A rotina intensa de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, já era conhecida por Rejane Gambin (Novo), mas desde que assumiu o cargo de prefeita, em 2 de abril, os dias e noites ganharam um novo ritmo. Antes vice, a jornalista de formação assume um novo desafio e já sente o peso maior das novas responsabilidades.
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A saída de Adriano Silva (Novo) e a posse da nova prefeita foram oficializadas em um evento realizado na noite de 2 de abril, na Expoville. Na ocasião, Rejane afirmou que seu governo focará no avanço da infraestrutura da cidade, com pavimentação de vias e entrega de obras esperadas, como as pontes Joinville e Anêmonas.
Veja fotos da primeira prefeita mulher de Joinville
Para Rejane, a sensação de ocupar definitivamente a cadeira de prefeita teve um significado especial. No primeiro dia oficial no cargo, ela foi surpreendida por uma recepção marcada pelo apoio de dezenas de mulheres que a aguardavam na prefeitura. Com muito simbolismo, a cena celebrou o momento em que a cidade viu, pela primeira vez, uma mulher no comando do executivo.
Novos espaços alcançados
No novo gabinete, alguns objetos carregam significado especial. Um deles é um quadro com a bandeira de Joinville, trazido do antigo espaço da vice-prefeita. Segundo ela, o item representa o amor que construiu pela cidade desde os tempos em que atuava como jornalista em veículos de comunicação.
Além disso, o novo momento político de Rejane também chega mais perfumado, no típico estilo da cidade das flores. Todos os dias, novos vasos chegam como uma forma carinhosa de boas-vindas e, assim, preenchem o gabinete que antes pertencia a Adriano.
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A prefeita fez questão de redecorar o espaço com seus quadros e objetos especiais. Em um dos armários, Rejane guarda com carinho uma caixa cheia de cartas que recebeu dos joinvilenses ao longo dos últimos meses.
Rejane é a primeira mulher a assumir como prefeita de Joinville
A jornalista de formação é a primeira mulher a assumir a prefeitura de Joinville em toda a história da cidade. Ela alcançou esse feito antes mesmo da posse, quando assumiu como prefeita durante uma saída temporária de Adriano Silva. Isto ocorreu em janeiro de 2022. Desde então, assumiu a cadeira por outras 14 vezes.
Ao NSC Total, Rejane Gambin revelou as suas prioridades no cargo e defendeu uma gestão voltada às pessoas, com foco em obras de infraestrutura, pavimentação de ruas, melhorias no transporte coletivo e ampliação da participação feminina na política.
Confira abaixo a entrevista com a prefeita Rejane Gambin
A prefeita tem uma trajetória como jornalista antes de seguir para a carreira política. A senhora lembra qual foi o exato momento em que foi convidada a ingressar nessa carreira? Como foi o convite para se juntar ao Adriano?
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Esse momento aconteceu há uns sete anos e meio. Eu já conhecia o Adriano, como jornalista já tinha entrevistado ele várias vezes em momentos como bombeiro, como voluntário das causas que ele sempre se envolveu. Então, a gente se conhecia.
Um dia ele me telefonou e me disse que queria conversar, tomar um café comigo. Eu já estava na fase que eu tinha pedido demissão da TV e estava empreendendo, já com a minha marca, e eu achei que ele queria me contratar para alguma coisa. E aí ele me falou que não, que ele tinha decidido entrar para a política, porque ele não estava contente com o que ele estava vivendo em Joinville.
Ele tinha entendido que a gente não podia só criticar a política, tinha que fazer parte dela para poder mudar. E eu falei: “Nossa, sensacional, você é uma pessoa incrível, dedicado, honesto, um baita gestor, vai fazer a diferença, conta comigo”. E aí ele falou: “Não, eu gostaria que você estivesse comigo”. Então, foi naquele momento. O convite já veio dele.
E como ele me convenceu? Porque a política não era um lugar que eu tinha pensado em estar, por conta dos maus exemplos que a gente vê. Ele me disse o seguinte: “Como jornalista, você viu as dores das pessoas e ao meu lado você vai poder estar no lugar de decisão que faz a diferença na vida das pessoas.” Foi ali que ele tocou o meu coração de jornalista.
