O modelo de governança e a segurança dos sistemas de controle do programa de incentivo financeiro estudantil Pé-de-Meia tornaram-se alvo de duras críticas no Congresso Nacional. Parlamentares da ala de oposição utilizam um relatório do Tribunal de Contas da União, que identificou 4.000 CPFs suspeitos — incluindo pessoas mortas recebendo o benefício — para questionar a eficiência dos gastos públicos federais.

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O debate político ganhou força após vir a público o pedido de mais 30 dias feito pelo governo para justificar as falhas e apresentar um plano de contenção de danos à Corte de Contas.

O discurso de Izalci Lucas contra o formato do benefício

Na tribuna, a repercussão da auditoria trouxe de volta o histórico de contestações orçamentárias sofridas pela política pública. Críticos à gestão dos repasses relembraram o bloqueio preventivo de R$ 6 bilhões determinado inicialmente pelo tribunal por falta de clareza nos critérios de governança.

Em pronunciamento oficial distribuído pela Agência Senado, o senador Izalci Lucas (PL-DF) subiu o tom contra o cruzamento precário de dados e a vulnerabilidade das plataformas federais.

“O próprio relatório do TCU aponta que isso é total ausência de qualquer filtro para impedir o roubo de dinheiro público. Isso não é uma fraude sofisticada; é um sistema criado sem controle algum”, disparou.

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A linha de argumentação defendida pelo parlamentar sustenta que os bilhões de reais direcionados à transferência direta de renda teriam maior eficiência macroeconômica se fossem aplicados diretamente na modernização da infraestrutura física das escolas, na valorização salarial do corpo docente e na expansão de vagas voltadas ao ensino técnico profissionalizante, em vez de focar em benefícios em dinheiro.

Governo tenta blindar programa

Em contrapartida à pressão legislativa exercida por parlamentares como o deputado Frederico de Castro Escaleira (PL-MG), o Palácio do Planalto atua para demonstrar que o volume sob suspeita é marginal e está sendo corrigido pela Dataprev.

O MDS sustenta que a maior parte dos pagamentos auditados cumpre rigorosamente os parâmetros legais, e que as inconsistências de óbito não justificam punir o universo de 4 milhões de estudantes atendidos nacionalmente pelo projeto.

O tribunal acatou a justificativa de que a suspensão em massa do Pé-de-Meia seria prejudicial à educação, optando por cobrar do Executivo apenas a identificação final e o ressarcimento nos casos em que a má-fé e as rendas familiares elevadas ficarem comprovadas.

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*Com edição de Nicoly Souza