O Comando de Polícia Militar Ambiental (CPMA) iniciou oficialmente, na quarta-feira (1º), as operações de fiscalização durante o período da piracema — momento de reprodução de peixes —, que segue até 31 de janeiro. A primeira ação ocorreu no Rio Uruguai, em Chapecó, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Batalhão Ambiental da Brigada Militar (Patram), do Rio Grande do Sul.

Continua depois da publicidade

A operação contou com o uso de embarcações e teve como principal objetivo garantir a preservação das espécies nativas que começam sua migração reprodutiva nesta época do ano.

A atividade conjunta reforça a cooperação entre as instituições na defesa da fauna aquática e no combate à pesca predatória. O trabalho recebeu apoio logístico da Prefeitura de Marcelino Ramos (RS), que disponibilizou estrutura de parada e alimentação para as equipes envolvidas.

Restrições durante a piracema

Durante o período, a captura de peixes nativos nos rios, riachos e lagoas da bacia do rio Uruguai passa a ter restrições. Fica proibido o uso de redes, molinetes, embarcações a motor e outros equipamentos de pesca, permitindo apenas práticas autorizadas pela legislação ambiental.

Em Santa Catarina, a fiscalização será intensificada especialmente nas regiões do Extremo-Oeste, Oeste, Meio-Oeste e Serra catarinense.

Continua depois da publicidade

O que é a piracema

O período de piracema, ou arribação, acontece de outubro a janeiro em Santa Catarina. Este fenômeno é conhecido como a época de reprodução de diversas espécies de peixes. De acordo com os biólogos, dessa forma a chance de sobrevivência dos peixes recém-nascidos é maior.

A piracema acontece quando uma série de eventos se concretizam: a temperatura da água e do ar aumentam, o nível dos rios sobem em até cinco metros e há a subido dos cardumes para as áreas de cabeceira dos rios. Dessa forma, os peixes nadam contra a correnteza para a desova e reprodução.

A duração deste percurso depende da espécie. As piavas percorrem uma média de 3 quilômetros por dia. Já os curimbatás chegam a viajar por volta de 43 quilômetros de rio em apenas um dia e uma noite.

O período de subida das águas dos rios é crucial para os peixe, já que o esforço de nadar contra a corrente garante o processo de reprodução das espécies. Eles queimam gordura, o que estimula a produção dos hormônios responsáveis pelo amadurecimento dos órgãos sexuais.

Continua depois da publicidade

Importância da preservação

De acordo com a Polícia Militar Ambiental, respeitar a Piracema é essencial para a manutenção dos recursos pesqueiros, assegurando a perpetuação das espécies e o equilíbrio dos ecossistemas. “Cumprir a legislação significa garantir a continuidade da pesca de forma sustentável para as futuras gerações”, destacou o comando.

O 2º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) será responsável por intensificar o policiamento ostensivo e o monitoramento dos rios e afluentes, com o objetivo de coibir práticas ilegais e proteger a ictiofauna, possibilitando a reprodução natural das espécies.

Leia também

Fofura na cidade: tamanduá é encontrado em quintal de residência no Oeste de SC