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    "Perdemos tudo, mas estamos vivos", conta moradora da Nova Rússia

    Depois do susto, Irene Willemann Wendelich diz que nunca imaginou passar por situação semelhante ao ter de ser resgatada pelos bombeiros do local onde vivia

    23/10/2015 - 09h38 - Atualizada em: 23/10/2015 - 11h46

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    Por Redação NSC
    Antes e depois do Recanto do Willy, na Nova Rússia, em Blumenau
    Antes e depois do Recanto do Willy, na Nova Rússia, em Blumenau
    (Foto: )

    O dia de chuva intensa e a cheia do rio Itajaí-Açu já haviam deixado os moradores da Nova Rússia em alerta, mas eles nem poderiam imaginar o que aconteceria durante a madrugada desta sexta-feira. Quando a noite chegou no pacato e silencioso recanto de Blumenau, o barulho das pedras deslizando no morro que circunda a localidade quebrou o silêncio.

    - A gente percebeu que começou a fazer mais barulho e mais barulho. Só deu tempo de sair correndo com a roupa do corpo. Eram umas duas horas da madrugada - conta a sobrevivente Irene Willemann Wendelich, 57 anos, moradora do Rancho do Willy, local popular entre ciclistas e visitantes na região.

    Irene, o marido Willy, a família do filho e outros 10 moradores daquele trecho da Rua Santa Maria, onde houve o deslizamento, saíram ilesos, mas apenas com a roupa do corpo. De acordo com a Defesa Civil, as três casas foram soterradas, mas ninguém se feriu. Perderam documentos, pertences, memórias, casa, tudo.

    Por telefone e na casa de outro filho, Irene conta que em todos os anos em que morou no local jamais havia passado por situação semelhante, nem mesmo na enchente de 2008, quando a cidade registrou diversos deslizamentos.

    - Perdemos tudo, mas estamos vivos. Nunca vi uma coisa tão triste, agora o rio está passando na frente da nossa casa. Todo o nosso terreno foi atingido, não existe mais nada - lamenta.

    Foi através do auxílio de uma antena externa que os moradores conseguiram pedir socorro via rádio para os bombeiros. Todos foram retirados por terra, depois que o nível do rio em uma das pontes do local baixou. Em segurança, todos estão na casa de amigos e parentes.

    Moradores já haviam passado por treinamento

    De acordo com o secretário de Defesa do Cidadão, Marcelo Schrubbe, as famílias da região da Nova Rússia já haviam passado por um treinamento sobre rotas de fuga e análise de risco após as chuvas de 2011, que também afetaram o local.

    - Não há muito o que ser feito para conter a força da terra ali, mas equipes da Geologia estão fazendo uma nova análise para avaliar o risco. A família conseguiu se salvar essa noite porque sabia os procedimentos de segurança - ressalta Schrubbe.

    No começo da tarde desta sexta a Defesa Civil liberou o local para que os moradores voltassem para buscar seus pertences, mas o acesso à Nova Rússia segue fechado para carros.

    Família precisa de ajuda

    Irene precisa de colchões, alimentos, produtos de limpeza e de higiene, mas principalmente de água. As doações podem ser feitas na última casa da Rua Marilândia, uma transversal da Rua Guarapari, no bairro Progresso.

    Informe-se

    Acompanhe os dados atualizados do nível do rio pelo Sistema de Monitoramento e Alerta de Eventos Extremos de Blumenau (Alertablu). Confira aqui o nível do rio Itajaí-Açu na cidade.

    Fique alerta: veja aqui a lista de cotas de enchente para cada rua de Blumenau.

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