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    Ação e reação

    Polícia tenta sufocar o crime organizado, que reage com ataques em Florianópolis

    No dia da posse do novo comando da PM, operações e "zonas vermelhas" resultaram em reações de criminosos, que queimaram um caminhão e atiraram contra o prédio do MPF

    22/02/2018 - 17h58 - Atualizada em: 23/02/2018 - 02h06

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    Por Redação NSC
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    No dia em que o coronel Araújo Gomes assumiu o comando-geral da Polícia Militar de Santa Catarina (PM/SC), os principais batalhões da Capital iniciaram operações de "saturação" nas "áreas vermelhas" de Florianópolis, regiões dominadas pelo tráfico de drogas, como os morros do Mosquito, no norte da Ilha, do Caju, no Saco Grande, e a comunidade do Monte Cristo, região continental da Capital. As ações não são fixas, mas móveis e com reforço no patrulhamento ostensivo, e vão continuar pelos próximos dias.

    Na primeira delas, homens do 4º Batalhão da corporação mataram um suspeito, prenderam três pessoas e apreenderam seis armas no alto do Morro do Caju, nas proximidades do Floripa Shopping. No Morro do Mosquito, alvo de violentos crimes e de frequentes ações da polícia, a PM incursionou o alto da localidade e, com o auxílio da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Floram), destruiu cinco casas abandonadas que serviam de esconderijo para os criminosos.

    Em resposta à primeira ação, o crime organizado queimou um caminhão no Monte Verde, atacou uma base da PM no mesmo bairro e efetuou disparos de arma de fogo contra o prédio ocupado pelo Ministério Público Federal (MPF), na Avenida Beira-Mar Norte, por volta de 16h. Ninguém se feriu na sequência de ataques. A assessoria do MPF acredita que o alvo era mesmo a instituição, mas as balas atingiram a quarta torre ao fundo da estrutura, onde funcionam escritórios diversos. Um deles, de engenharia, foi atingido. Até a noite de quinta-feira, ninguém havia sido preso por essa série de crimes.

    — A operação segue com saturação nas áreas vermelhas, com as viaturas patrulhando, abordando suspeitos e diligenciando essas regiões mais sensíveis e vulneráveis — explica o tenente-coronel Sinval Júnior, comandante do 21º Batalhão da PM, no norte da Ilha.

    A operação da PM chamou a atenção nas ruas da Capital devido ao grande efetivo empregado. Nas comunidades, exemplo do Monte Verde, moradores mais antigos comentavam entre eles, espantados, "como que aqueles guris viraram bandidos?", "saiu direto das fraldas para o crime" e "o pai e a mãe não são disso". As falas, de quem não entende o que vê, mostram o outro lado da violência que amedronta Florianópolis e tem nos jovens a mão de obra que aterroriza a cidade.

    — É preciso educação e oportunidade, se não a gente vai perder boa parte desses jovens — resumiu o aposentado Ruy Honório da Silva, 61 anos.

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    Prefeitura da Capital e governo de SC prometem ações também na assistência social

    O motorista do caminhão incendiado no Monte Verde subia pela Rua Caminho do Cruz, no alto da comunidade, quando criminosos, alguns deles menores de idade, o mandaram parar na via que fica próxima a uma das principais bocas de fumo da região, perto do mato. Sob a mira de uma arma, ele desceu e os homens colocaram fogo no veículo. Moradores contaram que o motorista deixou o Monte Verde em estado de choque.

    Em seguida, policiais subiram o morro, e nas redondezas do ataque procuravam pelos suspeitos entrando em pátios de casas e averiguando a região de mata. Foi num local semelhante geograficamente, ali perto, no Morro do Caju, que a PM matou Valdemir Fiuza Barce, 24 anos, após ele ter atirado contra uma viatura, de acordo com o tenente-coronel Marcelo Pontes, comandante do 4º Batalhão, que cobre o Centro, Maciço do Morro da Cruz e sul da Ilha. Valdemir tinha passagens por furto e roubo.

    Ao verem os policiais em peso no Monte Verde, Morro do Caju e do Mosquito e ao saberem da troca de comando na PM, moradores repetiam "tomara que agora isso volte ao normal". Novo comandante da PM, o coronel Araújo Gomes também citou essa questão:

    — A ação também é simbólica e representa a nossa presença nas comunidades mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, faremos contato com as prefeituras para desenvolvermos ações sociais nestes locais — explicou Gomes.

    Pela manhã, o governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) esteve reunido com o prefeito Gean Loureiro (PMDB) e ambos definiram que as respectivas secretárias de assistência social do município e do Estado vão se encontrar nos próximos dias para definirem ações "estruturais" e "financeiras" que ajudem a devolver ao braço estatal o domínio de regiões hoje conflagradas pelo crime.

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    Cronologia dos ataques

    Entre 12h30 e 13h, no Morro do Caju, Saco Grande

    Relatórios de inteligência da PM apontavam para uma residência no local como abrigo de suspeitos de fazerem parte de uma facção criminosa catarinense e responsáveis por assaltos na região. No local, os policiais encontraram quatro pessoas. Segundo o tenente-coronel Marcelo Pontes, uma delas atirou com a viatura. Na troca de tiros, Valdemir Fiuza Barce, 24 anos, foi morto. Dois homens foram presos e uma adolescente apreendida. Na casa estavam três pistolas, uma espingarda calibre 12, um revólver 38 e uma submetralhadora. Também foram encontradas munições das armas e de fuzil.

    15h30, na Rua Caminho da Cruz, no Monte Verde

    Um caminhão foi incendiado por criminosos no bairro Monte Verde, em Florianópolis, e a ação prejudicou o vai-e-vem de moradores da localidade. Quase no mesmo horário, a base da Polícia Militar que fica no bairro também foi alvo de disparos. Conforme o tenente-coronel Marcelo Pontes, ao todo quatro tiros atingiram o local, mas ninguém se feriu.

    16h, na Avenida Beira-Mar Norte, no coração da cidade

    Um homem, ainda não se sabe se em veículo ou até caminhando, efetuou pelo menos cinco disparos contra as torres que abrigam o Ministério Público Federal (MPF) na Capital. Os tiros atingiram um escritório de engenharia, na quarta torre, já fora da área de atuação do MPF, mas que mesmo assim assustaram servidores da instituição, até pelo local, área nobre da cidade, e o horário de grande movimentação de pedestres e veículos. A PM confirma a ocorrência. A Polícia Federal (PF), responsável por investigar crimes na esfera federal, disse a reportagem que não tinha conhecimento do ataque e só se pronunciaria nesta sexta-feira.

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