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    Poluição do ar em SC cai pela metade por conta da pandemia de COVID-19

    Especialistas atribuem a diminuição da concentração de dióxido de nitrogênio na atmosfera à baixa circulação de veículos e redução da atividade fabril no Estado

    06/04/2020 - 13h27 - Atualizada em: 06/04/2020 - 13h39

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    Felipe
    Por Felipe Reis
    Comparativo mostra a poluição entre os dias 22 de março e 5 de abril de 2019 e o mesmo período de 2020. Note que no primeiro período há diversas manchas verdes, amarelas e vermelhas que mostram poluição em excesso no Sul, Litoral e Norte. A imagem predominantemente roxa mostra taxas de poluentes praticamente zeradas.
    Comparativo mostra a poluição entre os dias 22 de março e 5 de abril de 2019 e o mesmo período de 2020. Note que no primeiro período há diversas manchas verdes, amarelas e vermelhas que mostram poluição em excesso no Sul, Litoral e Norte. A imagem predominantemente roxa mostra taxas de poluentes praticamente zeradas.
    (Foto: )

    Durante a quarentena para tentar conter a proliferação do novo coronavírus, a poluição atmosférica em Santa Catarina caiu pela metade. A informação faz parte de um levantamento feito pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) a partir de imagens de satélite fornecidas pela Agência Espacial Europeia (ESA), com o auxílio da plataforma Google Earth Engine.

    O trabalho considera dois períodos para a comparação: o primeiro entre os dias 22 de março e 5 de abril de 2019, quando não havia nenhuma orientação para redução de atividades nem restrições de circulação em vigor; e o segundo entre as mesmas datas, mas neste ano de 2020 - quando a quarentena já havia sido implementada no Brasil. Os dados preliminares mostram a concentração de dióxido de nitrogênio (NO2), um dos poluentes mais nocivos à saúde humana e produzido pela queima de combustíveis fósseis por carros e indústrias. Apesar de não ser possível quantificar a redução obtida no período, a análise visual é qualitativa e mostra que a qualidade do ar respirado em Santa Catarina melhorou.

    Considerando a leitura feita a partir da densidade do ar sobre as regiões afetadas, é possível observar que a redução foi de 50%. Números que mostrem a alteração na quantidade de partículas de poluição só seriam possíveis de se obter se Santa Catarina tivesse estações de monitoramento da qualidade do ar espalhadas pelo seu território, o que não existe hoje por conta do custo elevado de aquisição (R$ 1 milhão) e de operação dessas estruturas.

    Ainda assim, segundo o diretor de engenharia e qualidade ambiental do IMA, Fábio Castagna, a informação obtida a partir da visualização das imagens é tecnicamente precisa e muito importante. "Conseguimos identificar claramente que onde há muitos veículos circulando ou atividade industrial forte o ar melhorou consideravelmente", afirmou. Ele também destacou o histórico do Estado graças à particularidade do parque industrial catarinense.

    - Não temos atividades como petrolíferas ou outros tipos de indústria que geralmente poulem muito mais do que os tipos de indústria que temos aqui - disse.

    Reflexos na saúde pública

    Esses dados interferem diretamente no sistema de saúde de Santa Catarina e do Brasil. Na avaliação do professor coordenador do Laboratório de Controle de Qualidade do Ar da UFSC, Leonardo Hoinascki, a preocupação com a manutenção da qualidade do ar poderia representar uma redução da quantidade de internações por doenças do sistema respiratório - que ocupam leitos tão necessários para o tratamento de outras doenças, como a própria COVID-19.

    - Acende um sinal de alerta essa redução, no sentido de que percebemos o quanto poluímos em tempos normais. Precismos de planejamento eficaz e inteligente para lidar com a mobilidade e cumprir os planos ambientais, além de controlar muito a questão das queimadas, para não termos impactos importantes sobre a saúde das pessoas.

    Ouça a reportagem completa:

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