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    Carne mais cara

    Preço do boi gordo aumenta 32% em um ano em Santa Catarina 

    Dólar alto, exportações, maior consumo e menor oferta são as causas segundo análise do Cepa/Epagri

    09/12/2019 - 16h10 - Atualizada em: 09/12/2019 - 20h39

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    Darci
    Por Darci Debona
    Exportações, dólar alto, menor oferta e maior consumo provocaram disparada no preço do boi
    Arroba do boi gordo passou de R$ 150 para R$ 199 em um ano
    (Foto: )

    O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola de Santa Catarina (Cepa/Epagri) divulgou uma nota técnica apontando um aumento de 32,2% no preço da arroba do boi em Santa Catarina, em comparação com dezembro do ano passado. A arroba, que estava em R$ 150,00 no fim de 2018, chegou a R$ 199,04 neste início de mês. Em relação ao mês passado, o aumento foi de 18%.

    De acordo com o analista de socieconomia e desenvolvimento rural Alexandre Luís Giehl, o preço do boi no campo seguiu estável até setembro, com variação mais consistente a partir de novembro. Segundo ele, normalmente há um aumento no preço da carne bovina no final do ano por causa do maior consumo nas festividades do período. Mas outros fatores acabaram intensificando esse efeito, como o aumento das exportações, principalmente para a China.

    — Dentre fatores sazonais, destacam-se a baixa disponibilidade de bovinos prontos para abate nesse período e a elevação da demanda por carne bovina no mercado interno. Além desses, neste ano se observa a ação de alguns fatores conjunturais, os quais fazem com que a variação seja muito mais significativa do que em anos "normais": ampliação do abate de fêmeas, valorização do dólar e aumento das exportações brasileiras de carne — destacou.

    Giehl explicou que nos últimos anos o preço do boi gordo não estava tão atrativo para o criador, que reduziu plantéis e abateu fêmeas. O abate de novilhas (fêmeas jovens) passou de 6,1% em 2010 para 10,2% em 2018 e 13% no primeiro semestre de 2019. Com isso a oferta de bois ficou mais limitada.

    E justamente o período de maior demanda a oferta estava menor, também pelo período de entressafra, ou seja, período de menos oferta de boi gordo pela escassez de pastagem, que vai de julho a novembro. A partir de agora começam as chuvas e as pastagens começam a se recuperar.

    Além disso o dólar que estava R$ 3,73 em janeiro, passou para R$ 4,24 no final de novembro, o que facilita as exportações, pois, com a desvalorização, os produtos nacionais ficam mais baratos em dólar.

    De janeiro a novembro o Brasil exportou 1,67 milhão de toneladas de carne bovina, com faturamento de US$ 6,72 bilhões, o que representou um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A China comprou 39% a mais.

    De acordo com Alexandre Giehl, as cotações dos últimos dias apontam para uma estabilização do preço. Ele acredita que o preço de carne bovina deve se manter valorizado até o final do ano, mas no início do ano que vem pode cair pois diminui a pressão pelo consumo diminuir e também, a partir de fevereiro, tem mais oferta de bois pela mais oferta de pasto no Centro Oeste.

    — Parte desse processo de acomodação das duas últimas semanas deve-se à retração no consumo que, por sua vez, foi decorrente da elevação de preços. Diversos analistas apontam que a manutenção dos atuais patamares ou eventuais recuos nos preços no curto prazo dependerão do comportamento do consumidor e dos níveis de consumo a serem observados nas próximas semanas — disse Giehl.

    Mesmo se houve uma queda no início de 2020, ele destacou que os preços devem ficar em patamares superiores aos que estavam antes do aumento. Isso pela continuidade da demanda chinesa, aumento dos custos de produção e também pelo efeito sobre as demais carnes, pois o encarecimento da carne bovina geralmente provoca migração de consumo para outras carnes.

    O Brasil consome cerca de 42 quilos de carne de frango per capita/ano, contra 33 quilos de carne bovina e 15 quilos de carne suína.

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