“Pedra que surge”. Este é o significado do nome da cidade que mais cresce em Santa Catarina. Itapoá tem origem na língua tupi-guarani, herdada pelos povos indígenas que viviam na área da Baía Babitonga antes mesmo da chegada dos imigrantes. Conhecida também como a cidade que mais cresce em SC, registrou, nos últimos 15 anos, crescimento de 144% no número de moradores

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Cíntia Beatriz Machado Pereira, coordenadora de Patrimônio Histórico Cultural da Prefeitura de Itapoá, explica que Itapoá vem da junção de “ita”, que significa “pedra”, e “poá”, que pode ser interpretado como “ponta” ou “arpão”, podendo significar “pedra pontuda” ou “pedra que surge”

— Esse nome provavelmente foi atribuído pelos próprios indígenas a partir da observação da paisagem local, fazendo referência a formações rochosas visíveis conforme o movimento das marés. Essa forma de nomear lugares a partir de elementos naturais era característica dos povos originários e permanece como marca importante da identidade do município até hoje — cita Cíntia.

Veja vídeo da “pedra que surge” na cidade de SC

Inclusive, um vídeo gravado pelo casal Bruna e Junior Ambrosio chegaram a registrar um vídeo nas redes sociais que mostra uma dessas “pedras que surgem” no mar em Itapoá. “A gente sempre passa por aqui de moto aquática e já vimos ela algumas vezes, mas hoje a maré ajudou e ela estava assim, imponente! Esse monumento natural só se revela quando a maré está bem baixa. É a história da nossa terra aparecendo na hora certa. Um espetáculo que nem todo mundo tem a sorte de ver de perto”, escreveu o casal.

Como Itapoá surge

Segundo Cíntia, as primeiras ocupações da região de Itapoá indicam a presença dos povos indígenas Carijós, muito antes da colonização europeia. No entanto, enquanto povoamento organizado, a localidade começou a se estruturar ao longo do século 20, quando ainda pertencia ao município de São Francisco do Sul

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— Na década de 1950, já era possível identificar três principais núcleos populacionais: a Colônia da Barra do Saí, ao Norte; a Colônia de Itapema, na região Central; e a Colônia do Pontal, ao Sul, próxima à divisa com São Francisco do Sul. Essas comunidades eram formadas principalmente por famílias caiçaras, cujo modo de vida estava profundamente ligado à natureza, com base na pesca artesanal e na agricultura de subsistência, além de fortes tradições culturais e religiosas — conta.

A historiadora explica que o processo de popularização e crescimento de Itapoá, no início, não ocorreu tanto por meio de grandes ondas de imigração, mas sim pela melhoria do acesso e pela organização territorial da região. Um marco importante nesse processo foi a atuação, a partir de 1957, da Sociedade Imobiliária Agrícola e Pastoril Ltda, que promoveu a abertura da Estrada da Serrinha, ligando Itapoá ao município de Garuva. 

— Essa obra, realizada com recursos próprios e em meio à mata fechada, facilitou o deslocamento, integrou as comunidades locais e possibilitou o crescimento populacional, além de incentivar a formação de novos loteamentos. Esse avanço contribuiu diretamente para o desenvolvimento da localidade e para sua organização administrativa, culminando na criação do distrito de Itapoá em 1966 — diz.

Foi naquele ano, em 26 de fevereiro, criado o distrito de Itapoá. O ponto final dessa jornada chegou com a Lei Estadual nº 7.586, de 26 de abril de 1989, segundo Cíntia, um dia que entrou para a história como o nascimento de Itapoá, agora elevada à categoria de município.

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Itapoá cresceu muito nos últimos anos. Desde 2010, passou de 14,7 mil para 36 mil moradores, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2025. Ela é a cidade com maior avanço da população em Santa Catarina.

Agricultura e pesca artesanal na cidade

A historiadora conta que, quando a cidade começou a se estruturar, sua economia era baseada principalmente na pesca artesanal e na agricultura de subsistência. As famílias produziam grande parte do que consumiam, cultivando alimentos como mandioca e arroz, e praticando a pesca voltada ao consumo próprio. 

A partir disso, apenas o excedente era comercializado, geralmente transportado em canoas até localidades próximas, como São Francisco do Sul. Esse modelo econômico refletia um modo de vida simples, coletivo e fortemente integrado ao ambiente natural.

História da cidade também se baseia em lendas

Itapoá também é rica em histórias e lendas que passaram de geração em geração. Entre as histórias e lendas que marcaram a cultura local, destaca-se a do Homem da Mão Peluda, uma narrativa popular transmitida entre as famílias caiçaras. 

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Segundo os relatos, conta Cíntia, o Homem da Mão Peluda era uma figura misteriosa que aparecia durante a noite, especialmente em áreas de mata, com o objetivo de assustar crianças desobedientes. Essa lenda tinha o objetivo de orientar comportamentos e reforçar valores dentro da comunidade.

— Outro elemento importante da memória local é o chamado Caminho da Onça, uma antiga trilha aberta na mata entre o mar e o rio Saí-Mirim, por onde, segundo moradores antigos, circulava a onça-pintada. Com o passar do tempo, o avanço da ocupação urbana e a consequente transformação do ambiente natural, a espécie deixou de existir na região. A trilha também desapareceu e deu lugar a uma via pública, mas o nome permaneceu vivo na tradição oral, sendo preservado como parte da história e da identidade cultural de Itapoá — finaliza.