Um dos trechos de praia de Balneário Piçarras apresentou erosão na areia nesta semana. O local passou pela megaobra de alargamento na cidade dois meses após o fim da obra, que ocorreu em meados de abril deste ano.

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A obra de alargamento ocorreu no trecho de dois quilômetros entre a Avenida Getúlio Vargas e o molhe da Barra do Rio Piçarras, incluindo a ampliação do projeto no sentido norte de 430 metros. A intervenção foi executada em apenas 75 dias.

Confira imagens feitas logo após o fim da obra

Agora, nesta semana, o desnível na faixa de areia foi flagrado por um banhista. A prefeitura da cidade informou que recebeu um parecer técnico da empresa Caruso, responsável pelo acompanhamento da obra até 12 meses após a finalização do alargamento.

Veja o vídeo

O que diz parecer após desnível em alargamento de praia

Segundo o parecer técnico, trata-se de uma formação de escarpas erosivas que ocorre por conta da atuação de eventos de alta energia, processo comum nos meses de outono e inverno, período em que há aumento da frequência de ressacas e da passagem de frentes frias na região. 

A ocorrência simultânea de marés de sizígia e desses eventos potencializa a remoção de sedimentos da pós-praia (porção emersa da praia), favorecendo a formação dessas feições erosivas.

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“Os primeiros registros das escarpas ocorreram no final do mês de abril, período em que foram emitidos avisos de ressaca pela Marinha do Brasil para o litoral catarinense, indicando condições oceanográficas compatíveis com os processos observados”, informou o parecer.

Além disso, a formação de escarpas constitui um comportamento esperado após obras de alimentação artificial de praias, disse a empresa. Com a adição de sedimentos, a faixa de areia passa a apresentar um perfil mais elevado do que a condição de equilíbrio natural. 

Durante eventos de maior energia, ocorre um reajuste morfológico do perfil praial, com a redistribuição dos sedimentos da pós-praia para a antepraia, ou seja, a porção submersa da praia, e para outros trechos da costa, buscando uma nova condição de equilíbrio.

As ressacas associadas às ondulações provenientes dos quadrantes sul e sudeste constituem os principais agentes responsáveis pelos processos erosivos de curto prazo observados na região. Dessa forma, a formação das escarpas observadas é compatível com a dinâmica esperada para uma praia recentemente submetida a obras de alimentação artificial, não indicando, de forma isolada, uma condição de instabilidade ou comprometimento da obra executada. 

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“No entanto, trata-se de um processo que deve continuar sendo acompanhado por meio do monitoramento morfológico da praia, permitindo avaliar sua evolução ao longo do tempo e a resposta da faixa de areia aos eventos oceanográficos mais energéticos”, disse também o documento.

Inclusive, a empresa cita que o acompanhamento técnico dessa área já faz parte dos planos básicos ambientais previstos para a obra de engordamento da praia.

Há um programa específico de monitoramento da linha de costa e do perfil praial, que acompanha continuamente o comportamento da faixa de areia ao longo de toda a área contemplada pela obra e também em trechos adjacentes. Na região onde ocorreu a formação da escarpa, existem perfis de monitoramento próximos que permitem avaliar a evolução das condições locais ao longo do tempo.

Esse acompanhamento vem sendo realizado desde antes do início das intervenções, permanece durante a execução da obra e continuará após sua conclusão, com monitoramentos previstos até o início de 2027.

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“É importante destacar que a formação de uma escarpa após eventos de maior energia das ondas não significa, necessariamente, uma perda definitiva de areia ou um processo erosivo permanente. Em ambientes costeiros, é comum que parte da areia seja deslocada temporariamente para regiões mais profundas durante períodos de mar agitado e retorne à faixa de praia quando as condições do mar voltam à normalidade. O monitoramento contínuo é justamente o instrumento que permite acompanhar essa dinâmica e avaliar a necessidade de eventuais medidas adicionais”, cita.

Segurança dos banhistas e riscos

O paredão ou o desmoronamento dele pode apresentar risco à segurança de banhistas. Como medida de segurança, não é recomendado permanecer junto à base da escarpa nem se aproximar de sua borda superior.

A escarpa possui altura suficiente para que eventuais desprendimentos de areia movam grandes volumes, que podem representar risco às pessoas que estejam próximas, como um soterramento, por exemplo.

Também não é recomendada a circulação próximo a borda da escarpa, pois o peso adicional pode favorecer o desprendimento de blocos de areia, aumentando o risco de acidentes além de contribuir para a erosão e o transporte dos sedimentos.

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O local continuará sendo acompanhado por meio do programa de monitoramento da linha de costa, que permitirá avaliar a evolução das escarpas e a recuperação natural do perfil de praia após os eventos de maior energia. A prefeitura avaliará junto com seu corpo técnico as possíveis medidas a serem adotadas.