O fim da exploração do ouro no século XVIII não apagou a relevância histórica de Pirenópolis. Localizada no Cerrado goiano, a cerca de 150 quilômetros de Brasília, a cidade surgiu em 1727 sob o nome de Arraial de Meia Ponte. O tombamento de seu centro histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1989, garantiu a preservação de casarões coloniais, igrejas barrocas e ruas de pedra que desenham o cenário local.
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FOTOS: Das 365 janelas ao mar de cachoeiras conheça em imagens um dos destinos mais curiosos do país
A casa das 365 janelas e a origem do nome
A arquitetura do período colonial reflete o poder econômico dos mineradores da época. O exemplo mais citado na história local foi o casarão do comendador Joaquim Alves de Oliveira, construído no século XIX. O imóvel contava com 365 janelas, uma para cada dia do ano. Atualmente, a área abriga o Museu da Família Pompeu e parte do Cavalhódromo.
O nome atual do município foi adotado em 1890, em substituição a Meia Ponte. Pirenópolis significa “cidade dos Pireneus”, uma referência à serra que circunda o perímetro urbano. A formação rochosa recebeu esse nome de imigrantes europeus que identificaram semelhanças geográficas entre a região goiana e a cordilheira dos Pirenéus, barreira natural que separa a França da Espanha.
Divisor de águas e formação rochosa
No aspecto natural, o município concentra mais de 80 cachoeiras catalogadas em propriedades privadas e reservas ecológicas. O Parque Estadual da Serra dos Pireneus funciona como um divisor de águas continental: de suas nascentes brotam rios que alimentam tanto a Bacia Amazônica quanto a Bacia Platina.
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A estrutura geológica da região, composta por rochas de quartzito esculpidas pela erosão, gerou o apelido de maior “cidade de pedra” do Brasil. O relevo apresenta labirintos de pedra, fendas e cânions. Entre os pontos de visitação mais procurados estão a Cachoeira do Abade, com 22 metros de queda, e a Cachoeira do Rosário, que atinge 35 metros de queda livre. Os guias locais apontam o período de maio a julho, meses de seca, como a época em que as águas atingem maior nível de transparência.
O imperador por sorteio e a tradição dos Mascarados
As manifestações culturais têm seu ponto alto na Festa do Divino Espírito Santo, realizada 50 dias após a Páscoa. Registrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, a celebração acontece desde 1819 e dura 12 dias, unindo rituais religiosos a encenações populares, como as Cavalhadas, representação teatral dos combates medievais entre mouros e cristãos.
Durante os festejos, a dinâmica urbana é alterada pela presença dos Mascarados. Moradores vestem trajes coloridos e máscaras feitas de cabeça de boi ou papel machê, saindo a cavalo ou a pé pelas ruas. Eles modificam a voz para evitar o reconhecimento, tradição que remonta ao período colonial. Na organização da festa, o cargo de Imperador do Divino é definido por sorteio entre os moradores, independentemente de renda. Caso uma pessoa sem recursos financeiros seja escolhida, a comunidade realiza coletas para custear as despesas do evento.
O movimento de Santa Dica em Lagolândia
A história da região também é marcada pelo messianismo de Benedita Cipriano Gomes, conhecida como Santa Dica. Nascida no início do Século XX no distrito de Lagolândia, povoado pertencente ao município, ela ganhou notoriedade após sobreviver a uma grave enfermidade na infância, evento que a população local considerou uma ressurreição. A partir disso, passou a receber milhares de pessoas que buscavam curas e orientações.
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Na década de 1920, Dica liderou uma comunidade que chegou a reunir 15 mil seguidores. O movimento adotou princípios de uso coletivo da terra, abolição do uso de dinheiro nas trocas internas e recusa ao pagamento de impostos estaduais. A expansão da comunidade provocou reações das forças políticas dominantes e resultou em intervenção militar. Santa Dica sobreviveu ao cerco e seguiu como liderança política regional até sua morte, em 1970. Seu túmulo, situado sob uma árvore gameleira em Lagolândia, permanece como local de visitação.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.










