Sorriso no rosto, simpatia, confiança e doces atrativos. Essa é a base do trabalho de Nathalia Medina, que encontrou nos semáforos do Centro de Florianópolis um meio de empreender que vêm dando muito certo. Com mais 40 mil seguidores no Instagram, Nathalia se vê como inspiração e ajuda outras pessoas que buscam ter o próprio negócio, mas ainda não deram o primeiro passo para isso.
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O primeiro passo, para Nathalia, veio de uma forma um tanto “torta”, com um período de reflexão praticamente forçado após um grave acidente em 2023, que a deixou impossibilitada de trabalhar. Na época, ela atuava como vendedora em um shopping, e precisou colocar pinos de ferro na perna e no braço após quebrar ossos e sofrer uma fratura na coluna.
Com isso, Nathalia precisou ficar afastada por seis meses, período em que ela se questionou sobre seu futuro e se era um desejo permanecer trabalhando para outras empresas. Mesmo assim, ela retornou ao trabalho após a recuperação, mas teve uma virada de chave na mentalidade, percebendo que aquele ambiente já não era para ela.
— Eu sempre tive aquele sentimento de empreendedor, de fazer acontecer, de querer ter o meu próprio negócio, de querer ter o meu próprio crescimento, digamos assim. Nesses seis meses, foi uma luta interna de tentar entender o que estava acontecendo — lembra.
Durante cerca de três meses, Nathalia ainda tentou se encontrar em outros setores, mas já tinha a definição na cabeça: ela queria empreender.
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Doceira compartilha rotina nas redes sociais
Por que ela escolheu vender tortas no pote?
Hoje, Nathalia vende tortas no pote nos semáforos, mas nem sempre foi assim. No início, ela entrou em um dilema sobre um produto que pudesse ter baixo custo de produção, mas que, ao mesmo tempo, tivesse grande valor sentimental para o cliente. Ela também não queria algo que pudesse ser jogado fora com facilidade, então pensou, inicialmente, em alfajores feitos em casa.
O primeiro dia de vendas foi um desastre, como ela mesmo conta, mas serviu para que ela pudesse entender melhor o que poderia adequar em seu negócio.
— Eu batia no peito que eu já sabia vender. Então, para mim, eu conseguia vender tudo que me colocar na mão. Porém, quando a gente vai para um cenário novo, um produto diferente e a gente se enxerga em uma situação que a gente tem que se adequar ao que tá acontecendo, tudo que é novo dá uma espantada — diz.
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Foi aí que surgiu a ideia de fazer a torta no pote e outros doces, se adequando ao clientes. No verão, por exemplo, a torta gelada no pote fez sucesso principalmente por causa do calor. Nathalia não escolheu os doces por ter um dom nato para a confeitaria, mas sim como uma solução prática de produto que atendia os clientes da forma que ela gostaria.
— A gente junta o o útil ao agradável. O docinho que “mata a lombriga” com refresco para o seu dia. A venda é quase que certa — afirma.
Por que ela escolheu os semáforos como ponto de venda?
Nathalia conta que, antes de iniciar o negócio, estudou sobre métodos de venda, pois queria um “ponto” mais perto de onde mora, no Centro da Capital. Inicialmente, veio a ideia na cabeça sobre vender produtos na praia, já que Florianópolis possui um grande atrativo em relação ao destino, principalmente no verão.
Mas foi nos semáforos, atravessando a rua, que ela encontrou os clientes perfeitos.
— Eu encontrei uma demanda de clientes que estão passando o tempo todo e tem um tempo máximo ali onde você pode tentar ter uma troca, ter uma conversa para a pessoa conhecer um pouquinho você — destaca.
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Como funciona o Pix da Confiança?
O diferencial do trabalho de Nathalia também surge com a estratégia do “Pix da confiança”, utilizada já por outros vendedores. Funciona da seguinte forma: primeiro, o cliente leva o produto e, só depois, ele realiza o pagamento, por Pix.
Ela conta que o método só faz sucesso por uma junção de fatores: a simpatia e o carisma; e a conexão com o cliente quando ela conta sobre a história dela. O resultado, hoje, é melhor do que ela esperava, com o envio de gorjetas pelos clientes em diversos momentos.
— Não é só pelo produto. Eu percebo, muitas vezes, que a pessoa se junta no propósito, me manda mensagem falando “meu, que massa isso que você tá fazendo, a sua história de superação”. Isso mantém a gente na motivação para continuar — aponta.
Hoje, Nathalia vende principalmente nos semáforos do bairro Agronômica, na divisa com a Beira-Mar Norte. Ela conta que atualmente consegue fazer, em média, a R$ 600 por dia, em um bom dia.
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Quais são os próximos passos?
Atualmente, Nathalia trabalha sozinha: ela é quem faz os doces, divulga, vende… tudo. Porém, para os próximos meses, ela pretende contratar uma equipe para trabalhar com ela:
— Eu já sinto que é o momento certo para começar a delegar funções, tanto para as funções do perfil no Instagram, quanto para as funções das vendas nas ruas. Quem sabe, futuramente, até um negócio mais estabelecido, mais sólido. Talvez uma uma lojinha mesmo que online, mesmo que um delivery, aí serão os próximos passos — diz.