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Antes em conjunto e agora sozinha, qual é a marca que a senhora pretende imprimir na história da cidade com a sua gestão?
O que eu quero deixar, de fato, como marca, é uma gestão para as pessoas de verdade, que todo joinvilense se sinta atendido, que ele possa chegar aqui e dizer o que ele sonha para cidade, qual é a dor dele, qual é o desejo dele, que quando ele saia de casa para o trabalho, ele vá andando numa cidade que tem coisas que ele desejou, que não seja só uma vontade nossa solitária de longe.
Eu quero continuar andando na rua, ouvindo as pessoas dizendo: “Olha, isso não está legal, eu acho que aqui podia ter isso, ali podia ter aquilo”, que a gente continue recebendo as associações de moradores, as pessoas, as entidades, para dizer: “A cidade está andando por aqui, a gente precisa continuar, tem esse perigo no meio do caminho, tem esse desafio”.
Para a próxima eleição para a prefeitura de Joinville, a senhora planeja se candidatar como prefeita para se manter no cargo ou pretende seguir outros planos?
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Olha, é meio natural que a cidade já me veja como uma pessoa que vai para reeleição, tentando continuar um trabalho que a gente começou e que o joinvilense tem mostrado que está feliz. A minha maior vontade é servir. Quando eu decidi ser jornalista, eu queria servir, ajudar esse mundo a ser melhor, efetivamente. Enquanto jornalista, eu contribuía. Agora, como vice-prefeita, eu fiz isso.
Como prefeita também, a medida em que eu sinta que a cidade está feliz, que o joinvilense está feliz, que ele continue feliz, é natural que eu me ofereça para novamente continuar nesse trabalho para depois também ter uma pessoa ao meu lado que possa continuar fazendo de Joinville melhor. Então, já estou me colocando à disposição.
Tenho certeza que o time todo também quer que a gente possa continuar entregando, tudo o que a gente quer entregar, e vencendo os desafios, que não são poucos, no meio do caminho.
Falando sobre o time e pensando na parte mais técnica, o time de secretariado vai permanecer o mesmo ou vai ter alguma alteração?
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O time todo continua comigo. Nós tivemos só uma saída, que foi o Secretário de Governo Gilberto [Leal], que saiu porque é um pré-candidato. Foi uma decisão pessoal dele, uma vontade dele. É uma pessoa que eu gosto muito, é meu amigo, que eu tenho muita gratidão, Adriano e eu, porque ele nos ajudou muito ao longo dessa caminhada. Mas o restante, todos continuam. No lugar dele [Gilberto}, nós temos o secretário Fernando Bade, que é o Secretário da Fazenda, que está interinamente nas duas secretarias.
A gente vai ver, nessa caminhada, se a gente coloca uma outra pessoa, se o Bade gosta e assume ou se ele fica nas duas. A gente vai viver para ver o que acontece, mas o time continua absolutamente igual. Se alguém sair, sai porque essa pessoa decidiu.
Ainda nesse sentido. Já tem duas semanas que você está no cargo, houve alguma promoção de cargo ou de servidor, para ajustar o seu time, para deixar a sua gestão mais “formatada”?
Na verdade, as mudanças que aconteceram, foram mudanças aqui do gabinete, que o time do prefeito, as pessoas que acompanhavam ele, muito de perto, saíram e as minhas pessoas subiram. Então, é uma mudança natural. Eu subi, eles estavam na mesa do lado, agora eles estão na mesa aqui.
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Assim, as contratações acontecem todo dia, chama gente, sai gente, entra gente. Isso é o fluxo normal da prefeitura, de uma prefeitura da maior cidade do Estado. Mas nenhuma mudança especificamente porque eu cheguei ou porque eu quis mudar alguém.
Você avalia que a eleição estadual pode gerar alguma dificuldade política para o seu governo, principalmente na relação com a Câmara de Vereadores?
