Embora o ano de 2026 seja de eleições gerais, com escolha de presidente, governadores, senadores e deputados, o Rio de Janeiro pode ter uma disputa antecipada pelo cargo com uma eleição indireta “fora de época” e um “governador-tampão” que vai comandar o Estado até o fim do ano.
Continua depois da publicidade
O principal motivo dessa disputa extra a ser vivenciada pelo Estado são os planos políticos do atual governador fluminense, Cláudio Castro (PL), que já anunciou a intenção de concorrer a senador nas eleições deste ano. Para isso, ele precisa renunciar ao cargo de governador até 4 de abril, quando faltarão seis meses para a eleição.
O vice-governador, que seria o nome natural para sucedê-lo e completar o mandato, já não está no cargo. Ele renunciou no ano passado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), indicado pelo próprio Cláudio Castro.
Os planos do atual governador envolviam dar mais visibilidade ao então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, nome preferido de Castro para sucedê-lo no governo estadual até o fim deste ano, e concorrendo à reeleição em outubro, apoiando a candidatura de Castro ao Senado. A escolha se daria por eleição indireta, feita somente pelos deputados estaduais, onde Castro e Bacellar teriam apoio confortável para implantar o plano.
Ocorre que no mês passado Rodrigo Bacellar foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, por suspeita de ter vazado informações sigilosas sobre investigação contra o ex-deputado TH Joias, investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho. Após ficar uma semana preso, Bacellar foi solto, mas precisou usar tornozeleira eletrônica e foi afastado da presidência da Alerj por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Continua depois da publicidade
Novos planos após prisão de Rodrigo Bacellar
A situação praticamente tirou Rodrigo Bacellar do jogo e obrigou o PL do RJ a escolher outro nome para comandar o Estado interinamente até o fim deste ano, para que Castro renuncie e concorra ao Senado. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o nome favorito de Castro seria o atual secretário da Casa Civil do RJ, Nicola Miccione, considerado um quadro técnico, sem pretensões políticas para a eleição de outubro e nome de confiança, que garantiria apoio do governo à campanha de Castro ao Senado.
Na equação, no entanto, entrou também o desejo do senador Flávio Bolsonaro, que no mês passado foi confirmado pelo pai Jair Bolsonaro como nome para concorrer à Presidência da República pela raia bolsonarista em outubro. Em função disso, Flávio passou a defender a indicação de um nome forte como governador-tampão, para garantir um palanque forte para a campanha a presidente. Nessa negociação, o PL fluminense deve avaliar também nomes como o secretário de Cidades, Douglas Ruas, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, que ganhou popularidade pela participação na megaoperação que deixou 122 mortos em outubro do ano passado, e até o ex-presidente do Flamengo, Rodolfo Landim.
Em meio a isso, Cláudio Castro ainda aguarda a definição de um processo de cassação em análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que também pode exigir novos cálculos de rota para os planos políticos do grupo. A situação deve ser definida até 4 de abril, prazo da legislação eleitoral para que governadores que desejam concorrer a outros cargos deixem a função. A eventual eleição indireta na Alerj para escolher o sucessor-tampão de Castro também precisa ser regulamentada e ter as regras específicas definidas pela Assembleia Legislativa.

