A pequena cidade de Frei Rogério, no Meio-oeste de Santa Catarina, com cerca de 2,4 mil habitantes, abriga um dos três sinos mundiais ligados a tragédia nuclear de Hiroshima e Nagasaki, que ocorreu no Japão em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

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O Parque Sino da Paz, localizado no terreno do senhor Kazumi Ogawa, um dos sobreviventes da tragédia, relembra o acontecimento da bomba atômica lançada sobre as cidades e homenageia as vítimas e sobreviventes.

Um monumento de 28 metros de altura foi construído no parque para abrigar o sino. As linhas da estrutura foram baseadas no pássaro Tsuru, que simboliza a paz para os japoneses.

Inaugurado em 15 de outubro de 2002, com a presença do Secretário de Educação do Estado e da delegação da província de Nagasaki, o parque abrigava um dos três sinos que homenageiam os sobreviventes da Guerra. O sino pesa mais de 40 quilos e já tem mais de 400 anos.

Em todo o mundo, só existem mais dois sinos iguais: um está na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e outro na cidade de Hiroshima, no Japão. Em breve o parque contará também com um museu com mais acervos históricos da Segunda Guerra Mundial, todos cedidos pelo governo japonês.

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O monumento foi um presente do governo do Japão para o Brasil e ganhou um local especial em Frei Rogério. Todos os anos em ocasiões especiais, como no dias 6 e 9 de agosto, datas que marcaram o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, uma cerimônia com badaladas do sino é realizada no local, emocionando todos os sobreviventes da Guerra e moradores da região.

Atualmente, o sino está no terreno de Wataru Ogawa, um dos sobreviventes da tragédia.

Memórias de sobreviventes

A relação da família Ogawa com o sino é uma história de sobrevivência. Segundo Naoki Ogawa, filho de Wataru Ogawa, cerca de sete parentes sobreviveram aos ataques e vieram para o Brasil em 1961, incluindo Kazumi Ogawa, idealizador do projeto do Parque do Sino da Paz e Movimento pela Paz Mundial.

Na época da tragédia, Kazumi tinha apenas 16 anos e escapou por acaso, após perder a embarcação que o levaria para o centro da cidade. O pai de Naoki, Wataru Ogawa, de 96 anos, também é um hibakusha — termo usado para designar sobreviventes das bombas atômicas.

Em 1945, Wataru tinha apenas 16 anos e servia na Escola da Marinha, a cerca de 30 quilômetros de Hiroshima. Duas semanas depois da explosão, ele entrou em Nagasaki e acabou exposto à radiação.

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A família veio para o Brasil em 1961 para morar no Rio Grande do Sul. Três anos depois, os integrantes se mudaram para a colônia japonesa do Núcleo Celso Ramos, em Frei Rogério, incentivados pela oportunidade de se dedicar à fruticultura no interior catarinense.

Em 1998, Kazumi Ogawa pediu um presente para o amigo e então presidente da Associação Internacional de intercâmbio da província de Nagasaki, Tameichi Takefuji, que representasse a força dos sobreviventes da guerra e homenageasse as vítimas do ataque. Foi assim que o Sino da Paz, encontrado entre os escombros de um templo budista de Nagasaki, foi enviado ao Brasil.

— O Sino é de um templo Budista na qual minha família tem raiz e veio da cidade natal da família que é Nagasaki, local que sofreu a tragédia. Eu particularmente gostaria que tivesse muito mais Sinos da Paz, não só para representar uma simbologia da paz, mas que essa simbologia se manifestasse através da prática da Paz — contou Naoki Ogawa.