Autoridades migratórias do Panamá detiveram e deportaram o jornalista Franklin Martins como base uma lei de migração que impede a entrada no país de estrangeiros envolvidos em crimes graves. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do segundo governo Lula fazia conexão no aeroporto da Cidade do Panamá com destino à Guatemala. Ele foi impedido de prosseguir viagem e enviado de volta ao Rio de Janeiro.
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Detenção no aeroporto do Panamá
Ao desembarcar no aeroporto panamenho, Martins apresentou seu passaporte a agentes à paisana. O documento foi retido. O jornalista foi conduzido para uma sala reservada na área de migração.
“Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo”, afirmou Franklin Martins em relato reproduzido pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
O ex-ministro foi levado para uma sala com parede de vidro espelhado. A estrutura permitia que superiores acompanhassem o interrogatório sem serem vistos. Martins preencheu um formulário com dados pessoais. Ele respondeu a perguntas. Os agentes coletaram fotografias e impressões digitais diversas vezes.
Questionamentos sobre prisão política

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Os policiais panamenhos concentraram perguntas na prisão de Franklin Martins durante a ditadura militar brasileira. O ex-ministro foi detido em 1968, em Ibiúna, por motivos políticos.
“Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela — e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, declarou Franklin.
O jornalista informou aos agentes que viajava para participar de um seminário de três dias na Universidade Rafael Landívar, na Guatemala. O evento tinha como tema “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”.
Lei de migração foi citada para deportação
Após aguardar sozinho por cerca de 20 minutos, Franklin Martins foi informado de que não poderia continuar a viagem. Os agentes citaram a Lei de Migração do Panamá, de 2008, como fundamento para a decisão.
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“Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso”, disse o ex-ministro.
Os agentes mencionaram que a legislação migratória se tornou mais rígida após acordos de segurança firmados entre o Panamá e os Estados Unidos em 2025.
Franklin Martins permaneceu detido na área de migração do aeroporto por aproximadamente quatro horas. Ele passou novamente pelos procedimentos de identificação em uma sala separada. O ex-ministro foi colocado no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Ele recebeu seu passaporte de volta somente após a chegada ao Brasil.
Pedido de contato com embaixada
Durante a detenção, Franklin Martins solicitou contato com a embaixada brasileira. O pedido foi negado pelas autoridades panamenhas. O jornalista enviou uma mensagem ao Itamaraty relatando o ocorrido. No relato, Franklin Martins avaliou que a operação não foi casual.
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“Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas — a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa — com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo”, afirmou Franklin Martins na mensagem enviada ao Itamaraty.
O Itamaraty foi contatado para comentar o caso, mas não havia se manifestado até o momento desta publicação. Não há informações sobre posicionamento oficial do Governo Federal brasileiro sobre a deportação do ex-ministro. Não foram divulgados detalhes sobre quais informações específicas das bases de dados foram utilizadas para a decisão de deportação.
Depois do episódio, o governo do Panamá mandou uma carta de desculpas, dizendo que Franklin é bem-vindo ao país.
*Com informações do g1.

