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    Previsão de Mandetta para SC sobre a Covid-19 se confirmou? Especialista avalia e diz que "alerta está aceso" 

    Ex-ministro da Saúde disse há duas semanas que Estado estaria em "situação muito difícil"

    22/05/2020 - 11h49 - Atualizada em: 22/05/2020 - 14h49

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    Por Guilherme Simon
    Mandetta
    O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta
    (Foto: )

    Duas semanas atrás, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que Santa Catarina chegaria a esta quinta-feira (22) em “uma situação muito difícil” por conta do avanço do novo coronavírus. Passados os 14 dias, a previsão se confirmou ou não? A reportagem do DC questionou o epidemiologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Fabrício Menegon. Ele preferiu "não refutar" a afirmação do ex-ministro e disse que o alerta no Estado ainda segue aceso.

    A afirmação de Mandetta foi feita em entrevista à CNN Brasil, no dia 7 de maio, quando ele comentava sobre a necessidade de políticas diferentes para os estados de acordo com a situação de avanço da Covid-19.

    — O que está acontecendo, por exemplo, em Santa Catarina hoje. É hora de Santa Catarina se debruçar sobre seus números, sobre a análise de sua sociedade, porque daqui a duas semanas vai ser Santa Catarina que vai estar em uma situação muito difícil — disse o ex-ministro na ocasião.

    A fala ocorreu depois de Santa Catarina registrar aumento significativo no número de casos após a liberação de atividades econômicas. Na época, o governo catarinense afirmava que havia "confusão", alegando que a alta era resultado da inserção no sistema de casos que ainda não haviam sido contabilizados.

    Passadas as duas semanas, os casos confirmados de coronavírus no Estado subiram de 3.082, no dia 7 de maio, para 5.610, nesta quinta (21), um aumento de 82%. Já as mortes pela doença cresceram de 63 para 98 (55%) no período. Os pacientes internados em UTI com suspeita ou confirmação da doença eram 84 e passaram 102, e a taxa de ocupação geral dos leitos de UTI é de 60,3%.

    Para o epidemiologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Fabrício Menegon, que é chefe do Departamento de Saúde Pública da UFSC, a situação da doença no Estado ainda é de alerta.

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    — Penso que a colocação dele (do ex-ministro Mandetta) dizia respeito aos dados que se apresentavam. E, claro, no impacto que isso poderia ter no sistema de saúde, principalmente na oferta de leitos de UTI. Acredito que foi algo nessa linha. (Uma frase) Bem aberta mesmo. Mas eu não estou disposto a refutar a fala dele. Acho que o alerta ainda está aceso — disse.

    Ao comentar que a situação ainda requer cuidado, o epidemiologista citou reportagem publicada nesta sexta (22) pelo DC que mostra uma explosão de novos casos de coronavírus em Santa Catarina após a reabertura do comércio em 22 de abril. Pelo menos 3.196 novas pessoas passaram a registrar sintomas e foram confirmadas com Covid-19 após a data, o que representa 58,11% dos 5.499 diagnosticados em SC até esta quarta (20).

    — A tendência, de forma geral, é de crescimento. Indica que a epidemia ainda está aumentando no Estado, e que não temos a situação controlada, neste momento. Em que pese o fato de que a ocupação das UTIs esteja baixa, isso não é um parâmetro inviolável e que deve ser adotado como único critério para admitir o controle da situação. Pelo contrário, é extremamente sensível e pode mudar rapidamente, dependendo das condições que se colocarem, a exemplo do que ocorreu em outros estados do país — indica o epidemiologista Fabrício Menegon.

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    O epidemiologista também ressalva que é difícil comparar de forma adequada previsões com os dados reais porque o Brasil não tem feito testes suficientes. Para ele, o fato de que previsões não se confirmem de todo está mais relacionado à capacidade de notificação do que propriamente com erros metodológicos das projeções.

    — Não há previsão que possa ser confirmada enquanto não tivermos a real imagem do impacto da epidemia no país. Isso só se faz com testagem da população, e aí temos um problema grande, porque o Brasil não testa o suficiente. Então, não há como comparar de forma adequada as previsões com os dados reais. Temos um lapso temporal entre a manifestação da doença e sua notificação oficial que pode levar entre duas a quatro semanas — diz.

    A reportagem procurou o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta para que ele avaliasse a evolução do quadro nesses 14 dias, mas ainda não obteve resposta.

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