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Prefeitura aposta em nova alternativa para ponte no Centro de Blumenau 

Após sete anos de discussão sore traçado ideal, duplicação da Adolfo Konder é a nova sugestão da prefeitura de Blumenau 

13/04/2019 - 11h03

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Jean
Por Jean Laurindo
(Foto: )

Esqueça o embate entre as duas pontes projetadas no Centro de Blumenau: a Ponte do Centro, que liga as ruas Rodolfo Freygang e Chile, ou a Ponte Norte-Sul, que liga as ruas Itajaí e Paraguay. Qual tem o melhor traçado, ajudaria mais no trânsito ou provocaria o menor impacto ambiental.

No último dia 3, a prefeitura suspendeu a concorrência da Ponte Norte-Sul, que vinha sendo defendida pela administração municipal desde 2013. Em vez disso, decidiu apostar em uma terceira opção: a duplicação da Ponte Adolfo Konder, que liga a Rua República Argentina e a Avenida Beira-Rio.

A mudança de planos veio depois de muitos questionamentos sobre a Ponte Norte-Sul. Órgãos como Justiça Federal e Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) contestaram pontos como a licença ambiental e a interferência na paisagem local. Eles chegaram a suspender a licitação por 15 meses até a abertura dos envelopes, em fevereiro deste ano. Apesar de terem sido respondidos pelo Executivo, a avaliação da prefeitura é de que eles provocariam insegurança jurídica à obra neste momento. Por isso, o município decidiu duplicar a Ponte Adolfo Konder, fazer outras obras e, mais tarde, voltar a buscar recursos para fazer a ponte entre as ruas Itajaí e Paraguay após todos os questionamentos judiciais estiveram esclarecidos.

Se a Ponte Norte-Sul dividia opiniões, a proposta apresentada nos últimos dias para duplicar a Ponte Adolfo Konder parece ter agradado “centristas” e “ponta-agudenses”. Inclusive, esfriou os ânimos dos que questionavam a eficiência da obra defendida até então. O arquiteto e urbanista Alfredo Lindner foi uma das vozes mais críticas ao projeto. Agora, mostra-se favorável à nova sugestão.

– É um meio-termo entre a solução anterior, do ex-prefeito João Paulo (Kleinübing), que considera o binário da Rua Chile e a função da ponte, que é ser urbana. Foi uma saída politicamente honrosa e tecnicamente muito adequada. É um investimento menor e vai ser bom para a cidade – avalia o profissional, que propõe a criação de espaços verdes a cada 10 metros na área para pedestres e também sugere manter apenas uma pista no sentido Centro-bairro (na proposta divulgada, a prefeitura prevê uma faixa no primeiro momento).

Léo Laps, Especial
(Foto: )

Debate maior do projeto

A Associação Empresarial de Blumenau (Acib) chegou a sugerir à prefeitura em 2014 que o projeto da ponte previsto no programa Blumenau 2050, entre as ruas Rodolfo Frygang e Chile, fosse priorizado pelo município em detrimento da Ponte

Norte-Sul. Mais tarde, a entidade passou a defender a execução das duas pontes, mas ressaltava a importância de uma discussão maior do projeto. Agora, o presidente da entidade, Avelino Lombardi, mostra-se satisfeito.

– Aquele projeto, como estava, precisava ser melhor discutido com a comunidade. As sinaleiras iriam trazer problemas, imagina para quem vem do Litoral. Foi uma atitude corajosa e inteligente – defende o empresário.

O engenheiro civil Alexandre Gevaerd, ex-secretário de Planejamento em Blumenau, conta que a ideia de duplicar a Ponte Adolfo Konder tem a desvantagem de continuar levando alto fluxo à Avenida Beira-Rio, porém tem outra série de vantagens:

– Ela é mais barata que a ponte da Rua Rodolfo Frygang com a Chile, porque é apenas uma duplicação, tem uma boa capacidade de fluidez, está em uma cota mais alta de enchente, não joga o fluxo na Ponta Aguda e não impacta na curva do rio. Pode ser uma solução inteligente – avalia.

Rodolfo de Souza Neto, coordenador do Movimento Ponta Aguda Cidadã, outra liderança que era contrária ao projeto da Ponte Norte-Sul, diz que a comunidade local ficou satisfeita com o novo plano anunciado.

– Foi um ato de grandeza e coragem política. Para o bairro, vai complementar o binário da Rua Chile, que desta forma vai passar a existir.– aponta.

Insegurança jurídica suspende licitação

A cidade de Blumenau que hoje tem três projetos, mas nenhum em execução, começou a discutir a construção de uma nova travessia no Centro há pelo menos 11 anos. Em 2008, o programa Blumenau 2050, lançado no mandato de João Paulo Kleinübing (DEM), previa a edificação de uma travessia entre as ruas Rodolfo Frygang, transversal da Beira-Rio, no Centro, e a Rua Chile, na Ponta Aguda. Em 2012, após eleição vencida por Napoleão Bernardes (sem partido), essa proposta perdeu espaço para a proposta da ponte entre as ruas Itajaí, no Vorstadt; e Paraguay, na Ponta Aguda. Agora, o prefeito Mario Hildebrandt (sem partido) anuncia uma terceira alternativa: duplicar a Ponte Adolfo Konder.

O ex-prefeito Napoleão Bernardes lembra que a decisão de mudar de planos e priorizar a Ponte Norte-Sul se baseou nos estudos que os técnicos lhe apresentaram. Ele nega qualquer interferência de cunho político.

– Não foi uma questão eleitoral. Tanto que na campanha o traçado que defendíamos era entre a Rua Bolívia e a Avenida Brasil, que depois foi mudado sempre com base em estudos.

Bernardes argumenta que, caso se tratasse de uma escolha pessoal, teria sido mais cômodo executar a ponte que, segundo um projeto de lei já existente, levaria o nome do pai dele, o advogado Acácio Bernardes.

No entanto, ele sustenta que estudos de mobilidade nortearam a decisão de priorizar a Norte-Sul.

– A ponte seria feita enquanto o binário da Rua Chile fosse executado. Se não fosse essa celeuma judicial de moradores, o cronograma estaria certo – defende.

O prefeito Mário Hildebrandt diz que a gota d’água para a suspensão da licitação da Ponte Norte-Sul foi uma nova recomendação do Ministério Público de Contas do TCE-SC, que aumentou a insegurança jurídica sobre a ponte.

– Era temerário. Poderia chegar no meio do processo com a condição de colocar uma coluna dentro do rio e daqui a pouco a obra ser embargada. Daí teríamos dinheiro na conta, amarrado em uma obra, o prazo iria se esgotar, iríamos perder dinheiro e teríamos um esqueleto lá parado – detalha Hildebrandt.

Alternativa mais barata

Diante do risco, e com a possibilidade de perder o recurso do governo federal caso a obra não começasse, o prefeito analisou as demais opções e concluiu que a duplicação da Adolfo Konder poderia ser uma medida mais barata e com função semelhante de melhorar o trânsito e aproveitar o binário da Rua Chile. Hildebrandt acredita que a demora para a cidade ter uma ponte no Centro não se deve a disputas políticas, mas a fatores como falta de recursos e as polêmicas que costumam cercar projetos desse porte. Questionado se a ideia da duplicação pareceu agradar mais grupos do que a Ponte Norte-Sul, ele despista.

– Não fiz com objetivo de agradar, fiz para resolver um problema da cidade. Como gestor, a gente toma decisões que agradam e desagradam. Se agradou, fico feliz, mas sobretudo porque atende uma necessidade e também o anseio de pessoas – avalia.

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