O custo para encher o tanque continua pesando no bolso do consumidor joinvilense. Na maior cidade de Santa Catarina, o preço da gasolina comum, por exemplo, caiu apenas R$ 0,02 nos últimos 12 meses. A redução, porém, poderia chegar até R$ 0,40, caso o desconto anunciado pela Petrobras às distribuidoras, em janeiro, fosse repassado na íntegra aos clientes.
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Como o valor da gasolina é calculado em SC
A produção do combustível inicia a cerca de 300 quilômetros da costa brasileira. Profissionais nas plataformas em alto mar precisam extrair o petróleo que está a até sete mil metros de profundidade, conforme relata a Petrobras. A partir daí, o petróleo é enviado à terra firme e chega até às refinarias.
Nessa etapa, é necessário investimento a partir do trabalho de diversos profissionais qualificados e tecnologia de ponta. É nas refinarias que é feito o processamento do petróleo, transformando-o em derivados como a gasolina. O preço desse combustível na refinaria, correspondente à parcela da Petrobras, é de R$ 1,82, tendo como referência a semana de 8 a 14 de fevereiro.
Depois da refinaria, a gasolina é vendida aos distribuidores, etapa onde os tributos são incluídos ao preço. Segundo a Petrobras, a tributação federal sobre a gasolina é formado por CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), PIS/PASEP e COFINS. Além deles, é adicionado também o imposto estadual, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O preço com as tarifas sobe para R$ 4,07, sendo R$ 0,68 de tributos federais e R$ 1,57 de ICMS.
Já sob responsabilidade dos distribuidores, é necessário adicionar etanol à gasolina. Esse processo é uma obrigação legal, previsto na Lei n° 8.723 de 1993. A legislação determina que é preciso ter 30% de etanol anidro na gasolina comum, e 27% na gasolina premium. Com a parcela do etanol anidro, o valor da gasolina sobe mais R$ 1,02, chegando a R$ 5,09.
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Com a mistura feita, os distribuidores passam a comercializar a gasolina para os postos de combustível. Nessa etapa, tanto os distribuidores quanto os postos adicionam os seus próprios custos e sua margem de lucro, já que, segundo a Lei do Petróleo, a precificação em todas as etapas da cadeia é livre. Assim, o preço sobe mais R$ 1,45, chegando a R$ 6,54, conforme estimativa da Petrobras, também para a semana de 8 a 14 de fevereiro.

Redução do preço aos distribuidores
Em janeiro de 2026, a Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina vendida pelas refinarias às distribuidoras.
O anúncio da redução de R$ 0,14 por litro gerou expectativa de queda nos preços para os motoristas, mas até o momento foram poucos os reflexos dessa diminuição nas bombas.
Por que o preço da gasolina não baixou
O presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro PR/SC), Alexandro Guilherme Jorge, explica que diversos fatores contribuíram para que o preço da gasolina não registrasse queda em Santa Catarina no início deste ano. Segundo ele, o principal motivo foi o aumento do ICMS anunciado pelo governo do Estado.
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O ICMS é um reajuste anual cobrado em todos os estados por meio de um valor fixo sobre o litro do combustível. O valor fixo, que até o fim do ano passado era de R$ 1,47 por litro, passou para R$ 1,57 no início de 2026.
— Desde 2022, o ICMS tem uma alíquota fixa para todos os estados e tem subido sistematicamente 10 centavos por ano. Essa decisão é tomada pelos secretários de fazenda dos estados. Então, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) definiu pelo aumento pelo terceiro ano consecutivo. Isso explica parte desse não repasse: ao mesmo tempo que se diminui o preço, aumentou o imposto — explica Jorge.
Jorge ainda esclarece que o desconto nas bombas poderia ser ainda maior por conta da composição da gasolina nas bombas, que tem 30% álcool (etanol anidro). Na avaliação do presidente do Sindipetro, a redução da Petrobras também tem efeito indireto para queda do preço do álcool, porque as usinas acompanham as oscilações do preço da gasolina.
— Se você pensar que diminuiu R$ 0,14 e o restante dos custos são proporcionais, a gente deveria estar vendo algo em torno de R$ 0,40 de diminuição. Esse seria um resultado médio esperado. O que a gente percebe é que a cadeia acaba não acompanhando. É um evento muito rotineiro: a refinaria baixa e demora para acontecer o repasse ao consumidor. Mas como isso se deu em 27 de janeiro, e já estamos em fevereiro, é tempo mais que suficiente para que todos os estoques tenham sido renovados — diz Jorge.
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No entanto, o presidente afirma que o sindicato aguarda uma mudança nesse cenário nos próximos meses.
— Há também uma expectativa de manutenção do preço do petróleo a nível mundial, e até uma uma redução. Além disso, a refinaria que abastece o Paraná e Santa Catarina bateu todos os recordes de produção no ano passado. Então, você tem aumento de produção do petróleo, aumento da produção das refinarias, isso também é uma tendência da redução de preço. Mantida essa lógica, a tendência é sim de redução — pondera.
Variação dos preços em Joinville
Em janeiro de 2025, o preço médio da gasolina comum era de R$ 6,22, enquanto a aditivada chegava a custar R$ 6,37 por litro. Já em janeiro de 2026, a comum estava a R$ 6,52 e a aditivada a R$ 6,67.
No dia 12 de fevereiro, o Procon realizou uma nova pesquisa sobre os preços dos combustíveis em Joinville, no Norte catarinense. No caso da gasolina comum, o menor valor foi encontrado em um posto do bairro Pirabeiraba, a R$ 5,93 o litro. Já o maior preço, de R$ 6,59, foi registrado em diversos estabelecimentos da cidade.
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O preço mais baixo da gasolina aditivada foi encontrado no mesmo posto, na zona Norte do município, também a R$ 5,93 o litro. O maior valor é quase um real mais caro, sendo R$ 6,89 o litro.
Os detalhes com nomes dos postos de combustíveis, endereços e valores foram disponibilizados pela pesquisa publicada pela Prefeitura de Joinville. O guia pode ajudar os consumidores da cidade a economizarem na hora de encher o tanque.
Veja variação do preço em SC desde 2025
A reportagem foi realizada após a sugestão de um leitor do NSC Total Joinville. Para indicar pautas, é necessário enviar uma mensagem para o contato (48) 99199-3891.






