Dos 295 municípios catarinenses, 294 se inscreveram no maior simulado de preparação para desastres já realizado no Brasil, realizado neste domingo (1º) e coordenado pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SPDC). A única cidade que optou por não formalizar uma inscrição na mobilização foi Pouso Redondo, que fica na região do Alto Vale do Itajaí. A ação incluiu, ao longo do dia, protocolos de resposta a enchentes, deslizamentos, enxurradas, acidentes com produtos perigosos e até rompimentos fictícios de barragens.

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O prefeito de Pouso Redondo, Rafael Neitzke Tambozi (PL), afirmou ao NSC Total que a decisão do município em não participar do simulado estadual foi baseada na estrutura já consolidada da Defesa Civil local. Segundo ele, a cidade, que teve a pior enchente da história em 2023, mantém uma Defesa Civil municipal estruturada, equipada e em atuação constante. (relembre a tragédia em imagens abaixo)

— A decisão de Pouso Redondo não participar do simulado estadual é porque a gente tem a nossa Defesa Civil própria bem estruturada, com equipamentos, e ela está constantemente em uso — explicou.

O prefeito destacou que, embora exista parceria com a Defesa Civil do Estado, o município investiu na capacitação da equipe e na aquisição de equipamentos próprios, complementando os recursos estaduais. Ainda, um dos diferenciais apontados por ele é o sistema de monitoramento do rio que corta o município.

De acordo com Tambozi, a cidade conta com um alerta antecipado de até seis horas para enxurradas, graças ao acompanhamento feito na cabeceira do rio que atinge o território.

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— Nós temos um alerta antecipado no município, sempre com cerca de seis horas de antecedência das enxurradas, porque fazemos o monitoramento na cabeceira do rio que atinge Pouso Redondo — disse.

O prefeito reforçou que a decisão não representa crítica ao exercício estadual.

— Nada contra o exercício a nível estadual. Ele é interessante, mas para a nossa realidade a gente acredita que já está com o tempo de resposta muito bem alinhado — pontuou.

Tambozi lembrou o episódio ocorrido na cidade em 2023. Na ocasião, além de atender a própria população, Pouso Redondo também auxiliou cidades vizinhas, segundo o prefeito.

— A gente passou, em 2023, pela maior enchente da nossa história. Atendemos e socorremos municípios vizinhos, abrimos abrigo para moradores de Taió. Então a nossa Defesa Civil está com a casa em ordem — declarou.

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Relembre a enchente ocorrida em Pouso Redondo em 2023

Em 2023, a cidade de Pouso Redondo enfrentou a maior enchente da sua história. Na época, o nível do Rio das Pombas chegou a 8,47 metros. As primeiras ruas eram alagadas quando a água alcançava os 5,5 metros. A prefeitura precisou abrir dois abrigos e teve de mudar um deles de endereço quando o acesso à estrutura começou a ficar comprometido.

A prefeitura informou, na época, que cerca de 300 casas nos bairros Progresso e Independência foram afetadas.

Em 2023, como muitos municípios do Alto Vale do Itajaí, Pouso Redondo também enfrentou problemas com energia. O abastecimento de água, contudo, ficou comprometido por um tempo. Por causa da alta demanda, havia dificuldade em encher os reservatórios. Aproximadamente 20 pontes nas áreas mais afastadas do Centro foram destruídas pela força da água na cidade.

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Ainda, na época, o trecho da BR-470 que corta Pouso Redondo ficou completamente interditado, com deslizamento de terra na altura do Km 188, que bloqueou as pistas nos dois sentidos.

Como foi o simulado contra desastres em SC neste domingo?

Santa Catarina viveu neste domingo (1º) o maior simulado de preparação para desastres já realizado no Brasil. Coordenada pela SPDC, a mobilização reuniu 294 municípios, que testaram, ao longo do dia, protocolos de resposta a enchentes, deslizamentos, enxurradas, acidentes com produtos perigosos e até rompimentos fictícios de barragens.

Desde as 8h, o Estado operou em modo de resposta plena. As primeiras ocorrências simuladas começaram a ser registradas e enviadas à estrutura estadual ainda pela manhã. Às 9h20min, um alerta de emergência foi disparado por tecnologia Cell Broadcast, alcançando celulares conectados às redes 4G e 5G em todo o território catarinense.

Ao longo do dia, equipes municipais e estaduais colocaram em prática planos de contingência, com evacuação de áreas de risco, abertura de abrigos temporários, resgates e reuniões estratégicas para avaliar impactos simulados.

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Veja como foi o primeiro simulado

Cada município trabalhou com ocorrências previamente definidas, de acordo com os principais riscos mapeados na região. Além das atividades em campo, o exercício incluiu reuniões setoriais, regionais e mesorregionais com representantes dos Grupos de Ações Coordenadas (GRACs), coordenadorias regionais, Corpo de Bombeiros Militar, polícias, secretarias municipais e a Rede Estadual de Emergência de Radioamadores.

O simulado também contou com observadores de órgãos estaduais e federais, como o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que acompanharam as ações para alinhar procedimentos e trocar experiências.

Encerradas as atividades às 17h, os dados encaminhados pelos municípios serão consolidados pela equipe técnica da SPDC em um relatório oficial, que deve reunir aprendizados, boas práticas e pontos de aprimoramento nos planos de contingência.

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A próxima edição do Simulado Geral de Gestão de Desastres já tem data marcada para o dia 7 de março de 2027. A expectativa do governo estadual é ampliar ainda mais a participação e consolidar o exercício como referência nacional em preparação para eventos extremos.