A planta conhecida como quebra-pedra, tradicionalmente utilizada na medicina popular para tratar cálculos renais, as chamadas “pedras nos rins”, será a matéria-prima de um novo medicamento disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS).

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A erva Phyllanthus niruri já faz parte do cotidiano dos povos indígenas, de comunidades tradicionais e de agricultores familiares. O uso da planta é frequente no contexto da medicina popular, e agora se transformará em um fitoterápico industrializado.

— Quando o conhecimento tradicional associado é tratado como tecnologia, e seu acesso se dá com consentimento prévio e informado e repartição de benefícios, a inovação ganha propósito. Com a parceria com a APOINME, reconhecendo detentores desse saber, viabilizaremos o primeiro fitoterápico de um laboratório público de acordo com as normas da Anvisa para ser disponibilizado no SUS, abrindo caminho para novos medicamentos que unam ciência, território e saúde pública — afirma Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Como será a produção do medicamento?

A previsão da Fiocruz é que o medicamento seja desenvolvido até metade deste ano. O projeto acontece em um acordo entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), além da assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Instituto e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Na primeira fase do projeto, serão destinados R$ 2,4 milhões, aplicados na adequação de maquinário, compra de equipamentos e insumos, contratação de serviços, visitas técnicas e estudos laboratoriais. A ideia é que o fitoterápico seja oferecido como uma alternativa segura e padronizada de tratamento.

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Depois da produção de lotes para estudos de estabilidade, os resultados serão submetidos aos parâmetros da Anvisa. Depois disso, com a aprovação do órgão, o medicamento poderá ser fornecido pelo SUS, etapa que deve levar até dois anos.

O que é a quebra-pedra?

A planta costuma ser utilizada na medicina tradicional brasileira na forma de chá. Os principais benefícios conhecidos estão ligados a distúrbios urinários, já que especialistas apontam uma redução na aglomeração dos cristais presentes na urina, e com isso uma redução na formação de cálculos renais.

Diversos estudos científicos têm analisado os efeitos da planta na saúde humana. Uma pesquisa realizada pela USP com 56 pacientes que tinham cálculos de até 10 milímetros indicou que uso diário da planta por 12 semanas esteve associado à eliminação de cálculos urinários

*Com informações de Uol