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    Pessoas com comorbidades são 75% dos mortos por coronavírus; veja dicas de prevenção

    Cardiopatias, diabetes e obesidade são fatores de risco

    10/04/2020 - 17h04 - Atualizada em: 13/04/2020 - 21h21

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    Por Lariane Cagnini
    doença
    Especialistas alertam para os riscos de pessoas com comorbidades
    (Foto: )

    Das mortes por coronavírus registradas no Brasil, 75% foram de pessoas com comorbidades como doenças do coração e diabetes. Os dados são do Ministério da Saúde e levam em conta os óbitos confirmados (800) até a última quarta-feira (8). Em época de isolamento social, especialistas também chamam a atenção para quem tem pré-disposição a essas e outras doenças, e reforçam os cuidados com a alimentação e hábitos saudáveis.

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    A maior parte das vítimas fatais são pessoas acima dos 60 anos, o que correspondente a 77% das mortes. O que ocorre é que boa parte desse grupo também possui comorbidades, o que aumenta ainda mais o risco em relação à Covid-19. O médico geriatra Alvaro Alberto Barcelos Junior alerta para esse risco duplo, já que hoje em dia 70% dos idosos são hipertensos.

    - Com ou sem comorbidade, eles são um grupo de risco, pois quando há um quadro infeccioso, existe a resposta imunológica. Como o organismo nunca entrou em contato com esse vírus, a resposta é lenta e o vírus começa a se multiplicar, atinge principalmente o pulmão e leva a problema maiores - detalha Junior.

    Para manter esse grupo longe dos riscos, o isolamento social segue como regra básica. Atividades físicas dentro de casa, exposição ao sol por pelo menos 15 minutos e dieta balanceada também estão na lista. Para os filhos e netos, a dica é reforçar as ligações telefônicas e videochamadas, para que o lado psicológico também receba cuidados.

    Nesta sexta-feira, 10, o Ministério da Saúde atualizou os dados do Covid-19, e o número de mortes em função do coronavírus chegou a 1.057 no país.

    Além dos idosos, problemas cardíacos, diabetes, hipertensão e obesidade são doenças que têm aparecido em diferentes faixas etárias. O que explica o aumento de doenças crônicas em pessoas jovens, dentre outros fatores, é o estilo de vida, defende o endocrinologista Daniel Meller Dal Toé.

    - A obesidade costuma estar associada à hipertensão e diabetes. Essa, por si só, é uma inflamação crônica e tem íntima relação com vários sistemas do corpo. Isso aumenta as complicações do ponto de vista de infecção, nesse caso, viral - explica Dal Toé.

    Para o médico, um dos grandes problemas de doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto é que elas são silenciosas. No começo, podem ser assintomáticas, e muitos pacientes demoram para iniciar o tratamento. Essas comorbidades são ainda mais perigosas caso a pessoa seja infectada com a Covid-19, e por isso é preciso manter exames em dia e buscar uma vida ativa e saudável.

    - Nossa preocupação agora é que um idoso, por conta de não ter como buscar ou sair, deixe de tomar um comprimido. O controle da diabetes, pressão, colesterol, é fundamental nesse período - alerta o endocrinologista.

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    Cardiopatias são as comorbidades mais comuns

    Dos 800 óbitos registrados até a última quarta-feira (8), 336 foram de pessoas com cardiopatias, ou seja, doenças ligadas ao coração. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça que diante da orientação para que as pessoas fiquem em casa, é fundamental uma rotina fisicamente ativa.

    O sedentarismo é perigoso, e aliado a uma má alimentação favorece o ganho de peso. Em consequência, o aumento da pressão arterial, da glicose (açúcar) e lipídeos (gorduras) no sangue, o que aumenta o risco de doenças como hipertensão e diabetes, alerta a SBC.

    Movimentar-se, mesmo que em atividades domésticas, contribui para a saúde física e mental, e auxilia na prevenção ao coronavírus e suas consequências, complementa a SBC. Atividade física é qualquer atividade motora que resulte em um gasto energético acima dos níveis de repouso.

    Coração ativo: atitudes e comportamentos para se movimentar em casa

    - Mantenha-se ativo, seja realizando atividades físicas ou exercícios físicos;

    - As atividades de vida diária são excelentes alternativas para manter uma rotina fisicamente ativa. Varrer a casa, passar pano, arrumar o jardim, subir e descer escadas, dançar, entre outros;

    - Na ausência de acessórios para execução de exercícios físicos resistidos (de força), utilize o peso corporal ou adapte utensílios diversos (como garrafas pet para simular halteres, almofadas ou elásticos para oferecer resistência aos movimentos);

    - Reserve momentos para alongamento e relaxamento. Isso poderá ajudar no combate ao estresse e ansiedade decorrente do isolamento domiciliar;

    - Evite permanecer por longos períodos sentando, deitado, ou utilizando dispositivos eletrônicos. Busque intercalar momentos de inatividade física com momentos fisicamente ativos;

    - Reforce a atenção para que seus filhos não tenham comportamento sedentário. Tire as crianças e adolescentes do sofá e da frente das telas e convide-as para brincar e se exercitar.

    Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)

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