Provavelmente já aconteceu de você encostar em alguém e levar um choque. Ou então tocar em alguma parte do carro e também sentir uma fisgada na mão. O nome disso é eletricidade estática. De acordo com o professor da Universidade Regional de Blumenau (Furb), Robson Zacarelli Denke, doutor em Física, estamos falando de um fenômeno natural que costuma ocorrer com mais frequência em períodos frios, como entre abril e outubro.

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A explicação científica não é muito simples para a maioria de nós, meros mortais. Mas basicamente funciona assim: os corpos humanos geralmente têm carga neutra. Isso porque seus átomos possuem a mesma quantidade de cargas positivas e negativas. Mas o atrito com certos materiais, como lã acrílica, por exemplo, pode provocar a chamada eletrização. Que basicamente é o acúmulo de cargas elétrica.

— No inverno, se retirarmos uma blusa de tecido sintético, podemos ouvir pequenos estalidos dessas descargas. Em um quarto escuro, é possível ver as faíscas. Ao andar em um veículo com as janelas abertas, o atrito do vento com o nosso rosto nos eletriza e podemos sentir choques dentro do carro em movimento — exemplifica o doutor em Física.

Por que dá choque quando você encosta em algumas pessoas e objetos?

“Após eletrizado, o choque é inevitável”

O professor dá ainda outro exemplo comum de ocorrer nos supermercados. Quando empurramos o carrinho de compras, as rodas de plástico se eletrizam e passam a carga elétrica para a estrutura metálica. O carrinho fica eletrizado quase sempre e, se tocarmos levemente com as mãos na parte metálica do carrinho, é possível sentir um pequeno choque.

— Após eletrizado, o choque é inevitável, sempre haverá um pequeno desconforto. Quando a pele da pessoa é mais sensível, a sensação dolorosa é mais pronunciada. Pessoas que têm muitas calosidades nas mãos dificilmente sentem essas faíscas, pois a pele exterior das mãos tem uma camada morta que é um isolante natural — diz Denke.

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Naturalmente o corpo tenta voltar ao estado neutro e, por isso, acaba passando para outras pessoas ou objetos quando tocamos neles. Então, ao encontrar um caminho para a terra ou alguma condição que favoreça a neutralização, ocorre o fluxo das cargas elétricas por meio de uma faísca. É essa faísca que podemos sentir como um choque quando tocamos uma pessoa que está eletrizada.

Mas como evitar a eletrização? Uma opção é mudar o tipo de tecido da vestimenta para fibras naturais. Tecidos como lã acrílica eletrizam-se muito facilmente, conta o professor. O que se tem então são opções para tirar o excesso de carga do corpo. A primeira é encostar diretamente na terra. Pode ser os pés ou as mãos. Se essa não for uma possibilidade, basta encostar em estruturas metálicas, que são condutoras de energia e vão dar conta de dissipar a carga em excesso no corpo.

Outra alternativa é lavar as mãos em água corrente.