O empresário e pescador de Brusque, Alexandre Dick, realizou um sonho que cultivava há sete anos ao enfrentar uma viagem de mais de 3 mil quilômetros até a Patagônia, encarar trilhas e acampamentos em temperaturas negativas e se deparar com paisagens intocadas. No fim de abril, pescou o maior salmão do mundo, conhecido como o salmão-rei, mas também chamado de Chinook. O peixe pesava cerca de 20 quilos e tinha 105 centímetros de comprimento, fisgado no Rio Frio, no Chile.

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— Eu sempre sonhei com esse peixe. Desde 2019, vou pra lá desejando muito conhecer o período pós-reprodução do Chinook. Acampamos a -2ºC, com o risco de que, se chovesse, não daria para pescar. Mas deu certo e tivemos dois dias de sol. Posso dizer que vivi uma verdadeira experiência patagônica, porque fiz trilha, acampei, dormi em rede… Foi a coisa mais linda do mundo — relatou Alexandre em entrevista à repórter Daniela Walzburiech, do Globo Rural.

As águas congelantes, as extensas trilhas pela mata, os acampamentos com temperaturas abaixo de zero graus e as condições extremas do local não foram o suficientes para intimidar o pescador. Alexandre contou nas redes sociais que chegou até a fazer uma pesca de um helicóptero durante a viagem.

“Tive a oportunidade de acessar um lago remoto, isolado de tudo e de todos, a aproximadamente 1,5 mil metros de altitude, no coração da cordilheira. Um lugar onde quase ninguém chega: águas verde esmeralda, montanhas com topo nevado e um silêncio que impressiona. Enquanto vivia aquilo, inevitavelmente lembrei de onde tudo começou: pescarias de barranco, vara de bambu e minhoca. Sinceramente? Jamais imaginei que a pesca me levaria tão longe”, escreveu nas redes sociais.

Foi no dia 21 de abril que Alexandre fisgou o tão sonhado salmão-rei, o que exigiu técnica, paciência e resistência física. O morador de Brusque explicou que o peixe já havia se reproduzido e estava no fim do ciclo de vida, indicado por uma cor marrom-café. Outro Chinook foi pescado neste mesmo dia, mas este era um salmão-rei preto, que já apresentava sinais de decomposição.

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Confira alguns registros da viagem

Depois de pescados e feito os devidos procedimentos oficiais de medição da BGFA, órgão que homologa os recordes nacionais de peixes fisgados, os salmões-rei foram soltos e devolvidos ao rio. As medições são enviadas para análise na categoria “peixe capturado por brasileiro em águas internacionais”.

Como o Globo Rural apurou, o recorde atual homologado pela International Game Fish Association (IGFA) é da pesca de um peixe de 116 centímetros, capturado em março de 2015 no Rio Yelcho, também no Chile. Já o recorde atual no Brasil pertence a Iago Gryczynski, que, em 30 de março do ano passado capturou um salmão-rei também com 105 centímetros, mais uma vez no Chile.

— O Chinook vive nas partes mais frias e profundas do Oceano Pacífico e retorna aos rios de água doce, como esse em que estive, para se reproduzir, o que significa que a ideia do governo deu certo. Os fins comerciais vieram depois nas fazendas, que hoje movimentam muito a economia. Inclusive, o salmão que consumimos no Brasil vem exatamente daquela região do Chile — conta o empresário.

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Natural de Santa Helena, no Paraná, Alexandre cresceu pescando ao lado do pai desde os três anos de idade. A vida adulta apenas acentuou essa paixão e, por isso, o empresário investiu em duas empresas ligadas à pesca, a River King Turismo Outdoor e a BGFA Recordes. Depois de muita pesquisa e contatos, comprou uma passagem em uma quarta-feira e, no sábado, estava à caminho do Chile.

Entenda mais sobre a espécie de salmão

A espécie Chinook é conhecida por nascer com a cor prata nos rios da Patagônia, migrar e crescer no mar e, perto do fim da vida, ela volta ao mesmo rio em que nasceu para se reproduzir e, então, muda de cor. O peixe passa por tons escuros que vão desde o vermelho-escuro até o marrom-café, e quando fica com a coloração preta é o momento em que está prestes a morrer.

Esse retorno ao local de nascença perto do fim do ciclo de vida acontece em poucos dias do ano e, quase sempre, em regiões remotas e de difícil acesso. Por isso, a pesca do salmão-rei nessa etapa é considerada uma aventura.

— É uma coisa fascinante, porque ele nasce no rio, cresce ali até os 18 meses e depois vai para o Oceano Pacífico, onde viaja milhares de quilômetros até retornar para o rio em que nasceu para se reproduzir quando atinge cerca de cinco anos. Quando ele entra no rio, já não come mais, ataca apenas por territorialismo e, após se reproduzir, morre. O retorno acontece por um radar biológico em que alguns dizem que é pelo olfato e outros, magnetismo. Para quem gosta de pesca, é algo muito especial — conclui Alexandre.

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