Quem dirige hatch, SUV ou perua costuma achar normal ver uma palheta no vidro traseiro. Já em sedãs, o limpador atrás é quase sempre ausência certa. Nesse caso, em dia de chuva, não há muito o que fazer com o vidro molhado. Então por que um tipo de carro recebe o equipamento e outro praticamente nunca recebe?

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A resposta mais repetida pelas montadoras e por especialistas tem a ver com o formato da carroceria. Em sedãs, a traseira tem o porta-malas separado e o vidro fica antes da tampa, em uma área menos exposta à sujeira levantada pelas rodas e pelo redemoinho que se forma atrás do veículo em movimento. É uma ideia semelhante aos carros esportivos, por exemplo.

Nos hatches e SUVs, a traseira termina de forma mais reta. Isso faz com que água, poeira e barro sejam puxados para a tampa traseira com mais facilidade. Um estudo publicado no Advances in Science and Technology Research Journal aponta que esse tipo de carroceria hatchback favorece a formação de fluxo turbulento atrás do veículo, com efeito direto no acúmulo de sujeira na tampa e também no vidro traseiro.

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O vento ajuda, mas não faz milagre

É por isso que muitos sedãs conseguem manter o vidro traseiro relativamente limpo quando estão em velocidade constante. O ar que passa pela carroceria ajuda a afastar parte da água e da sujeira antes que elas grudem no vidro. Em estrada, esse efeito costuma ser mais perceptível.

Mas essa explicação tem um limite claro: ela depende do carro em movimento. Em baixa velocidade, no trânsito, em uma manobra à noite ou logo depois de uma pancada de chuva, o fluxo de ar não resolve tudo. Nesses momentos, um limpador traseiro poderia melhorar a visibilidade, principalmente para quem ainda usa bastante o retrovisor interno.

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Por isso, dizer apenas que “sedã não precisa” simplifica demais a história. O item pode ser menos necessário em um sedã do que em um hatch ou SUV, mas não é inútil.

Custo também pesa na decisão

O outro motivo é menos técnico e mais direto: cada peça a menos reduz custo. Um limpador traseiro não é só uma palheta. O sistema pode envolver motor elétrico, braço, borracha, fiação, comando no painel ou na alavanca, reservatório ou mangueira do lavador e pontos de fixação na carroceria.

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Em carros de grande volume, uma economia pequena por unidade vira um valor relevante quando multiplicada por milhares de veículos. Para a montadora, se o consumidor não cobra o item e a lei não obriga, a tendência é cortar.

No Brasil, a Resolução 912 do Contran lista limpador e lavador de para-brisa entre os equipamentos obrigatórios para veículos automotores, mas não inclui limpador de vidro traseiro nessa relação. Já a Resolução 224 trata dos requisitos de desempenho dos sistemas de limpador e lavador do para-brisa para homologação de veículos, novamente com foco no vidro dianteiro.

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Design da traseira também entra no jogo

Há ainda uma razão visual. Em muitos sedãs, especialmente os médios, grandes e de luxo, a traseira é desenhada para parecer mais limpa e sofisticada. Uma palheta no vidro traseiro pode quebrar essa linha, principalmente quando o carro tem vidro mais inclinado.

Também existe uma questão de projeto. Em um hatch ou SUV, o limpador fica instalado na própria tampa traseira, que sobe inteira junto com o vidro. No sedã, o porta-malas abre separado, abaixo do vidro. Instalar o sistema pode exigir soluções diferentes para posicionamento do motor, passagem de fiação e acabamento.

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Câmera de ré mudou a discussão

A popularização de câmera de ré e sensores de estacionamento também reduziu a pressão pelo limpador traseiro em sedãs. Em manobras, muitos motoristas passaram a depender mais da tela do que do retrovisor interno.

Ainda assim, isso não elimina totalmente o problema. Câmera suja, chuva forte ou iluminação ruim podem atrapalhar. Além disso, nem todos os carros têm câmera de boa qualidade, e muitos motoristas continuam usando o vidro traseiro como referência.

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