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10 pragas do Egito: veja quais são

Bíblia, ciência e história justificam os acontecimentos das 10 pragas do Egito

20/06/2021 - 04h00 - Atualizada em: 02/10/2021 - 07h58

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Redação
Por Redação Hora
Gafanhotos fazem parte das pragas do Egito
A invasão de gafanhotos foi a oitava das dez pragas do Egito
(Foto: )

As 10 pragas do Egito são retratadas na Bíblia como castigos que Deus lançou sobre os egípcios. A justificativa para tais calamidades foi a recusa do faraó Ramsés II em libertar os escravos hebreus.

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O relato bíblico do Êxodo diz: “Tu falarás tudo que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará ao Faraó que deixe ir os filhos de Israel da sua terra. Eu, porém, endurecerei o coração do Faraó, e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. O Faraó, portanto, não vos ouvirá.”

Ramsés II, que segundo relatos históricos reinou entre 1270 a.C. e 1213 a.C, viu suas terras e população sofrerem com a série de maldições. Vamos conhecê-las?

Descubra as 3 pragas do Egito mais bizarras e curiosas no vídeo:

1. Sangue nas águas do Rio Nilo

A Bíblia aponta que, na primeira praga, toda a água do Rio Nilo, justamente a fonte que abastecia a população, os animais e as plantações, foi transformada em sangue. Isso fez com que todos os peixes morressem, provocando escassez de alimentos.

O Egito está situado entre os continentes africano e asiático, justamente em um ambiente árido. Cairo, sua capital, encontra-se próxima ao delta do Rio Nilo, cuja abundância de água permite o cultivo das terras.

Tudo isso, segundo a Bíblia, foi prejudicado pela transformação da água do Rio Nilo em sangue.

No entanto, Stephan Pflugmacher, que é biólogo e professor da Universidade Técnica de Berlim, explica que essa maldição foi causada pela soma de diferentes fatores. Dentre eles, destaca o aquecimento climático, o aumento da temperatura da água e a diminuição de sua vazão.

Esses fatores provocam a proliferação de algas e, consequentemente, suas toxinas. Algas microscópicas e cianobactérias se proliferam rapidamente e de forma massiva quando há bastante nutrientes na água. O efeito é a coloração avermelhada.

Há outra hipótese, que é levantada pelo documentário histórico Êxodo Decodificado (The Exodus Decoded, 2006). A erupção do vulcão Thera, situado em uma ilha grega a 700 quilômetros do Egito, pode ter modificado a coloração do rio.

Sangue nas águas do Rio Nilo
Sangue nas águas do Rio Nilo
(Foto: )

Acontece que o Rio Nilo possui alta concentração de ferro dissolvido. Quando a substância é misturada com o gás liberado por tremores de terra, a ferrugem se solta e dá a tonalidade vermelha à água.

Além de tornar a água imprópria para consumo, a ferrugem em excesso mata os peixes.

á muitas reviravoltas e é um tipo de filme que você vai querer assistir mais uma vez.

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2. Chão coberto por rãs

A Bíblia retrata que Ramsés II, o faraó, não libertou os hebreus mesmo com a situação caótica causada pela primeira praga. É assim que começa uma nova calamidade.

A segunda das 10 pragas do Egito conta que uma quantidade incalculável de rãs começou a sair de todos os lugares, ocupando cada centímetro do chão.

Segundo cientistas, o aparecimento de rãs tem relação direta com os acontecimentos do Rio Nilo. Sem oxigênio na água, os animais migraram das margens para a terra.

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3. Homens e animais infestados de piolhos

Ramsés II se manteve irredutível. Deus também! Já que o faraó não estava disposto a libertar os Hebreus, Deus preparou a terceira das 10 pragas do Egito.

Segundo a Bíblia, a terceira praga foi a infestação de piolhos em homens e animais — um problema bem complicado para uma época sem tratamentos como os existentes hoje.

Mas as explicações da ciência dizem que a situação do Rio Nilo também favoreceu a proliferação desse parasita que provoca muita coceira.

Outro ponto importante é que os piolhos nunca foram novidade para os egípcios daquela época. Vem daí a razão para muitos rasparem a cabeça.

Agora é só somar: água contaminada e banhos escassos formam o cenário ideal para a quantidade de piolhos aumentar.

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4. O dia virou noite por causa das moscas

Mesmo com a cabeça coçando, a Bíblia conta que Ramsés II continuou desafiando Deus. Veio então a quarta das 10 pragas do Egito: uma nuvem de moscas.

Como as moscas causam incômodo e transmitem doenças, Deus atacou a saúde e o conforto dos egípcios. Entretanto, poupou os hebreus.

Colin Humphreys, que é físico britânico da Universidade de Cambridge, tem uma explicação para o fato em seu livro Os Milagres do Êxodo (2003).

A grande quantidade de moscas tem a ver com a morte dos sapos. Longe do lugar onde poderiam viver, os sapos acabaram morrendo e deixando de comer os insetos.

Outra razão tem a ver com a putrefação dos animais mortos e a falta de higiene das pessoas, dois fatores que atraem moscas.

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5. Morte dos outros animais

O duelo entre o faraó e Deus continuou, o que segundo a Bíblia resultou na quinta das 10 pragas do Egito. Mas aqui tem uma novidade!

Por causa da quarta praga, Ramsés II aceitou libertar os hebreus. Mas ao perceber que a praga foi finalizada, decidiu voltar atrás. Foi assim que, segundo os relatos bíblicos, ocorreu a praga que matou muitos animais.

