Uma operação realizada na madrugada desta terça-feira (24) movimentou 55 detentos entre Santa Catarina e Paraná e chamou atenção pelo nível de complexidade e pelo perfil de parte dos custodiados envolvidos. A ação, coordenada pelas polícias penais dos dois estados, faz parte de uma estratégia para reorganizar o sistema prisional e reduzir a sobrecarga em unidades catarinenses. (entenda mais abaixo)

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Ao todo, 29 presos foram transferidos de Santa Catarina para o Paraná, enquanto outros 26 fizeram o caminho inverso. Entre eles, havia detentos considerados de elevada periculosidade, cuja escolta ficou sob responsabilidade de equipes especializadas, treinadas para atuar em situações de alto risco. Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) não informou quais crimes esses presos tinham cometido.

Veja fotos da operação

Como funciona a operação

A transferência interestadual exige planejamento detalhado e atuação integrada entre diferentes forças. Participaram da operação equipes do Serviço de Operações e Escoltas (SOE), dos Núcleos de Operações Táticas (NOTs) de Santa Catarina, além de policiais penais do Paraná e apoio do Departamento Penitenciário Nacional.

A logística foi concentrada em dois pontos principais: o Presídio Regional de Joinville e a Penitenciária de Integração Social de Piraquara (PISP), no Paraná. Nesta unidade, os presos recebidos passam por triagem antes de serem redistribuídos dentro do sistema penitenciário paranaense.

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Segundo as corporações, toda a ação ocorreu sem intercorrências, com cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança e preservação da integridade de servidores e custodiados.

Quem são os presos transferidos

Os detentos envolvidos na operação têm uma característica em comum: respondem a processos judiciais em um estado diferente daquele em que estavam presos.

Atualmente, Santa Catarina abriga 1.833 presos que não possuem vínculo processual com o Estado, ou seja, cometeram crimes em outras unidades da federação e aguardam ou cumprem pena longe de sua origem.

De acordo com a Sejuri, esses casos acabam pressionando o sistema prisional catarinense, já que ocupam vagas que poderiam ser destinadas a presos com processos no próprio estado.

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Por que essas transferências estão acontecendo

O principal objetivo da operação é reduzir a superlotação e melhorar a gestão do sistema prisional. Ao devolver os detentos aos seus estados de origem, o governo busca aliviar a pressão sobre as unidades catarinenses.

— Quando a gente faz essas movimentações, devolvendo essas pessoas para o estado de origem, a gente reduz a sobrecarga do sistema prisional catarinense. É um movimento importante para a segurança pública — explicou a secretária de Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva.

Além disso, a transferência também atende a uma demanda dos próprios presos, que passam a cumprir pena mais próximos de suas famílias, o que está alinhado aos princípios da execução penal.

O que vem pela frente?

A operação não deve ser um caso isolado. Segundo as polícias penais, novas transferências já estão previstas, dentro de uma política contínua de cooperação entre os estados.

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A expectativa é que o modelo — baseado em planejamento conjunto, concentração logística e redistribuição dos detentos — se consolide como uma estratégia permanente para melhorar a eficiência do sistema prisional e otimizar recursos públicos.