Dóceis e curiosos. É assim que os meros, a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico, são conhecidos. O peixe raro pode pesar mais de 400 quilos e chegar a 2,5 metros de comprimento. Este grande e curioso animal pode ser encontrado na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, apesar de estarem criticamente ameaçados de extinção.
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É por isso que, em 2002, foi iniciado o projeto Meros do Brasil em São Francisco do Sul. Na cidade, a instituição trabalha com ações de pesquisas sobre a bioecologia dos meros, assim como em atividades para conservação de ambientes costeiros e marinhos associados à espécie.
O que é o mero
De acordo com o projeto Meros do Brasil, o peixe raro, batizado cientificamente de Epinephelus itajara, também pode ser conhecido como bodete, canapú, badejão, merote ou “senhor das pedras”, na tradução tupi-guarani.
Ele foi reconhecido pela primeira vez em 1822, quando um exemplar foi coletado no Brasil. O mero pertence à família Epinephelidae juntamente com badejos, chernes e outras garoupas, sendo a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico.
Ainda conforme o Meros no Brasil, o animal se alimenta em grande parte de crustáceos, como caranguejos, siris, lagostas e camarões, além de peixes lentos e normalmente associados ao fundo do mar como arraias, bagres, peixe-sapo, baiacu-de-espinho e peixe-cofre. Também pode comer polvos e tartarugas, caranhas ou mesmo garoupas e jovens tubarões.
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Por que o “peixe raro” está ameaçado
Atualmente, os meros estão classificados como criticamente ameaçados de extinção e, de acordo com o Meros no Brasil, há inclusive o risco de desaparecerem. A redução da população de meros ocorre, principalmente, por conta da poluição, degradação dos ambientes marinhos e costeiros, assim como a pesca ilegal.
“A poluição de áreas estuarinas e a supressão de áreas de manguezal, ameaça principalmente as formas jovens. Já, a previsibilidade em tempo e lugar das agregações reprodutivas de meros pelos pescadores, aliadas à maturação tardia e longo período de vida, tornaram a espécie altamente suscetível à sobrepesca”, cita o projeto.
Ainda que possam viver por mais de 40 anos, a reprodução dos meros começa entre os 6 e 8 anos de idade. “O que significa que para protegermos uma geração de meros é preciso mais de duas décadas de cuidados com a espécie”, afirma o Meros do Brasil.
A primeira inclusão do mero na lista de espécies ameaçadas na Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) ocorreu em 1994, quando foi tratado como Criticamente em Perigo (CR).
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Ainda segundo o Meros no Brasil, a nível global, o animal é classificado como Vulnerável (VU), “o que não reflete necessariamente a melhora do status das populações mundiais, mas a ausência de dados populacionais”, cita.
No Brasil, a captura dos meros é proibida desde 2002, conforme Portaria IBAMA nº 121. O documento indica que a pesca, transporte, beneficiamento e comercialização da espécie em todo o território nacional é proibida.
Onde há meros em SC e no Brasil
Em SC, os meros estão presentes na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul. “A Baía da Babitonga é um dos mais importantes complexos estuarinos do sul do Brasil, e abriga o maior remanescente do ecossistema manguezal em seu limite austral de distribuição no Oceano Atlântico oeste”, indica o Meros no Brasil.
No restante do território o projeto está presente também no Pará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
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