Cientistas relacionam essas mortes às doenças causadas pela falta de água, alimento e cuidados básicos. Com a grande quantidade de moscas, a transmissão de doenças aumentou significativamente.

Uma espécie de mosca, precisamente a mosca-de-estábulo, é uma das que mais causa prejuízos aos rebanhos, pois transmite um vírus fatal para vacas e cavalos.

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6. Úlceras e chagas

Diante da recusa do Faraó em liberar seu povo, Deus ordenou que Moisés e Arão, seu irmão, enchessem as mãos de cinzas e as jogassem aos céus.

Assim que cumpriram a ordem do Senhor, as cinzas se transformaram em úlceras e chagas que afetaram todos os seres vivos restantes, inclusive os egípcios.

Essas pústulas, segundo Werner Kloas, biólogo do Instituto Leibniz, foram causadas pela grande quantidade de piolhos e moscas.

Mas o documentário histórico Êxodo Decodificado tem uma teoria diferente, relacionada à erupção vulcânica da primeira praga.

A liberação de grandes quantidades de dióxido de carbono teria gerado bolhas nas pessoas e animais, consequentemente se transformando em feridas.

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7. Pedras caem do céu e destroem as plantações

Ainda estamos na sétima das 10 pragas do Egito! Até aqui, Ramsés II se mantinha irredutível em relação à libertação do povo hebreu.

Deus não poupou os egípcios e ordenou que Moisés estendesse seu cajado por todo e qualquer espaço não habitado pelos hebreus. Assim surgiu uma chuva de pedras, responsável pela destruição das plantações.

Uma chuva de pedras? Não é impossível! Tempestades de granizo ocorrem, no entanto são raras em regiões áridas como o Egito. Raras, porém podem acontecer.

A física Nadine von Blohm, do Instituto de Física Atmosférica da Alemanha, tem outra explicação: a chuva de pedras foi ocasionada pela erupção do Thera.

Mesmo a 700 quilômetros de distância, Nadine von Blohm afirma que as nuvens de cinzas conseguem percorrer grandes distâncias. Quando se misturam com vapor d’água, criam pedras semelhantes ao granizo.

Como as cinzas são escuras, dão uma coloração diferente às pedras que caem do céu.

Em 2011, o vulcão Puyehue, no Chile, entrou em erupção. A nuvem de cinzas foi tão densa que o vento a transportou até a fronteira entre o Uruguai e o estado do Rio Grande do Sul.

Só para você ter uma ideia, cerca de 950 quilômetros separam o vulcão chileno de Uruguaiana, uma das cidades gaúchas atingidas pela nuvem.

Quadro pragas do Egito
Quadro pragas do Egito
(Foto: )

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8. Nuvem de gafanhotos

Se o Sul do país sofreu com as ameaças de invasão das nuvens de gafanhotos argentinos e paraguaios durante a pandemia do novo Coronavírus, o Egito vivenciou a experiência na oitava das 10 pragas.

A chuva de pedras destruiu as plantações, mas o que tinha sobrado não era páreo para uma nuvem de gafanhotos.

Nuvem de gafanhotos
Nuvem de gafanhotos
(Foto: )

Segundo o livro Os Milagres do Êxodo, a invasão de gafanhotos se deu por causa das alterações climáticas — que podem provocar mudanças comportamentais nesses insetos.

O tempo frio e o solo úmido são outra explicação para a nuvem de gafanhotos. Juntos, formam o cenário perfeito para a reprodução desses insetos. Assim que eclodiram os ovos, a oitava praga estava formada.

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9. Três dias no escuro

Ramsés II hesitou em manter os hebreus presos depois da nuvem de gafanhotos. Entretanto, como os insetos desapareceram, ele mais uma vez desconsiderou mudar sua decisão.

A nona das 10 pragas do Egito chegou e transformou o dia em noite. Segundo a Bíblia, foram três noites nessa calamidade!

Os cientistas apontam que essa mudança climática ocorre até hoje nessa região por meio de tempestades de areia. Mas na teoria da erupção vulcânica, a nuvem de cinzas também pode ter bloqueado parte dos raios solares.

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10. Os primogênitos morrem

A décima praga do Egito, segundo a Bíblia, foi a responsável pela morte de todos os primogênitos. Ela não poupou nem a vida do filho mais velho do faraó.

A Bíblia conta que só ficaram de fora do castigo divino os primogênitos das famílias que passaram sangue de cordeiro nos batentes das portas.

Como as mortes foram o ápice da comoção do povo egípcio, Ramsés II decidiu libertar os hebreus para que partissem rumo à terra prometida.

Já os historiadores e cientistas explicam que os filhos mais velhos do antigo Egito eram os primeiros a se alimentarem. No entanto, em um cenário com escassez de comida, acabavam consumindo alimentos contaminados com fezes de insetos — gafanhotos e moscas. Essa intoxicação teria levado esses egípcios à morte.

A quantidade de dióxido de carbono no ar, por causa da teoria do vulcão grego, é outra explicação para a morte dos primogênitos. Em primeiro lugar, os especialistas explicam que essa substância é tóxica.

Como os primogênitos eram os únicos que podiam dormir em camas, estavam próximos do chão, logo inalaram esse gás tóxico que circula sempre perto do solo.

Os irmãos mais novos, em compensação, dormiam em lugares mais altos como carroças e até telhados.

A Bíblia, a ciência e a história têm justificativas próprias para os acontecimentos retratados nas 10 pragas do Egito. O consenso é: se ocorreram, o que não falta são explicações que mostram cada calamidade.

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