Brasília sempre foi mais que uma capital; é um palco de tensões onde a realidade, muitas vezes, supera o roteiro mais audacioso. Para o espectador que busca entender o que ocorre nos corredores de mármore do Planalto e do Congresso, o audiovisual brasileiro oferece um mergulho profundo, e por vezes incômodo, nas vísceras do poder.
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Recentemente, com a conquista do Oscar pelo filme Ainda Estou Aqui, que relata a história da família Paiva, formada pelo casal Rubens e Eunice e seus cinco filhos, em plena ditadura militar, o Brasil ganhou um novo olhar por parte dos amantes de cinema internacional.
Selecionamos sete produções que, entre o registro histórico e a ficção provocativa, explicam por que a política nacional é o gênero favorito do cinema nacional.
O registro do real: Crises e transições
A história recente do Brasil foi marcada por rupturas que o cinema soube captar com precisão cirúrgica. Produções que abordam o processo de redemocratização e os movimentos de massa mostram como o povo e o parlamento nem sempre falam a mesma língua.
Democracia em Vertigem: Indicado ao Oscar, o documentário de Petra Costa é leitura obrigatória para entender a polarização atual. Com um olhar pessoal, a obra costura o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão de novas forças políticas.
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O Processo: Focado exclusivamente nos bastidores jurídicos e legislativos de 2016, Maria Augusta Ramos entrega um filme “mosca na parede”, onde o espectador observa a liturgia e as articulações sem narração externa.
Tancredo, a Travessia: Um resgate histórico fundamental sobre o homem que personificou a transição para a democracia, mas não chegou a subir a rampa.
Ficção e Intrigas: Quando a arte imita o Planalto
Nem só de documentos vive o cinema político. A ficção permite explorar as zonas cinzentas da ética e a ambição humana que movem os gabinetes.
O Mecanismo: Embora inspirada na Operação Lava Jato, a série da Netflix criou um universo próprio para debater como a engrenagem da corrupção, supostamente, não escolhe ideologia.
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Real – O Plano Por Trás da História: Um thriller econômico que mostra os bastidores da criação da moeda que estabilizou o país, revelando que as decisões técnicas em Brasília são, antes de tudo, batalhas políticas.
A lente humana sobre o concreto
Brasília também é feita de pessoas e de ícones. Filmes como Lula, o Filho do Brasil tentam humanizar figuras centrais do poder, enquanto outros documentários focam na própria arquitetura da cidade como uma personagem que molda o comportamento de quem nela habita.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.

