Entre declarações polêmicas e decisões contestáveis, Donald Trump desperta curiosidade e apreensão em todo o mundo. Sua personalidade forte se traduz em atitudes que podem ser consideradas impulsivas e intolerantes. Diante disso, muitos se questionam: o que se passa em sua mente?

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O psicólogo Dan McAdams, especialista em personalidade e professor da Universidade Northwestern, buscou compreender os traços mais marcantes de Trump. Em sua análise, concluiu que ele apresenta um perfil extremamente narcisista.

“Em sua mente, ele é mais como uma persona do que uma pessoa, mais como uma força primordial ou super-herói, do que um ser humano totalmente realizado”, afirma McAdams em seu livro The Strange Case of Donald J. Trump: A Psychological Reckoning.

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A performance constante e o instinto primitivo

Trump se esforça para atuar como Donald Trump. Ele faz isso de forma consciente. “Ele se move pela vida como um homem que sabe que está sempre sendo observado”, explica McAdams.

A teatralidade é essencial para sua “liderança orientada para a dominância”. Para o psicólogo, o modelo de liderança se baseia no medo e no poder, lembrando estruturas primitivas da evolução humana.

Para muitos americanos, sua postura exagerada e suas declarações polêmicas têm um “apelo primitivo”. McAdams compara seu comportamento à forma como chimpanzés intimidam adversários.

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Energia incontrolável e temperamento explosivo

Ainda segundo o psicólogo, a extroversão é marcada pelo entusiasmo e pela busca por experiências. Esse traço está fortemente presente em Trump. Pessoas extrovertidas estão sempre em busca de recompensas.

“Incitados pela atividade dos circuitos de dopamina no cérebro, atores altamente extrovertidos são levados a buscar experiências emocionais positivas, sejam elas na forma de aprovação social, fama ou riqueza”, diz McAdams.

“É a busca em si, mais até do que a obtenção real do objetivo, que os extrovertidos acham tão gratificante.” Esse comportamento explica muitas de suas atitudes arrogantes. Seu ego extrovertido se alimenta da necessidade de dominar.

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Para McAdams, apesar do teatro, sua raiva é autêntica. Isso torna a convivência difícil, mas também fortalece sua imagem. A agressividade é vista por seus eleitores como sinal de firmeza.

Trump não demonstra preocupação com valores tradicionais americanos. “Ao contrário de qualquer presidente dos EUA nos últimos 100 anos, Trump nem sequer finge interesse em defender valores americanos tão sagrados como o respeito pelos direitos humanos ou a oposição à tirania”, aponta McAdams.

O narcisismo como marca registrada

Amor-próprio excessivo e exibicionismo são marcas do narcisismo. Trump personifica essas características. Seu nome está em tudo que toca, garantindo que seja sempre lembrado.

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Ele também provoca polêmicas e usa sua teatralidade para chamar atenção. Para McAdams, isso vem da infância. Trump sempre foi competitivo, envolvido em esportes e treinado em uma academia militar.

“Pessoas com fortes necessidades narcisistas querem amar a si mesmas, e querem desesperadamente que os outros as amem também — ou pelo menos as admirem, as vejam como brilhantes, poderosas e bonitas, até mesmo apenas as vejam, ponto final.”

O narcisismo ajudou Trump a chegar à presidência. Ele vende essa imagem como inspiração em livros e discursos. Mas, a que custo?

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O impacto do narcisismo no poder

O narcisismo exagerado é um dos aspectos mais problemáticos de Trump. Segundo pesquisadores citados por McAdams, essa característica pode ser uma “faca de dois gumes” para um presidente.

“No lado positivo, o narcisismo grandioso está associado à iniciativa de legislação, persuasão pública e classificações de ‘grandeza’ pelos historiadores. No lado negativo, também está associado ao comportamento antiético e às resoluções de impeachment no Congresso.”

Trump usa xingamentos, humilhações e retaliações públicas como estratégia. Isso gera visibilidade constante. Ele parece seguir o lema: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

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Com o tempo, essas atitudes cansam os aliados. “As pessoas ficam incomodadas, se não enfurecidas, por seu egocentrismo. Quando os narcisistas começam a decepcionar aqueles a quem antes deslumbravam, sua queda pode ser especialmente precipitada”, alerta McAdams.

No caso de Trump, essa queda ainda não é previsível. Com um retorno inesperado ao poder, sua presença na política global levanta uma dúvida: estará ele mudando essa teoria?

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