de animal que se assemelha ao hipopótamo em dimensões menores, vivendo quase sempre dentro d’água, tem o tamanho de um porco pequeno. Avistei também algumas espécies de pássaros esquisitos. O comandante do vapor, amável conterrâneo, permitiu-me pernoitar a bordo, onde eu, sob o meu casacão, dormi regularmente bem”, escreveu Hermann.

O jovem alemão também se admirou com as charqueadas, local onde era produzida a carne seca. Na carta aos pais, ele relata o fedor na região.

“Bem do lado, onde atracava o vapor, encontrava-se uma charqueada, onde é preparada a carne-seca salgada, e onde estavam sendo secados os couros e procedido o aproveitamento da gordura. Tais charqueadas se estendem ao longo do rio, no percurso de duas horas, sendo que as maiores aproveitam, diariamente, 300, 400 e até 600 cabeças de gado. A vista e o cheiro dessas charqueadas são horríveis – sangue, ossos, carne apodrecida e peles, estômagos e intestinos em decomposição em toda parte, pesteando o ar”, completa Doutor Blumenau.

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