O projeto que ficou conhecido como Pix Pensão” avançou no Senado Federal e abre caminho para que os valores sejam debitados diretamente da conta bancária do genitor devedor, mesmo quando ele atua como autônomo, trabalha na informalidade ou não mantém vínculo empregatício formal.

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Antes, o desconto automático era limitado aos casos em que o responsável pela pensão possuía emprego com carteira assinada.

A proposta, de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), altera o Código de Processo Civil e busca tornar mais eficiente a cobrança da pensão alimentícia, reduzindo atrasos e a necessidade de novas disputas judiciais para garantir o pagamento. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e agora aguarda análise do plenário.

Entenda o conceito e o funcionamento do “Pix Pensão” 

  • O Projeto: PL nº 4.978/2023 permite o desconto automático da pensão direto da conta bancária do devedor.
  • Quem atinge: autônomos, profissionais informais e pessoas sem registro em carteira (que hoje não têm desconto em folha).
  • Como será feito: o juiz ordena ao banco a transferência automática e periódica do valor para a conta do beneficiário.
  • Situação atual: o texto já passou pela Câmara, recebeu o aval da CCJ do Senado e aguarda votação no plenário.

O mecanismo está previsto no Projeto de Lei nº 4.978/2023. Pela proposta, o beneficiário poderá solicitar, em qualquer fase do cumprimento da sentença, que a pensão alimentícia seja paga por meio de débito automático entre contas bancárias.

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Na prática, caberá ao juiz determinar às instituições financeiras a transferência periódica dos valores da conta do responsável pelo pagamento para a conta do filho, adolescente ou de seu representante legal. A medida amplia as formas de cobrança já existentes e busca alcançar devedores que hoje escapam do desconto em folha por não possuírem renda formal.

O apelido “Pix Pensão” surgiu pela semelhança com a rapidez e a automatização das transferências instantâneas, embora o sistema não dependa necessariamente do uso de uma chave Pix para funcionar.

Trabalhadores autônomos poderão ter desconto automático do Pix Pensão se proposta for aprovada no Congresso (Foto: Imagem gerada por IA, NSC Total

O que muda para quem paga e para quem recebe

Hoje, o desconto direto no salário só funciona para quem tem carteira assinada. Se o devedor trabalha por conta própria, como autônomo ou na informalidade, receber o dinheiro costuma virar uma novela judicial. É exatamente essa brecha que o novo projeto quer fechar de vez.

Se a proposta virar lei, as instituições financeiras poderão realizar as transferências diretamente, conforme determinação judicial, tornando o recebimento mais previsível e reduzindo etapas burocráticas.

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Para quem recebe, a expectativa é de maior regularidade nos depósitos destinados a despesas essenciais, como alimentação, saúde, educação e moradia. Já para quem paga, a automatização pode diminuir o risco de atrasos e das medidas judiciais decorrentes da inadimplência.

Próximos passos no Congresso

O chamado “Pix Pensão” ainda não entrou em vigor. Após avançar na Câmara, o texto recebeu aval da CCJ do Senado com pedido de tramitação em regime de urgência. Desde 11 de junho, a proposta está aberta à apresentação de emendas parlamentares, etapa prevista até 17 de junho, conforme o Senado.

Se for aprovado pelo plenário sem alterações, o projeto seguirá para sanção presidencial. Caso os senadores modifiquem o texto, a matéria precisará retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.

O plano para proteger os filhos da falta de pagamento dos responsáveis 

Os defensores da proposta afirmam que a mudança pode reforçar a proteção de crianças e adolescentes ao garantir maior previsibilidade no pagamento da pensão alimentícia. Por ter natureza alimentar, o benefício é considerado essencial para assegurar necessidades básicas dos dependentes, que hoje chegam a 5 milhões de pessoas.

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Na avaliação dos parlamentares favoráveis ao projeto, atrasos frequentes comprometem o sustento das famílias e provocam sucessivos desgastes judiciais. Se concluir a tramitação no Congresso Nacional, o Brasil poderá adotar um modelo mais automatizado de cobrança, aproximando o cumprimento dessa obrigação da agilidade que transformou o Pix em uma das ferramentas financeiras mais utilizadas pelos brasileiros.