Tomar um bom chimarrão depende de fazer boas escolhas, como uma erva de qualidade e a bomba e a cuia ideial. No caso da cuia, um dos materiais mais utilizado e mais tradicionais para a produção é o porongo, também conhecido como cabaça. O porongo é um fruto grande, de casca grossa e não comestível e uma curiosidade sobre ele é que estudos apontam que sua chegada ao Brasil se deu pelas correntes marítimas vindas da África há 10 mil anos.

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Segundo o estudo Transoceanic drift and the domestication of African bottle gourds in the Americas, o fruto teria cruzado o Oceano Atlântico flutuando.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores se debruçaram sobre o DNA do porongo. Ao comparar o código genético de amostras antigas e modernas de diferentes regiões, os autores constataram que o fruto americano é irmão do africano, sendo diferente da asiática. Essa descoberta “derrubou” a tese da cabaça ter chego à Américas pelo Estreito de Bering, uma vez que o fruto dificilmente sobreviveria ao clima frio por ser tropical.

Nove meses no mar

Simulações feitas pelos cientistas apontaram que o fruto levaria em média cerca de nove meses para cruzar o oceano. O caminho mais provável pelo mar foi entre a linha do equador e a latitude 20ºS, linha nas proximidades de Espírito Santo e São Paulo e o desembarque pode ser sido na costa brasileira e arredores.

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Além disso, resultados mosrtraram que semestes de porongo conseguriam germinar mesmo após um ano flutuando e que

Animais fizeram trabalho de espalhar as sementes

A viagem marítima foi possível graças a casca dura e impermeável, além da característica de conseguir flutuar devido a sua densidade. Depois de atravessar o oceano, o fruto parou na costa e suas sementes foram dispersadas pelo território pelos animais.

No decorrer dos anos, o porongo passou a ser utilizado para fazer ferramentas versáteis, entre eles a cuia de chimarrão.

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