Eu acredito que a gente vai ter mudanças, naturalmente. São muitos os candidatos, então, algumas pessoas vão se eleger, eu espero que sim, nós precisamos de representatividade, torço por isso.
Não acredito, porque vão entrar outras pessoas e eu acredito que a gente vai continuar dialogando. Antes da minha posse, eu já tinha feito uma conversa com todos os vereadores da base, ratificando a minha vontade de dialogar, de conversar. Apesar de estarmos em partidos diferentes, o que nos une é o propósito de servir Joinville. Então, a gente dialoga, conversa, chega num lugar comum, deixa as diferenças de lado, que é o benefício de Joinville.
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Sobre infraestrutura. A senhora já tem a previsão de lançamento do edital do transporte coletivo?
Olha, muito em breve. A gente já está nos ajustes muito finais, para que logo essa licitação aconteça. É um processo muito complexo, por isso que ele demora tanto. Ele teve muitas avaliações, ele foi muito olhado com cuidado para que seja o mais rígido possível para que a gente faça a melhor licitação, da forma mais correta possível, porque é a primeira que a gente vai ter em Joinville. Então, ele tá no “finalzinho”.
Nos próximos meses, se tudo der certo e vai dar, a gente vai ter aí a primeira licitação do transporte coletivo de Joinville.
Sobre a Ponte Joinville, a promessa de entrega era para maio de 2026, mas o prazo precisou ser estendido. Quais serão os impactos financeiros e de cronograma para a cidade?
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Olha, a primeira coisa que é importante dizer para o joinvilense é que a gente já sabe que vive em cima de um terreno de mangue. E aí, por mais que a gente fez vários estudos naquela região da ponte, teve algumas surpresas no meio do caminho. Porque perfura, perfura, perfura e quando chega lá embaixo não é exatamente o que tinha “aparecido”. E aí, por conta disso, foram fazendo-se alguns ajustes e isso fez com que a gente tivesse um pouco de atraso. Mais dificuldade mesmo com o solo.
Outra questão, quando a gente planejou a ponte, quando foi feita a licitação, era para o trabalho acontecer dia e noite. E aí de novo, uma cidade para pessoas é uma cidade o quê? Que escuta as pessoas. As pessoas que moram no entorno começaram a se incomodar com o barulho. O que a gente fez? Recuou. Falamos: “Então a obra vai acontecer só durante o dia”. O que que isso faz? Matematicamente, “espicha” o prazo.
Então já prevemos, novamente, que ela está para o final do ano que vem. O valor já foi ajustado, é um custo que existe, não tem como você negar. Se você vai fazer uma reforma dentro de casa, a partir do momento que você tem um alargamento disso, você precisa fazer uma revisão do custo e uma revisão do prazo, é isso que vai acontecer.
O mais importante, a obra está andando. Eu passei agora de tarde lá. A obra está andando, ela é uma obra gigantesca, talvez por isso que tanta gente não fez ela ao longo desses anos todos, mas ela está saindo do papel.
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Considerando que Joinville tem apenas 32% das vias pavimentadas, que inclusive era uma grande frustração do Adriano, qual deve ser o plano de governo para aumentar esta cobertura?
É uma frustração enorme minha, tanto que na entrevista da posse foi uma das coisas que eu mais falei, que uma das minhas metas é a gente avançar na questão da pavimentação.
É inadmissível uma cidade como Joinville, a maior cidade do estado, onde as pessoas pagam impostos por erros de planejamento lá de trás, onde não foi pensado esse avanço, ruas e mais ruas e mais ruas foram acontecendo sem planejamento e ficaram de terra, porque sobra muito pouco dinheiro para a prefeitura para fazer essas pavimentações que são muito caras.
A gente já avançou, nos primeiros anos de governo, mais de 100 quilômetros, eram 600 quilômetros de ruas de terra dentro da cidade, fora o que tem na área rural. A gente está hoje com cerca de 500 quilômetros e com muito planejamento, agora muitos projetos acontecendo para a gente avançar e entregar ruas e mais ruas. Sempre com priorização. “Por que é a sua rua e não é a minha?” Porque a gente tem que estabelecer uma prioridade para ninguém ser preterido ou preferido.
