PL nega efeito de reabertura de investigação na candidatura de Carlos Bolsonaro: “Nada muda”
Partido credita retomada da apuração a movimentos políticos e confirma nome de Carlos como pré-candidato ao Senado, em anúncio do irmão e presidenciável Flávio
Investigação contra Carlos Bolsonaro por atuação como vereador no RJ foi reaberta nesta semana (Foto: Luciola Vilella, CMRJ, Divulgação)
A reabertura da investigação por suposta prática de “rachadinha” contra o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), anunciada nesta terça-feira (24) pelo Ministério Público fluminense (MP-RJ), não deve impactar nos planos de ter o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Senado em SC. A avaliação é do PL de Santa Catarina, que mantém o nome de Carlos e de Carol de Toni como os indicados para concorrer a senador nas eleições de outubro.
Continua depois da publicidade
Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, inclusive, foram confirmados pelo pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, como os nomes para concorrer ao Senado em SC, durante entrevista nesta quarta-feira (25), em Brasília. Uma reunião prevista para a tarde desta quarta com o govenador Jorginho Mello e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deve selar o anúncio de Carlos e Carol na chapa ao Senado. O gesto fecharia de vez a porta para o senador Esperidião Amin (PP), que deve ter que procurar outra aliança se quiser concorrer à reeleição. O nome do senador já apareceu riscado em anotações de Flávio Bolsonaro divulgadas nesta semana.
Entenda em fotos o racha com chegada de Carlos Bolsonaro a SC
1
Jair Renan em SC: Carlos Bolsonaro não foi o primeiro filho do ex-presidente a migrar para SC. Em março de 2024, Jair Renan se filiou ao PL e anunciou a pré-candidatura a vereador de Balneário Camboriú, cargo para o qual foi eleito (Foto: Arquivo NSC)
O plano de Carlos em SC: a primeira vez em que membros da família Bolsonaro admitiram o plano de Carlos Bolsonaro concorrer ao Senado por um estado que não o Rio de Janeiro, incluindo SC e MT entre as opções, foi em julho de 2024 (Foto: Alan Santos, PR)
Carol e Júlia? Até início do ano, PL tinha as deputadas federais Carol de Toni e Júlia Zanatta como pré-candidatas ao Senado. Bolsonaro chegou a citá-las como nomes que apoiaria em entrevista. Cenário mudou após aproximação de Carlos com SC (Fotos: Arquivo NSC)
Articulação sobre João Rodrigues: antes de encampar pedido por Carlos, Jair Bolsonaro chegou a afirmar “ainda ter esperança” de ter prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), como candidato a senador na chapa de Jorginho Mello. Prefeito, no entanto, mira o governo (Foto: Reprodução)
Reação de entidades: os planos de Carlos Bolsonaro para concorrer em SC geraram reações de entidades. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) divulgou nota afirmando que o Estado não precisa “importar candidatos” (Foto: Reprodução)
Chegada de Carlos a SC: vereador do Rio, Carlos Bolsonaro debutou no Estado ao participar de protestos em favor da anistia em Criciúma (foto) e Florianópolis, no início de agosto. Dias depois, Jair Bolsonaro teve prisão domiciliar decretada (Foto: Reprodução)
Gestos a Amin e risco a Carol: aproximação de Carlos Bolsonaro com SC coincidiu com sinais do governador Jorginho Mello de que deseja ter Esperidião Amin (PP) na chapa como candidato a senador, para atrair os partidos PP e União Brasil (Fotos: Arquivo NSC)
Onda de apoio a Carol: com Carlos e Amin como favoritos, o espaço para a candidatura ao Senado de Carol de Toni passou a se fechar, mas uma onda de apoio à deputada se formou, com manifestações até mesmo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (Foto: Reprodução)
Jornada de Carlos por SC: Carlos Bolsonaro iniciou uma jornada por mais de 10 cidades de Santa Catarina. Nos encontros, aproximou-se de Carol de Toni e passou a defender uma chapa “pura” do PL, com Carol e Carlos como candidatos ao Senado (Foto: Reprodução)
Visitas a Bolsonaro: com visita autorizada pelo STF, o governador Jorginho Mello visitou Jair Bolsonaro na casa dele, em Brasília, discutiu a chapa ao Senado e definiu que cada um indicaria um nome. Carol de Toni e Amin também visitaram Bolsonaro no último mês (Foto: Reprodução)
Ana Campagnolo x Eduardo Bolsonaro: deputada estadual comentou possível chapa com Carlos Bolsonaro e defendeu Carol de Toni, que segundo ela poderia até ter de mudar de partido. Eduardo Bolsonaro respondeu com críticas à catarinense (Fotos: Arquivo NSC)
Racha no Bolsonarismo: a troca de farpas desencadeou um debate público no PL, com manifestações contra e a favor do projeto de Carlos Bolsonaro em SC. Nomes como Flávio Bolsonaro e Jorge Seif fizeram publicações em defesa de Carlos (Fotos: Arquivo NSC)
O vice-presidente estadual do PL em SC, Bruno Mello, reforçou o anúncio feito por Flávio Bolsonaro e negou qualquer efeito da reabertura da investigação nos planos de candidatura de Carlos em SC.
— Reabertura de investigação é diferente de condenação. São movimentos políticos querendo prejudicar o Carlos. Nada muda. Segue o jogo! — afirmou.
Continua depois da publicidade
Segundo o advogado Pierre Vanderlinde, especialista em Direito Eleitoral, a existência de uma apuração contra o ex-vereador ainda em fase de investigação não acarreta qualquer risco à condição de elegibilidade de Carlos Bolsonaro. Somente uma possível ação penal em razão dos fatos citados nesta etapa inicial de investigação, com condenação em órgão como o Tribunal de Justiça, é que poderia representar algum risco ao direito de concorrer.
— Este tipo de situação, em grau de investigação, não atrai qualquer inelegibilidade. Somente uma decisão colegiada em uma ação de improbidade ou ação penal, em razão deste fato, poderia torná-lo inelegível — aponta.