Durante décadas, no noroeste dos Estados Unidos, a gestão de rios seguiu uma orientação clara: troncos dentro da água deveriam ser removidos.
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Canais “limpos” e com fluxo rápido eram considerados mais saudáveis, enquanto a madeira era tratada como uma “barreira” aos processos naturais e à movimentação dos peixes.
Essa lógica guiou projetos de restauração e intervenções em larga escala, moldando a forma como técnicos e comunidades locais interpretavam o funcionamento dos riachos.
Um projeto em grande escala
Agora, essa abordagem está sendo revertida. Segundo a emissora Oregon Public Broadcasting (OPB), helicópteros transportam milhares de troncos de volta para os cursos d’água na região central do estado de Washington.
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Mais de 6.000 troncos estão sendo distribuídos ao longo de aproximadamente 38 quilômetros de rios e córregos na Reserva Yakama e em terras cedidas adjacentes.
Como muitos trechos são inacessíveis por estrada, o transporte aéreo tornou-se indispensável. Os troncos são levados de áreas de armazenamento e posicionados em locais previamente marcados com fitas de sinalização rosa e azul.
O que a ciência mostrou
Por quase 40 anos, o biólogo de habitat da Nação Yakama, Scott Nicolai, atuava segundo a lógica de retirar os troncos de madeira.
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“Naquela época, os especialistas em pesca – como eu os chamo – ficávamos nas margens e observávamos o riacho”, disse ele à OPB.
“Se víssemos um grande amontoado de troncos, pensávamos: ‘Ah, isso é uma barreira para os peixes. Queremos que o riacho continue fluindo’.”
Com o tempo, pesquisas e observações de campo indicaram que os troncos desempenham funções ecológicas essenciais.
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Eles criam áreas de abrigo para a reprodução de peixes como salmões e trutas-touro e favorecem o crescimento de algas que servem de alimento para insetos aquáticos.
Além disso, reduzem a velocidade da água, permitindo que parte dela se espalhe e infiltre no solo. Essa água retorna gradualmente ao rio, contribuindo para mantê-lo mais frio e com fluxo mais constante.
Materiais usados no projeto
A remoção generalizada da madeira, somada ao sobrepastoreio, à construção de ferrovias e à exploração madeireira em barragens, contribuiu para o ressecamento de rios e o declínio de populações de animais selvagens ao longo dos anos.
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“Estamos tentando aprender com nossos erros e encontrar uma maneira melhor de administrar a situação”, disse Phil Rigdon, superintendente do Departamento de Recursos Naturais da Nação Yakama, à OPB.
A madeira utilizada no projeto vem de ações de desbaste florestal conduzidas por seis organizações parceiras, entre elas a The Nature Conservancy e o Mid Columbia Fisheries Enhancement Group.
O material inclui espécies como abeto-de-Douglas, abeto-grandis e cedro. Em vez de ser comercializada, parte dessa madeira está sendo direcionada para a restauração e a infraestrutura dos rios.
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Por Vitoria Estrela
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