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Pesquisa 

Pesquisadores de SC embarcam para Antártica em projeto sobre trabalho em áreas extremas

Integrantes do programa PolarSapiens analisam condições de atividades em regiões remotas como desertos e regiões polares 

21/08/2019 - 06h20 - Atualizada em: 21/08/2019 - 07h26

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Jean
Por Jean Laurindo
Paola já participou de seis expedições no continente gelado entre 2016 e 2017
Paola já participou de seis expedições no continente gelado entre 2016 e 2017
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Dois pesquisadores de Santa Catarina embarcam na próxima quinta-feira para uma viagem à Antártica. Eles vão acompanhar a Força Aérea Brasileira (FAB) em um voo para lançamento de carga que vai levar mantimentos e equipamentos para oficiais que trabalham na estação administrada pela Marinha no continente gelado.

A viagem faz parte do projeto PolarSapiens, iniciado em 2013. A intenção do estudo é fazer pesquisas sobre saúde, segurança e condições de trabalho para profissionais que atuam em regiões isoladas, como desertos, montanhas, além das regiões polares. Nos últimos anos, o grupo já acompanhou trabalhadores em locais no Deserto do Atacama e ainda pretende atuar no Monte Everest, no Nepal.

A psicóloga Paola Barros Delben, que idealizou o projeto quando ainda era universitária, já participou de seis expedições à Antártica desde 2014. Os trabalhos ocorreram em navios de apoio, na própria estação antártica e com a tripulação de 10 militares da FAB que faz operações aéreas no inverno - como a que a dupla de SC vai acompanhar novamente a partir desta semana. Nessas operações, fatores como o isolamento e o cansaço com as longas jornadas e as tarefas de alta responsabilidade são identificados como pontos a serem sempre desenvolvidos para evitar situações de risco.

Entre os mantimentos e itens enviados aos 15 oficiais que ficam isolados no inverno da Antártica, as cartas e presentes das famílias são alguns dos objetos mais esperados.

Paola e o professor Roberto Moraes Cruz, que integram o projeto, devem acompanhar quatro dias de atividades antes de retornar para o Brasil. O trabalho começa quinta-feira com preparação no Rio de Janeiro, inclui parada para carga no Chile e ao menos nove horas de atividade no continente gelado (confira abaixo como será a jornada).

Vista em uma das seis expedições que a pesquisadora de SC participou no continente gelado
Vista em uma das seis expedições que a pesquisadora de SC participou no continente gelado
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Em 2016 e 2017, as pesquisas feitas em viagem solo de Paola serviram de base para a pesquisa de mestrado da profissional. Agora, Paola desenvolve o doutorado com a intenção de criar protocolos de gestão de risco e de comportamento seguro nessas regiões. Um grupo de pesquisa com 20 participantes, de áreas como medicina, direito, relações internacionais e psicologia, participa dos estudos.

A pesquisa também é acompanhada por um projeto audiovisual que pretende transformar as informações em uma série de sete episódios, a XSapiens, sobre pessoas que trabalham em lugares hostis e como os organismos respondem a essas condições adversas de atividade.

— Os resultados esperados envolvem programas de gestão de risco para o mapeamento, avaliação e intervenção nos mais diferentes contextos, em que o resgate ou socorro em casos de emergência é remoto e exige dos expedicionários capacitação diferenciada para lidar com os riscos prováveis e severos — conta a pesquisadora Paola, afirmando que a prevenção de acidentes, doenças, crises, como o assédio, trazem resultados econômicos, sociais e científicos.

O projeto firmou um acordo de cooperação com a FAB. Com isso, uma psicóloga da Aeronáutica vai acompanhar o trabalho dos pesquisadores catarinenses para replicar o protocolo de prevenção de acidentes em jornadas em locais extremos nas ações da Força Aérea.

Paola integra projeto que vai acompanhar lançamento de carga na Antártica na próxima semana
Paola integra projeto que vai acompanhar lançamento de carga na Antártica na próxima semana
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Programa busca recursos para próximas etapas

O PolarSapiens é coordenado desde 2014 pelo laboratório Fator Humano da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), comandado pelo professor Cruz. O programa já contou com recursos da UFSC em uma das viagens dos pesquisadores, em 2016, de um patrocinador privado pontual na viagem ao Deserto do Atacama, no Chile, e foi aprovado em um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq). No entanto, para a continuidade do projeto, o grupo busca recursos junto a pessoas físicas ou privadas, como doações ou patrocínios. É possível fazer contato com os responsáveis pela página do laboratório Fator Humano da UFSC na internet (fatorhumano.ufsc.br) ou pelas redes sociais.

Como será a operação de inverno na Antártica

— Na quinta-feira, a tripulação se reúne no Rio de Janeiro e discute todas as etapas da operação, com treinamento de pouso e decolagem na neve e do lançamento de carga propriamente dito.

— No domingo, a tripulação parte de avião do Rio para Pelotas (RS), onde a Estação de Apoio Antártico de Rio Grande (Esantar) leva vestimentas como casacos corta-vento, luvas e botas de neve aos participantes. Também lá o grupo recebe parte da carga a ser levada

Equipamento de pesquisadores ajuda a avaliar reação de trabalhadores que atuam em áreas extremas
Equipamento de pesquisadores ajuda a avaliar reação de trabalhadores que atuam em áreas extremas
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— Na segunda-feira, partem de Pelotas a Punta Arenas, no Chile, uma das cidades mais próximas da Antártica, onde se preparam para as travessias. Ali o avião Hércules é abastecido com outras cargas como alimentos e o grupo aguarda uma janela meteorológica que permita a ida ao continente gelado.

São necessárias ao menos nove horas de tempo bom, sem ventos fortes e com visibilidade, para cada travessia. Três horas para ir de Punta Arenas à Antártica, três horas de operação no continente gelado e três horas para voltar.

— A tripulação brasileira desce na estação chilena, graças a um acordo de cooperação. No inverno, a estação brasileira fica isolada. Por isso, as cargas e mantimentos serão lançados em sobrevoos feitos a partir da base chilena. Também será feita uma visita de convidados e um treinamento de pouso, já que as condições da pista no continente gelado exigem habilidade especial. As travessias devem se repetir por quatro dias, a partir da terça-feira, conforme as condições do clima.

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