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Então, rua que tem CEI, rua que tem escola, rua que tem unidade de saúde é preferência. Tem ponto de ônibus, linha de ônibus, é preferência. As outras têm que esperar um pouquinho mais.
Mas é uma meta que eu tenho no topo da minha lista, entregar mais ruas pavimentadas, asfaltadas, para o joinvilense, que merece isso. Isso é dignidade e respeito.
Sobre o Parque Cachoeira, uma grande promessa e expectativa do Adriano, quando a gestão pretende lançar a licitação?
Nos próximos meses. A gente está na finalização já, é para começar a primeira etapa. Ele é um desejo do joinvilense, por isso que eu digo que nós temos que ser sempre uma gestão que esteja voltada para as pessoas.
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Isso a gente ouvia sempre, um parque no centro da cidade. E aí veio essa ideia de aproveitar essa região super bonita ao redor do Cachoeira. Então, nos próximos meses, a gente já está finalizando, vamos ter a primeira licitação da primeira etapa e aí já vem aquelas mini quadras, área de lazer, aproveitando aquelas árvores que o joinvilense adora, então, vai ter uma área de sombra.
Sobre o Hospital São José, agora com o protocolo de estadualização assinado, como garantir que o joinvilense vai ter a mesma qualidade no atendimento? Como ter controle sobre isso?
Na verdade, a gente já assinou um protocolo de intenções entre o governo do Estado e o governo municipal. Então, isso não começa a acontecer agora. As reuniões começam a acontecer para dizer como isso vai acontecer, em que etapas, em que processo, em quanto tempo.
O dinheiro também não vem. Hoje me perguntaram: “Quer dizer que nós já teremos R$ 300, R$ 400 milhões no ano que vem?”. Não, não é assim. A coisa vai acontecer, uma transição que tem que ser feita com muita cautela, muito cuidado, muito zelo. O que é importante dizer? O atendimento de qualidade sempre vai ser prioridade para a gente, do joinvilense e de quem vem de fora. E nós vamos continuar acompanhando, lutando e cobrando isso.
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Assim como os servidores perguntam: “Como vai ficar para a gente?”. Nada muda. Vai mudar, talvez, lá na ponta quando o servidor do São José for se aposentar. Naquele dia sai um servidor e talvez entre um outro profissional contratado por quem estiver cuidando do hospital. Mas antes disso nada muda. Só muda para melhorar, porque a partir de qualquer alteração que se faça, as coisas ficam mais ágeis e melhores, inclusive, para quem trabalha e para quem é atendido lá.
Para finalizar, não posso sair daqui sem perguntar isso. Você é a primeira prefeita mulher da nossa cidade em 175 anos de história. Como que vai ser esse espaço, na sua gestão, para o empoderamento feminino na política? Como você pretende trabalhar isso?
Sempre que eu puder estar em todos os lugares, e eu vou sempre que eu posso em eventos, em toda a cidade, não importa para mim quem está organizando ali, o que importa é realmente incentivar as mulheres a acreditarem nos seus sonhos, lutarem. Se for para estudar, se quiser ser uma dona de casa, que continue sendo a melhor dona de casa, se quiser buscar uma formação, que faça, que as mulheres se encorajem a lutar pelo que elas querem.
Se elas tiverem vontade de servir, de estarem na política, eu vou estar de perto dizendo: “Por favor, venha, conte comigo, conte com o meu apoio, conte com a minha ajuda”. Incentivando, mostrando caminho, porque eu espero que depois de mim venham outras mulheres, outras vereadoras, outras prefeitas, outras deputadas, que a gente tenha mais participação. Nós somos mais de 50% da população, a gente tem que estar nos espaços de decisão. Então, no que depender de mim, eu estarei sempre apoiando, sempre incentivando.
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Não é só uma foto na parede, não é só uma mulher que está aqui, mas é uma mulher dizendo e mostrando com muita entrega, muito trabalho, muita dedicação todos os dias.
Antonietas
Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira










