A busca por uma cura ou tratamento eficaz para a paralisia causada por lesões na medula espinhal ganhou um novo capítulo com a polilaminina. Desenvolvida por cientistas brasileiros, essa substância está no centro das atenções médicas e regulatórias em 2026.
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Mas o que é exatamente essa proteína e por que ela é considerada um marco na medicina regenerativa?
O que é a Polilaminina?
A polilaminina é um biomaterial bioativo desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela é uma forma polimerizada (unida em longas cadeias) da laminina, uma proteína que já existe naturalmente no nosso corpo, fazendo parte da “cola” que mantém as nossas células unidas (a matriz extracelular).
Diferente da laminina comum, a polilaminina cria uma estrutura tridimensional estável. Imagine que a lesão na medula é como uma ponte caída; a polilaminina funciona como um andaime biológico, permitindo que os neurônios “caminhem” sobre ela para atravessar o vão da lesão e se reconectar.
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Como ela funciona no corpo?
Quando ocorre um trauma na medula, o ambiente se torna hostil: há inflamação e a formação de uma cicatriz que impede o crescimento dos nervos. A polilaminina atua de três formas principais:
- Guia de crescimento: Ela oferece pontos de ancoragem para os axônios (as “fios” dos neurônios) crescerem.
- Sinalização celular: Ativa receptores específicos nas células (como as integrinas), enviando ordens para que o neurônio se regenere.
- Redução de danos: Ajuda a modular a inflamação local, evitando que a lesão se espalhe nos primeiros dias após o trauma.
A mente por trás da descoberta: Tatiana Sampaio
A liderança científica desse projeto pertence à Dra. Tatiana Sampaio, bióloga e professora titular da UFRJ. Com uma trajetória iniciada na década de 90, ela dedicou mais de 30 anos ao estudo da matriz extracelular.
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Em 2021, a pesquisa saiu dos laboratórios acadêmicos e ganhou escala industrial através de uma parceria com o laboratório farmacêutico Cristália, permitindo a produção da proteína com grau de pureza necessário para testes em humanos.
Resultados dos estudos: Do laboratório aos pacientes
A polilaminina passou por rigorosas etapas antes de chegar às manchetes atuais:
Testes em Animais
- Ratos: Estudos mostraram a capacidade da proteína em promover a reconexão de axônios danificados.
- Cães: Em 2025, um estudo com seis cães paraplégicos mostrou que quatro deles tiveram melhoras motoras evidentes após um ano de tratamento, sem sinais de toxicidade.
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O Estudo Piloto com Humanos (UFRJ)
Entre 2016 e 2022, um ensaio acadêmico acompanhou 8 pacientes com lesões torácicas agudas e completas (classificadas como AIS A, onde não há sensibilidade ou movimento abaixo da lesão).
- A “conversão”: Dos 8 pacientes, 6 apresentaram melhora na classificação da lesão (passando de A para C ou D).
- O impacto: Na literatura médica convencional, apenas cerca de 10% a 15% dos pacientes com esse tipo de lesão apresentam alguma melhora espontânea. O índice de 75% observado no estudo, embora preliminar, foi considerado surpreendente.
Importante: Esses resultados iniciais foram obtidos em um estudo de “braço único” (sem grupo controle para comparação direta) e ainda aguardam publicações em revistas científicas de alto impacto com revisão por pares.
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Situação Atual: O que a Anvisa diz?
Muitas pessoas buscam saber se o tratamento já está disponível. A resposta curta é: ainda não para uso geral.
Em 5 de janeiro de 2026, a Anvisa aprovou o início da Fase 1 regulatória.
- O que isso significa? É o primeiro passo oficial para transformar a polilaminina em um medicamento registrado.
- Foco: Esta fase testará a segurança em 5 novos pacientes com traumas torácicos recentes (menos de 72 horas após o acidente).
- Comercialização: É proibida a venda ou aplicação rotineira em hospitais. O tratamento só é permitido dentro dos protocolos de pesquisa aprovados ou, em casos raríssimos, via autorização judicial por uso compassivo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A polilaminina cura a paralisia?
Ainda é cedo para falar em “cura”. Os dados mostram recuperação funcional, o que pode significar desde a volta de alguma sensibilidade até a recuperação de movimentos, dependendo da gravidade e do tempo de aplicação.
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2. Quem pode receber o tratamento agora?
Apenas pacientes que se enquadrem nos critérios rígidos do novo estudo de Fase 1 (trauma torácico agudo de T2 a T10 e atendimento em até 72 horas).
3. Existem efeitos colaterais?
Nos testes iniciais, os efeitos foram leves (pequenas alterações em exames de sangue) e as complicações foram semelhantes às que qualquer paciente com lesão medular grave enfrenta normalmente.
4. Quando estará disponível nas farmácias ou hospitais?
Ainda faltam as Fases 2 (para testar eficácia em mais pessoas) e Fase 3 (comparação em larga escala). Isso geralmente leva alguns anos, embora o processo possa ser acelerado se os resultados continuarem promissores.
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A polilaminina representa a excelência da ciência nacional e traz uma esperança real, fundamentada em décadas de estudo. Se você ou algum familiar busca tratamento, o caminho mais seguro é acompanhar os editais de seleção para ensaios clínicos nos hospitais vinculados à UFRJ e ao laboratório Cristália.











